Ler por prazer pode ajudar a preservar a saúde do cérebro ao longo da vida, aponta estudo
Da infância à terceira idade, o contato frequente com livros pode estimular o cérebro e contribuir para o bem-estar

Ler livros, revistas, histórias em quadrinhos ou conteúdos digitais por vontade própria pode trazer benefícios que vão além do aprendizado. Pesquisas relacionam o hábito a melhor desempenho cognitivo, redução do estresse, maior bem-estar e menor risco de declínio cognitivo na velhice.
Uma análise publicada na revista Psychological Medicine, por pesquisadores da Universidade de Cambridge e da organização The Queen’s Reading Room, reuniu evidências sobre os efeitos da leitura em diferentes fases da vida.
Segundo o PsyPost, os resultados reforçam a importância de incentivar a leitura recreativa como uma atividade acessível para estimular o cérebro e fortalecer a saúde mental.
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LEITURA NA INFÂNCIA ESTÁ ASSOCIADA A MELHOR DESEMPENHO COGNITIVO
Uma das pesquisas analisadas acompanhou 10.243 crianças e adolescentes nos Estados Unidos, inicialmente entre 9 e 11 anos. Cerca de metade dos participantes começou a ler por prazer ainda na infância. Na adolescência, esse grupo apresentou melhores resultados em testes de memória, atenção e aprendizagem verbal.
Os jovens que tinham o hábito também registraram menos sintomas de estresse, depressão e problemas comportamentais. Além disso, dormiam mais e passavam menos tempo diante de telas. Exames de imagem identificaram diferenças em regiões cerebrais relacionadas à linguagem, à atenção e à regulação emocional.
O estudo também observou benefícios cognitivos mais expressivos entre os participantes que dedicavam aproximadamente 12 horas semanais à leitura. Esse número não representa uma meta obrigatória, mas ajuda a mostrar como o contato frequente com livros pode acompanhar o desenvolvimento cerebral.
LIVROS TAMBÉM PODEM REDUZIR O ESTRESSE E A SOLIDÃO
Na vida adulta, a leitura aparece associada a maior bem-estar, empatia e capacidade de compreender outras pessoas.
Uma pesquisa com 4.164 participantes identificou que até 30 minutos semanais de leitura estavam relacionados a uma percepção mais positiva sobre os sentimentos alheios. Entre os leitores, 64% afirmaram compreender melhor as emoções de outras pessoas, contra 48% dos não leitores.
O hábito também pode funcionar como uma forma de relaxamento. Em um levantamento citado pelas pesquisadoras, a leitura foi apontada como uma das atividades preferidas para aliviar o estresse.
A experiência coletiva também importa. Clubes de leitura e encontros para conversar sobre livros podem ampliar a interação social e diminuir a sensação de isolamento. Entre idosos com redes de contato menores, manter uma rotina diária de leitura esteve associado a índices mais baixos de solidão.
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HÁBITO PODE AJUDAR A PRESERVAR A COGNIÇÃO NA VELHICE
Os benefícios associados à leitura também aparecem em pesquisas com pessoas mais velhas. Um acompanhamento de 801 adultos com 65 anos ou mais identificou que a participação frequente em atividades intelectuais, incluindo a leitura, estava relacionada a uma redução de 33% no risco de Alzheimer.
Outro estudo, com 469 participantes acima de 75 anos, associou o hábito de ler a um risco 35% menor de desenvolver demência durante o período analisado. Pesquisas adicionais também relacionaram a leitura semanal a uma menor probabilidade de declínio cognitivo, inclusive entre pessoas com menos anos de escolaridade.
Com isso, o conjunto de pesquisas reforça o valor da leitura como atividade de estímulo intelectual, lazer e conexão social. Além de ampliar o repertório e exercitar a imaginação, reservar alguns minutos para ler pode ser uma maneira simples de cuidar do bem-estar e manter a mente ativa ao longo da vida.