Geração Z troca apps de namoro por noites de quiz

Eventos voltados a solteiros cresceram 403% em um ano, enquanto jovens transformam hobbies em oportunidades para conhecer pessoas fora das telas.

Silhuetas de pessoas reunidas em um bar, com ilustrações de um celular com coração quebrado e um avião de papel.
Cansada dos apps de namoro, a geração Z está buscando conexões em eventos e hobbies presenciais.

Grace Snelling 3 minutos de leitura
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Daqui a 50 anos, muita gente da geração Z poderá contar aos netos que conheceu o amor enquanto observava pássaros.

Ao menos é o que sugere um novo estudo da plataforma de eventos Eventbrite. A pesquisa mostra que jovens da geração Z estão cada vez mais interessados em conhecer possíveis parceiros pessoalmente — e recorrendo a atividades ligadas a hobbies que, até pouco tempo atrás, poderiam ser associadas a gerações mais velhas.

“Durante muito tempo, as pessoas colocaram o namoro em uma caixa e os hobbies em outra”, afirmou Andrea Parodi, gerente-geral da Eventbrite, em comunicado. “O que estamos vendo é que essa divisão começou a desaparecer. As pessoas partem daquilo de que já gostam — ou experimentam uma atividade completamente nova — e permanecem abertas ao que isso pode se tornar.”

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Para a geração Z, isso significa que até os encontros mais específicos dedicados a artesanato e outros passatempos estão se transformando em lugares onde é possível encontrar um novo amor.

MAHJONG E OBSERVAR PÁSSAROS: HOBBIES DA GERAÇÃO Z

O estudo da Eventbrite compara dados registrados entre janeiro e junho de 2025 com o mesmo período de 2026. Só foram considerados eventos que indicavam explicitamente a intenção de conhecer pessoas, com palavras como “solteiros”, “mixer” ou “conheça gente nova” no título ou na descrição.

Os resultados chamam atenção. As noites de quiz cresceram 403% em um ano, com maior concentração em cidades como Chicago, Boston e Raleigh, nos Estados Unidos. Os encontros para jogar mahjong avançaram 235%. Eventos de troca de plantas e oficinas de terrários cresceram 117%, enquanto atividades sociais de pilates tiveram alta de 84%.

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Os encontros de observação de aves também ganharam espaço: o número de eventos aumentou 131%, e a participação do público cresceu 82%.

“Quando todo mundo usa os mesmos aplicativos e assiste às mesmas séries, hobbies muito específicos se tornam uma forma de se destacar”, afirma a análise da Eventbrite. “Comparecer a uma noite de quiz ou a uma caminhada para observar pássaros já funciona como um filtro de curiosidade e senso de humor antes mesmo da primeira conversa.”

UM TIPO ANALÓGICO DE AMOR

O crescimento dos romances iniciados em atividades presenciais acompanha diferentes tendências entre os jovens.

O cansaço da geração Z com os aplicativos de namoro já é conhecido. Segundo a empresa de análise de aplicativos AppsFlyer, 65% dos apps de relacionamento baixados em 2024 foram excluídos em menos de um mês. Em novembro de 2025, a companhia informou à Fast Company que esse percentual havia subido para 69%.

Em uma pesquisa realizada em março de 2025 pela empresa de saúde masculina Hims, 77% dos integrantes da geração Z disseram ter conhecido seus parceiros pessoalmente.

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O desgaste provocado pelos aplicativos levou jovens solteiros a buscar relacionamentos de maneiras mais criativas. Entre elas, entrar para grupos de corrida, enviar sinais discretos em supermercados e até roubar saladas da rede Sweetgreen para provocar um encontro “por acaso”, digno de comédia romântica.

Ao mesmo tempo, o desejo de passar menos tempo diante das telas impulsiona a cultura dos hobbies analógicos. As atividades chamadas de grannycore — ou “hobbies de vovó” — incluem tricô, jardinagem, costura e produção de álbuns de recortes. Em comum, todas exigem deixar o celular de lado e fazer alguma coisa com as próprias mãos.

Agora, o cansaço com os aplicativos de namoro e a popularidade desses passatempos estão se encontrando para criar o romance típico de 2026. É melhor o Tinder ficar de olho: o parque, a noite de quiz e o bingo estão prestes a roubar seus usuários.


SOBRE A AUTORA

Grace Snelling é colaboradora da Fast Company e escreve sobre design de produto, branding, publicidade e temas relacionados à geração Z. saiba mais