Quantas realidades existem na nossa mente? O que a ciência descobriu sobre o cérebro

Descoberta ajuda a entender como o cérebro organiza os estímulos e constrói a experiência consciente

Cérebro
Créditos: Unsplash

Lilian Campos 2 minutos de leitura
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A realidade que percebemos pode não representar tudo o que o cérebro está processando naquele instante. 

Uma pesquisa recente identificou sinais de que a atividade cerebral alterna rapidamente entre informações que chegam à consciência e outras que continuam sendo recebidas pelos sentidos, mas ficam temporariamente fora da percepção consciente.

O fenômeno pode ocorrer cerca de 15 vezes por segundo, segundo um estudo preliminar de neurocientistas da Universidade da Califórnia em Berkeley. 

A descoberta ajuda a investigar como o cérebro seleciona o que percebemos em meio à enorme quantidade de estímulos que recebemos continuamente. O trabalho foi abordado pela Futurism.

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COMO O CÉREBRO SELECIONA O QUE CHEGA À CONSCIÊNCIA

A todo momento, os sentidos captam mais informações do que conseguimos perceber conscientemente. O cérebro precisa, portanto, selecionar quais estímulos recebem atenção e quais permanecem em segundo plano.

Um exemplo cotidiano é o próprio nariz: ele está sempre no campo de visão, mas normalmente deixamos de percebê-lo. Esse mecanismo evita que o excesso de informações interfira na realização de tarefas e na interação com o ambiente.

Para investigar esse processo, os pesquisadores diferenciaram períodos de atividade associados à percepção consciente de pequenos intervalos que suprimiam determinados estímulos. A hipótese é que o cérebro alterna rapidamente entre esses conteúdos, mesmo quando a percepção parece contínua.

EXPERIMENTO IDENTIFICOU ALTERNÂNCIA DE ATIVIDADE CEREBRAL

A equipe utilizou óculos com lentes vermelha e azul para apresentar imagens diferentes a cada olho. Primeiro, os participantes viam um rosto; depois, os pesquisadores introduziam outro no campo visual do segundo olho, enquanto o primeiro mantinha a imagem original.

Esse procedimento, conhecido como supressão por flash binocular, permite observar como o cérebro prioriza uma imagem e reduz a percepção consciente da outra. Os pesquisadores realizaram testes com seres humanos e macacos, além de registrar a atividade de neurônios em regiões cerebrais dos animais.

Os registros identificaram padrões que alternavam entre a imagem percebida e aquela temporariamente suprimida, em uma frequência próxima de 15 vezes por segundo. Assim, mesmo quando um rosto dominava a percepção, o cérebro continuava processando informações relacionadas ao outro.

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DESCOBERTA AINDA NÃO EXPLICA COMO SURGE A CONSCIÊNCIA

Os resultados não significam que uma pessoa esteja vivendo várias realidades independentes. Eles sugerem que a experiência consciente é resultado de uma seleção dinâmica de informações, enquanto outros estímulos continuam sendo processados sem necessariamente chegar à percepção.

A pesquisa também tem limitações. Os cientistas registraram a atividade neural detalhada em apenas dois macacos e analisaram regiões específicas ligadas ao processamento visual, não o cérebro inteiro.

Portanto, os resultados representam uma hipótese em investigação, e não uma explicação definitiva sobre a consciência humana. Ainda assim, podem ajudar a entender como o cérebro organiza os estímulos e constrói a percepção contínua que temos do mundo.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais