Estudo revela por que duas profissões específicas têm menor risco de Alzheimer
A principal hipótese é que atividades que exigem navegação constante e decisões rápidas estimulem áreas do cérebro ligadas à memória

Uma nova pesquisa chamou a atenção da comunidade científica ao apontar que pessoas em duas profissões específicas apresentam menor risco de morrer em decorrência do Alzheimer. Segundo estudo divulgado em maio de 2025 nos Estados Unidos, a explicação pode estar menos no tipo de trabalho em si e mais em como o cérebro é exigido durante a rotina profissional.
A pesquisa publicada pela Harvard Health Publishing, analisou milhões de registros de óbitos e identificou taxas menores entre profissionais que atuavam como motoristas de táxi e ambulância.
A principal hipótese é que atividades que exigem navegação constante e decisões rápidas estimulem áreas do cérebro ligadas à memória.
O QUE A PESQUISA DESCOBRIU
Os pesquisadores examinaram dados de quase nove milhões de pessoas falecidas em um período de três anos. Entre centenas de ocupações avaliadas, duas chamaram atenção.
Motoristas de táxi e de ambulância apresentaram proporção menor de mortes relacionadas ao Alzheimer quando comparados à média observada em outras profissões.
Nos registros analisados, o Alzheimer respondeu por 0,91% das mortes entre taxistas e 1,03% entre condutores de ambulância. Em outras carreiras, como executivos, o índice ficou próximo de 1,82%.
Na prática, isso representa redução superior a 40% nesses grupos.
O QUE EXPLICA ISSO?
Especialistas apontam que o trabalho desses profissionais exige uso intenso de memória espacial. É preciso escolher rotas, lidar com mudanças no trânsito, encontrar endereços e tomar decisões em tempo real.
Esse tipo de esforço mental pode fortalecer o hipocampo, região do cérebro fundamental para memória e orientação. Justamente essa área costuma ser uma das mais afetadas pela doença de Alzheimer.
Pesquisas anteriores já haviam observado que taxistas, especialmente os que trabalham em grandes cidades, apresentavam alterações estruturais positivas nessa região cerebral.
NEM TODA ATIVIDADE PARECIDA TRAZ O MESMO EFEITO
Um ponto curioso é que nem todas as ocupações ligadas ao deslocamento apresentaram o mesmo resultado.
O estudo também avaliou ocupações ligadas ao transporte, como pilotos de aeronaves e comandantes de navios. No entanto, essas profissões registraram taxas maiores de mortes por Alzheimer. Motoristas de ônibus ficaram mais próximos da média geral.
Uma explicação possível é que essas atividades costumam seguir rotas fixas e exigem menos navegação improvisada.
Isso sugere que o fator-chave não é simplesmente se locomover, mas sim a necessidade de pensar, decidir e se orientar de forma improvisada.
QUAIS SÃO AS LIMITAÇÕES?
Os autores alertam que o estudo é observacional. Isso significa que ele mostra associação, mas não prova causa e efeito.
Outros fatores podem influenciar os números, como hábitos de vida, tabagismo, nível de saúde geral e até perfil das pessoas que escolhem essas profissões.
Também há limite nos dados usados, já que as informações profissionais vieram de certidões de óbito e relatos familiares.
A pesquisa não indica que seja necessário virar taxista ou assumir dois empregos para proteger o cérebro. O principal recado é outro.
Atividades que desafiam memória, orientação e raciocínio podem ser aliadas da saúde cognitiva. Jogos estratégicos, novos aprendizados, mudanças de rotina, leitura, exercícios físicos e vida social ativa seguem entre as recomendações mais aceitas.
O estudo reacendeu o debate sobre como o trabalho e os estímulos mentais influenciam o risco de Alzheimer. Profissões com decisões rápidas e navegação constante apareceram com taxas menores de mortes pela doença.