O efeito Ozempic chegou aos hotéis – e mudou o que os hóspedes procuram
Usuários de medicamentos GLP-1 buscam hotéis com geladeiras para armazenar as doses, cardápios ricos em proteínas e experiências voltadas ao bem-estar

Da adição de proteínas a praticamente todos os produtos nas prateleiras dos supermercados ao aumento da popularidade dos eletrólitos e das fibras, a era do Ozempic mudou a maneira como muita gente se alimenta. Agora, essa transformação está chegando à forma como as pessoas viajam.
O relatório Where to Next? Travel Trends Report 2027, da Priceline, constatou que, nos EUA, os viajantes estão levando em conta os medicamentos da classe dos GLP-1 ao planejar as férias e procurando opções de viagem que atendam às necessidades de quem utiliza esses remédios.
A tendência não surpreende, diante da explosão de popularidade dos GLP-1 para perda de peso, incluindo medicamentos como Ozempic, Mounjaro e Wegovy. Segundo a Gallup, cerca de 11% dos adultos dos Estados Unidos (37 milhões de pessoas) usam GLP-1 em 2026. Em 2024, eram 3%, ou 10 milhões de pessoas.
No Brasil, levantamento da NielsenIQ divulgado em abril aponta que as canetas emagrecedoras estão presentes em cerca de 5% dos lares. Entre os entrevistados, 15% disseram já ter usado algum medicamento antiobesidade (não necessariamente GLP-1).
Em 2026, dos 10 itens mais vendidos nas farmácias brasileiras, oito foram canetas emagrecedoras, segundo a empresa de pesquisas.
Esses medicamentos vêm acompanhados de mudanças no estilo de vida que estão influenciando o comportamento dos consumidores. Entre elas estão a priorização de dietas ricas em proteínas para evitar a perda de massa muscular e a substituição de festas por atividades sem álcool, devido à maior sensibilidade à bebida.
O relatório da Priceline constatou que 85% dos entrevistados que usam GLP-1 afirmaram que a medicação mudou a maneira como passam as férias. Muitos estão trocando hábitos como comer à noite e consumir grandes quantidades de álcool por opções mais voltadas ao bem-estar, como aulas de meditação e massagens.
Mas os medicamentos já influenciam as decisões antes mesmo de os viajantes chegarem ao destino. Cerca de 74% dos usuários de GLP-1 disseram que poderiam ser convencidos a escolher um hotel que levasse em conta as necessidades desse público. Entre eles, 28% estariam dispostos a pagar mais por essa experiência.
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As comodidades voltadas a quem usa GLP-1 podem ser tão simples quanto disponibilizar uma geladeira no quarto para armazenar a medicação, que precisa ser refrigerada.
Outros estabelecimentos podem ir além e atender mais diretamente às necessidades desse público, oferecendo cardápios ricos em proteínas e opções de atividade física, como academias e aulas em grupo.