O presente que as mães realmente queriam no Dia das Mães

Para muitas mães, o maior presente seria passar um dia inteiro sem precisar tomar decisões

tempo é o melhor presente de Dia das Mães
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Krystal Duarte e Lisa Kaplowitz 3 minutos de leitura

Neste domingo (10 de maio) é Dia das Mães. Segundo uma nova pesquisa, o presente ideal para muitas delas não é perfume, flores nem almoço em família. É tempo para si mesmas.

O levantamento, conduzido pelo Centro para Mulheres nos Negócios da Universidade Rutgers, nos EUA, ouviu 288 mães e 292 pais sobre qual seria o presente perfeito para suas respectivas datas comemorativas. As opções eram: tempo sozinho, uma atividade em família ou um presente físico.

No geral, a maioria dos pais e mães afirmou preferir passar o dia com a família: 69% escolheram atividades compartilhadas como presente ideal.

A diferença entre homens e mulheres aparece de forma ainda mais clara quando há crianças pequenas em casa.

Entre pessoas com filhos de cinco a 12 anos, 42% das mães preferem tempo para si mesmas, mais que o dobro (18%) dos pais. Já os homens têm 1,5 vez mais probabilidade de escolher programas em família como presente ideal. Presentes físicos ficaram em último lugar para os dois grupos.

Na pesquisa, as mães relataram ter consideravelmente menos tempo livre do que os pais – menos tempo para descansar, relaxar e recarregar as energias. E, como seria de esperar, quanto menos tempo livre elas têm, maior o desejo de ganhar justamente isso no Dia das Mães.

Entre mães e pais com filhos pequenos, de 0 a 4 anos, a diferença é ainda mais gritante. Esses pais relatam ter 1,5 vez menos tempo livre do que aqueles com filhos adultos, evidenciando o peso dos primeiros anos da criação, especialmente sobre as mães.

Mulher com filha no colo em frente a notebook
Crédito: Pixabay

O trabalho também influencia diretamente essa percepção. Mães que trabalham em período integral disseram ter o menor volume de tempo livre e foram as mais propensas a afirmar que o melhor presente seria ter um tempo só para elas, principalmente aquelas com filhos menores de 13 anos.

Curiosamente, mães que ficam em casa em tempo integral relataram ter menos tempo livre do que mães que trabalham meio período. Em outras palavras, deixar o mercado de trabalho não significa automaticamente ganhar mais tempo pessoal.

O fator mais importante, segundo o estudo, é a divisão das tarefas domésticas e do cuidado com os filhos. Mães que consideram essa divisão injusta relatam muito menos tempo livre, independentemente da situação profissional.

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É o fenômeno da “mãe padrão”: aquela pessoa responsável por lembrar consultas, acompanhar horários, antecipar problemas e garantir que a rotina da família continue funcionando.

Esse trabalho invisível não termina quando acaba a lista de tarefas. Ele invade o trabalho formal, o lazer e até o sono. Mesmo quando conseguem algum tempo “livre”, muitas mães relatam interrupções constantes, multitarefa e momentos compartilhados com os filhos, o que faz com que esse tempo raramente pareça realmente delas.

Como resumiu uma das participantes da pesquisa: “queria ter um tempo em que eu não precisasse tomar decisões. Isso não teria preço.” Apesar disso, poucas mães acreditam que realmente receberão esse presente.

quanto menos tempo livre elas têm, maior o desejo de ganhar justamente isso no Dia das Mães.

Entre mulheres com filhos menores de quatro anos, apenas uma em cada dez espera ganhar tempo livre no Dia das Mães, embora quase o triplo diga desejar exatamente isso. Entre mães de crianças em idade escolar, 17% acreditam que terão algum tempo para si, mas mais do que o dobro gostaria que isso acontecesse.

Em outras palavras, muitas mães não apenas precisam de uma pausa. Elas já nem consideram essa possibilidade realista. Os resultados reforçam uma conclusão clara: mães querem – e precisam – de mais tempo para si mesmas.

As expectativas sociais ainda colocam sobre elas a responsabilidade de manter tudo funcionando dentro de casa, mesmo quando são as principais provedoras financeiras da família.

Por isso, cada vez mais mulheres falam sobre a necessidade de “férias de mãe”: não apenas uma viagem ou um descanso, mas uma pausa verdadeira da carga mental permanente que organiza o cotidiano.

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Porque, quando as demandas nunca param, o tempo se torna o presente mais valioso de todos – e também o mais difícil de ganhar.


SOBRE A AUTORA

Krystal Duarte é psicóloga social cuja pesquisa examina gênero, competição, colaboração e dinâmicas no local de trabalho. Lisa Kaplowi... saiba mais