Por que a geração Z está carregando “bolsas analógicas” por toda parte

Depois dos celulares “burros”, jovens estão carregando bolsas cheias de atividades para passar menos tempo rolando o feed

Por que a geração Z está carregando “bolsas analógicas” por toda parte
Créditos: Unsplash/ Getty Images

Sarah Bregel 3 minutos de leitura
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A Gen Z recebe muitas críticas por estar permanentemente conectada à internet. Mas uma nova tendência mostra que os nativos digitais estão cansados de uma vida consumindo conteúdo nas redes sociais: eles estão carregando bolsas e sacolas livres de tecnologia, conhecidas como “bolsas analógicas”.

Enquanto a Gen Z já vinha aderindo aos celulares “burros”, as bolsas analógicas parecem ser a mais recente solução da geração para o excesso de telas. A tendência leva o movimento dos celulares “burros” um passo adiante, com bolsas inteiras recheadas de atividades que não envolvem telas, como livros, trabalhos manuais, palavras cruzadas e muito mais. É claro que a tendência pode ser vista por aí, mas é na internet que ela está ganhando força, com influenciadores mostrando seus itens livres de telas em vídeos e posts em formato de carrossel.

Siece Campbell, uma influenciadora que publica com frequência conteúdos para incentivar as pessoas a passar mais tempo longe das telas, afirma ter dado início à tendência quando publicou no TikTok, no ano passado, um vídeo sobre seu estilo de vida analógico. O vídeo, de 2025, no qual ela mostra alguns dos itens que usa para ficar longe do celular, já ultrapassou 303 mil visualizações e tem quase 30 mil curtidas.

Agora, Campbell publica mensalmente atualizações sobre sua bolsa analógica, mostrando aos seguidores os últimos itens sem tela que está carregando. Em um vídeo de julho, ela explica o propósito da tendência: “Para substituir um hábito, você precisa substituí-lo por outra coisa”. Ultimamente, para Campbell, isso significa deixar o celular de lado e levar uma Polaroid Mini, um livro de palavras cruzadas e até glitter biodegradável para tornar os eventos mais divertidos.

Autumn Acord, uma influenciadora de redes sociais com 150 mil seguidores, também está aderindo à tendência. Em um vídeo com mais de 6.200 curtidas, ela explicou sua visão. “É basicamente uma bolsa cheia de trabalhos manuais, hobbies e coisas que você pode fazer simplesmente para não ficar rolando o celular”, diz Acord. Em seguida, a influenciadora mostra o conteúdo de sua bolsa ao público, talvez inspirando outras pessoas a deixar o celular de lado também. A bolsa de Acord tinha itens como um kit de aquarela, materiais para bordado e uma grande variedade de jogos de viagem.

Embora a tendência não seja exatamente nova, já que as pessoas praticavam atividades analógicas muito antes de as telas existirem, para a Gen Z — uma geração que nasceu em um mundo dominado por telas — ela provavelmente parece nova. Isso pode ser especialmente verdadeiro porque a Gen Z costuma passar boa parte do dia diante de telas. Em média, a Gen Z passa cerca de nove horas por dia usando dispositivos com telas, segundo um relatório recente da Demand Sage.

Ainda assim, outras gerações não ficam muito atrás: nos Estados Unidos, o tempo médio diário de uso de telas é de pouco mais de sete horas. E, embora especialistas alertem há muito tempo para os impactos do uso excessivo de telas sobre a saúde mental, novas preocupações, como danos aos olhos e o chamado “pescoço tecnológico”, entre outros problemas de saúde, parecem surgir constantemente.

Por isso, mesmo que você não tenha nenhuma intenção de abandonar completamente a tecnologia, a mais recente tendência da Gen Z de apostar em algumas atividades sem tela pode ser algo de que todos nós poderíamos nos beneficiar — pelo menos de vez em quando.


SOBRE A AUTORA

Sarah Bregel é uma escritora, editora e mãe solteira que mora em Baltimore, Maryland. Ela contribuiu para a nymag, The Washington Post... saiba mais