Sono perdido durante a semana não é recuperado no fim de semana, diz estudo
Entre os impactos observados estavam maior consumo de calorias no período da noite, redução do gasto energético e aumento de peso corporal

Dormir até mais tarde aos sábados e domingos costuma ser a saída encontrada por quem passa a semana dormindo pouco. No entanto, pesquisas recentes mostram que essa tentativa de recuperar horas perdidas não anula os impactos causados pela privação de sono.
O alerta ganhou força após estudo publicado pela Current Biology, e divulgado pela Harvard Health Publishing, que relacionou o hábito ao ganho de peso e alterações metabólicas.
A rotina corrida, jornadas longas de trabalho e compromissos diários fazem muitas pessoas reduzirem o tempo de descanso entre segunda e sexta-feira. Com isso, o fim de semana vira o momento de compensação.
Segundo os pesquisadores, porém, essa estratégia não resolve o problema. Participantes que dormiram menos durante a semana e tentaram recuperar o sono nos dias de folga continuaram apresentando efeitos semelhantes aos de pessoas que seguiram privadas de descanso.
Entre os impactos observados estavam maior consumo de calorias no período da noite, redução do gasto energético e aumento de peso corporal.
RELAÇÃO ENTRE SONO E ACÚMULO DE GORDURA
Especialistas destacam que o sono influencia diretamente hormônios ligados à fome, saciedade e metabolismo. Quando o descanso é insuficiente, o organismo tende a buscar mais energia por meio da alimentação.
Isso pode explicar por que pessoas que dormem pouco costumam sentir mais fome, especialmente por alimentos calóricos e ricos em açúcar ou gordura.
Além disso, noites mal dormidas podem reduzir a disposição para atividades físicas no dia seguinte, criando um ciclo que favorece o acúmulo de gordura abdominal.
MUDANÇA DE HORÁRIO TAMBÉM PREJUDICA A SAÚDE
Outro ponto levantado pelos estudiosos é a alteração brusca nos horários de dormir e acordar aos fins de semana. Ir para a cama muito mais tarde e levantar perto do meio-dia pode desregular o relógio biológico.
Esse fenômeno é conhecido como jet lag social, quando o corpo sofre efeitos parecidos aos de uma viagem com mudança de fuso horário.
A consequência pode ser cansaço ao voltar à rotina na segunda-feira, dificuldade de concentração e mais desgaste ao longo da semana.
RISCO PARA A SAÚDE VAI ALÉM DO PESO
Dormir pouco com frequência já foi associado em diversos estudos ao aumento do risco de hipertensão, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e obesidade.
Por isso, médicos reforçam que o sono deve ser tratado como parte da prevenção em saúde, assim como alimentação equilibrada e prática regular de exercícios.
O QUE FAZER PARA DORMIR MELHOR?
A principal recomendação é manter horários próximos para dormir e acordar durante toda a semana, inclusive nos dias de folga.
Medidas simples também podem ajudar, por exemplo, evitar telas antes de dormir, reduzir cafeína à noite e criar um ambiente silencioso e escuro no quarto.
Cochilos curtos ao longo do dia podem aliviar o cansaço, desde que não atrapalhem o sono noturno.
Os resultados reforçam que não há atalho para compensar noites mal dormidas. Mais do que tentar recuperar horas perdidas no fim de semana, o caminho mais eficaz é preservar uma rotina regular de descanso todos os dias.
O estudo revela ainda que dormir bem não serve apenas para afastar o sono durante o dia. Uma boa noite de sono também pode proteger o metabolismo, ajudar no controle do peso e melhorar a saúde de forma ampla.