5 formas de usar a química cerebral para criar equipes mais felizes e produtivas

Pequenas vitórias, gratidão, conexão e diversão ajudam líderes a fortalecer a motivação, os vínculos e a cultura das equipes.

Duas profissionais trocam um cumprimento enquanto uma mão pressiona botões, representando estímulos positivos e conexão nas equipes.
Pequenas vitórias, reconhecimento, conexão e diversão podem ajudar a fortalecer a motivação e os vínculos das equipes.

Scott Curran 6 minutos de leitura
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Equipes mais felizes tendem a ser mais produtivas. Um estudo de 2019 liderado pela Universidade de Oxford, por exemplo, constatou que funcionários felizes eram 13% mais produtivos.

A relação entre felicidade e produtividade levou as equipes de RH a ampliar os pacotes de benefícios, oferecer opções de trabalho flexível e criar recursos voltados ao bem-estar. Mas os líderes têm outra ferramenta imediata à disposição todos os dias: as experiências que criam para as pessoas ao redor e o efeito delas sobre seu bem-estar físico.

Uma estrutura útil que apresento em meu novo livro, Better Good, envolve a química cerebral. Mais especificamente, quatro substâncias comumente associadas à sensação de bem-estar: dopamina, serotonina, ocitocina e endorfina.

A ciência por trás delas é complexa, e seus efeitos se sobrepõem. No trabalho, porém, elas ajudam a pensar em quatro experiências sobre as quais os líderes podem influir: progresso, reconhecimento, conexão e, sim, diversão.

Os benefícios incluem produtividade, criação de vínculos, respeito e camaradagem, fatores que podem melhorar a cultura do trabalho e os resultados financeiros. Atos de reconhecimento e conexão, avanços e risadas compartilhadas podem acionar sistemas neuroquímicos sobrepostos, que reforçam a motivação e a conexão social.

Essas experiências também podem se espalhar. O entusiasmo de uma pessoa pode se transformar na energia de toda a equipe. Afinal, entusiasmo é contagiante.

O entusiasmo de uma pessoa pode se transformar na energia de toda a equipe.

A seguir, cinco formas de líderes colocarem a química cerebral e seus efeitos positivos para trabalhar.

1. CRIE PEQUENAS VITÓRIAS (DOPAMINA)

A dopamina tem papel importante na recompensa, no aprendizado e na motivação. Por isso, os líderes devem criar momentos de progresso mais frequentes, dando ênfase a pequenos marcos e celebrando-os publicamente.

Destaque uma #VitóriaDaSemana no Slack. Aplauda uma conquista concreta em cada reunião geral da empresa. Encerre a reunião de sexta-feira mencionando algo que a equipe fez avançar naquela semana.

Pode ser o cumprimento de um prazo, a marcação de uma conversa com um cliente em potencial ou a solução de um problema recorrente que atrapalhava o trabalho de todos. O progresso feito ao longo do caminho continua sendo progresso. E merece ser comemorado.

2. TRANSFORME A GRATIDÃO EM ROTINA (SEROTONINA)

A serotonina participa da regulação do humor e do comportamento social. Em termos de liderança, gratidão e reconhecimento criam um retorno social positivo que pode ser incorporado ao ritmo da equipe.

Pense em como um “obrigado” verdadeiramente sincero de um líder ou colega que você admira pode mudar o clima e a textura do seu dia. Você conhece essa sensação — e diferentes sistemas químicos do cérebro participam dela.

Reserve 90 segundos de cada reunião para “elogios e agradecimentos” e alterne a pessoa responsável por conduzir esse momento, para que o reconhecimento circule entre colegas e diferentes níveis hierárquicos.

Crie um canal no Slack em que as pessoas possam agradecer a um colega e dizer exatamente o que ele fez para ajudar. Ou peça aos gestores que incluam um agradecimento específico nas conversas individuais regulares.

Momentos recorrentes de gratidão podem elevar o moral e, ao mesmo tempo, destacar os comportamentos e as contribuições que ajudam a organização a funcionar bem.

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3. CRIE RITUAIS DE CONEXÃO (OCITOCINA)

A ocitocina desempenha um papel importante na criação de vínculos e na conexão social. Pesquisas sobre relações profissionais já mostraram a importância desses laços em áreas que vão da mentoria à resolução de problemas e ao apoio emocional.

Uma maneira simples de estimular esses vínculos é começar as reuniões com perguntas que despertem o interesse dos integrantes da equipe pela vida uns dos outros. Alguém fez algo divertido no fim de semana? Tem grandes planos para o feriado? Ou, voltando à dopamina, alguém quer compartilhar uma vitória, seja profissional, pessoal ou de qualquer outro tipo?

Mantenha esse momento breve e constante: consistência vale mais do que duração.

Os líderes também podem promover conexão por meio de rituais simples, como almoços de equipe, conversas individuais e atividades voluntárias, seja uma corrida beneficente de cinco quilômetros ou a limpeza de um parque local.

Dedicar o tempo profissional da equipe a uma atividade comunitária pode ou não ser a melhor escolha diante daquilo que essas pessoas, como profissionais, são especialmente capazes de fazer. Mas, sob a perspectiva da formação de equipes, essas iniciativas combinam conexão e propósito.

Também proporcionam uma experiência compartilhada que as pessoas podem levar de volta à rotina de trabalho e recordar ao longo do tempo, criando um vínculo duradouro.

4. INJETE DIVERSÃO NA ROTINA (ENDORFINAS)

Pense nos seus momentos mais felizes no trabalho: aqueles que abriram o maior sorriso no seu rosto, provocaram as risadas mais intensas ou deixaram as lembranças mais afetuosas. É bem provável que a diversão tenha tido algum papel nisso.

Os líderes podem abrir espaço para ela de forma deliberada. O riso e o movimento podem ativar o sistema de endorfinas do corpo e favorecer a sensação de bem-estar e os vínculos sociais.

Faça uma reunião individual durante uma caminhada, como Steve Jobs costumava fazer. Inclua uma pausa de cinco minutos para movimentar o corpo durante um encontro externo mais longo. Sim, pode ser um pouco constrangedor no início, mas você não se sente melhor depois?

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Crie uma tradição descontraída para aniversários, marcos importantes ou o encerramento de um grande projeto. Dê às pessoas um motivo para rir juntas durante uma reunião geral.

Em tempos turbulentos, a diversão continua sendo um recurso poderoso contra os males da cultura do trabalho. A melhor versão é aquela que combina com a cultura e permite que as pessoas participem de forma natural.

Nem sempre ela funciona para todo mundo, o tempo todo. Mas a diversão e o entusiasmo resultantes podem ser contagiosos.

5. DÊ O EXEMPLO E COMPARTILHE HISTÓRIAS DE IMPACTO

Líderes — todos eles, não apenas “o chefe” — que demonstram empatia, celebram o progresso e expressam emoções humanas como alegria e entusiasmo criam a energia contagiante que todos desejamos por natureza.

As pessoas se orientam pelo que os líderes percebem, recompensam, celebram e compartilham repetidamente. É assim que as normas culturais ganham força, se consolidam ao longo do tempo e criam novas bases para a conexão e o crescimento.

A cultura do trabalho é construída em momentos: uma vitória percebida, um agradecimento expresso, uma risada compartilhada, uma história que lembra às pessoas por que aquele trabalho importa — e o simples ato de se divertir.

A cultura do trabalho é construída em momentos: uma vitória percebida, um agradecimento expresso e uma risada compartilhada.

Ao criar mais momentos como esses, você coloca a química cerebral a serviço de um propósito maior. Nesse processo, dá às pessoas mais motivos para se sentirem bem, se conectarem e levarem essa energia de volta ao trabalho. Justamente quando ela é mais necessária.


SOBRE O AUTOR

Scott Curran é advogado corporativo e especialista em direito voltado ao impacto social, além de atuar como consultor estratégico para... saiba mais