NR-1: mudanças sobre saúde mental na norma afetam funcionários e empresas; entenda

As empresas passam a ter novas obrigações relacionadas à saúde mental dos trabalhadores com a atualização da NR-1; entenda o que muda

Homem cansado no trabalho
A mudança na norma amplia a atenção para a saúde mental no mundo corporativo. (Foto: Unsplash)

Lilian Campos 2 minutos de leitura

As novas regras da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que tratam da saúde mental no ambiente de trabalho, mudam a forma como empresas devem identificar e prevenir riscos psicológicos entre funcionários. As regras estavam previstas para entrar em vigor no dia 26 de maio de 2026.

A atualização amplia as obrigações relacionadas à segurança e saúde no trabalho e passa a incluir oficialmente fatores psicossociais na gestão de riscos ocupacionais, segundo a Agência Brasil.

O QUE MUDA COM A NOVA NR-1

Com a mudança, empresas precisam considerar situações que possam afetar a saúde mental dos trabalhadores, como excesso de cobrança, jornadas exaustivas, assédio, pressão constante e sobrecarga emocional.

Esses fatores passam a integrar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), documento obrigatório para a identificação e prevenção de riscos no ambiente de trabalho. 

Segundo o Tribunal Superior do Trabalho (TST), a nova versão da NR-1 amplia a prevenção de riscos relacionados à saúde mental e reforça a responsabilidade das empresas em criar ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis. 

Para o TST, a nova NR-1 também reforça a necessidade de criar uma cultura preventiva dentro das empresas, com foco não apenas no tratamento de trabalhadores já adoecidos, mas principalmente na identificação antecipada de situações que possam gerar sofrimento psicológico. 

O TST destaca ainda que fatores como metas abusivas, hiperconectividade, falhas de comunicação e assédio passam a exigir um monitoramento mais rigoroso por parte das organizações.

Além disso, o tribunal afirma que o descumprimento das novas regras pode gerar autuações, multas administrativas e até responsabilização judicial.

EMPRESAS DEVERÃO MAPEAR RISCOS 

A norma exige que empregadores façam avaliações contínuas dos riscos psicossociais presentes no ambiente corporativo. Além disso, será necessário implementar medidas preventivas e acompanhar possíveis impactos na saúde dos trabalhadores.

A Fundacentro também lançou diretrizes para orientar a aplicação da norma. A instituição afirma que o processo deve considerar as condições reais de trabalho e a participação ativa dos trabalhadores na identificação dos problemas. 

Segundo a instituição, a proposta busca evitar abordagens que responsabilizem individualmente o funcionário pelo adoecimento mental.

O material também destaca a importância de criar espaços de escuta e participação dos empregados nas avaliações sobre saúde mental no ambiente corporativo. Além disso, as diretrizes defendem intervenções voltadas à transformação de processos de trabalho considerados adoecedores.

MUDANÇA IMPACTA EMPRESAS DE TODOS OS PORTES

As novas exigências valem para empresas de diferentes setores e tamanhos. O objetivo do governo é fortalecer as políticas de prevenção e reduzir afastamentos relacionados a transtornos mentais ligados ao trabalho.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais