O estudo sobre demência que me fez parar e olhar para mim
Aos 55 anos, me dei conta de que a idade média dos participantes era praticamente a mesma que a minha – e fui conferir os fatores de risco

Às vezes, começo a escrever um artigo e encontro uma história ou um estudo realmente interessante para pensar a respeito. Então, percebo um detalhe estranho que me faz parar no meio do caminho.
Foi o que aconteceu certa noite. Vi que pesquisadores da NYU Langone Health (um dos principais sistemas de saúde acadêmicos integrados dos Estados Unidos) analisaram dados de mais de 12 mil pessoas para descobrir quantas acabaram desenvolvendo demência mais tarde na vida. Depois, eles relacionaram esse resultado a algumas das condições dessas pessoas e suas escolhas na meia-idade.
Daqui a pouco chegaremos às três coisas que eles descobriram estar associadas a um número consideravelmente menor de anos sem demência. Por enquanto, deixe-me explicar o que me fez parar no meio do caminho.
É que, quando olho no espelho, a versão de mim mesmo que vejo é quase exatamente a mesma versão que eu via quando tinha cerca de 25 anos.
A única diferença é que minha mistura de cabelos ruivos e castanhos foi substituída por uma mistura de ruivo, castanho, loiro e grisalho. Justo, eu suponho, já que tenho literalmente pouco mais que o dobro da idade que tinha naquela época; meu ponto é que ainda me sinto jovem.
Mas então percebi qual era a idade média dos participantes quando os pesquisadores avaliaram esses fatores de risco na meia-idade. Leitor, era 56 anos. Eu tenho 55.
Espera: demência? Em pessoas jovens da minha idade?
Não quero fazer piada – exceto pelo fato de que, às vezes, a única maneira de lidar com um horror absoluto é encará-lo de frente e rir. Ainda assim, consigo fazer piada e falar sério ao mesmo tempo, então fui direto às três condições e escolhas que, segundo o pessoal da NYU Langone Health, faziam diferença.
São elas, nesta ordem: pressão alta, diabetes e fumar entre os 48 e os 68 anos. Felizmente, posso dizer não às três.
as pessoas precisam evitar fatores de risco na meia-idade como estratégia para preservar a saúde cerebral por mais de uma década.
Algumas ressalvas dos pesquisadores: eles não desenharam o estudo para provar que evitar esses fatores de risco proporcionou mais anos sem demência. Além disso, os fatores de risco foram medidos apenas uma vez.
Ainda assim, embora eu não possa dizer exatamente que “fazer X tornou Y menos provável”, esta parece uma boa oportunidade para me gabar modestamente de que, nos últimos três anos ou mais, tenho me concentrado na saúde e nos hábitos, a ponto de eliminar todo o peso que carreguei durante a pandemia de Covid e me tornar uma espécie de rato de academia.
Aos 55 anos, sinto que é quase uma medalha de honra ter passado tanto tempo na academia a ponto de desenvolver tendinite nos ombros. Quanto ao cigarro, tive sorte, porque nunca fui realmente fumante.
A última vez que fumei qualquer coisa foi quando era repórter no Iraque. Foi quando percebi que ser o cara com um maço de cigarros para compartilhar criava uma oportunidade atrás da outra para iniciar conversas com os soldados.

Enfim, vamos ao contexto apresentado por Josef Coresh, principal pesquisador do estudo e diretor fundador do Optimal Aging Institute, que também trouxe a parte que chamou minha atenção:
“Nossas descobertas indicam que as pessoas precisam evitar ativamente esses fatores na meia-idade como estratégia para preservar a saúde cerebral por mais de uma década. Descobrir novas maneiras de retardar a demência é crucial, já que 42% dos norte-americanos correm o risco de desenvolver a condição em algum momento após os 55 anos.”
Eles também descobriram que, de modo geral, as mulheres vivem mais anos sem demência do que os homens e que, estatisticamente falando, os participantes brancos do estudo tiveram mais anos sem demência do que os participantes negros.
Os pesquisadores publicaram o estudo on-line na Neurology Open Access em 5 de agosto.
“Esses resultados sugerem que a redução dos riscos vasculares pode beneficiar todos os grupos, mas que determinadas populações, como os adultos negros, podem se beneficiar especialmente de esforços de prevenção direcionados”, acrescentou Coresh.
“Esperamos que esses resultados incentivem as pessoas a parar de fumar e a acompanhar de perto sua saúde vascular a partir dos 48 anos.”
Não quero preocupar ninguém sem necessidade. Mas, se você está lendo isto e também é um orgulhoso integrante da geração X, talvez não seja tão ruim parar por um instante. Em todo caso, seu cabelo está ótimo com esses fios grisalhos.
Este artigo apareceu primeiro na Inc., publicação parceira da Fast Company. Leia o artigo original.