CEOs apostam em adaptação contínua para preparar empresas para o futuro

Essa aparente contradição reflete uma mudança de mentalidade, em vez de depender de um ambiente externo favorável

CEO tecnológico
A experimentação ampla dá lugar a uma aplicação mais seletiva e estratégica, alinhada aos objetivos do negócio. Foto: Freepik

Joyce Canelle 4 minutos de leitura

Em janeiro de 2026, diante de um cenário global marcado por incertezas geopolíticas, custos elevados e avanços acelerados da inteligência artificial, CEOs ao redor do mundo reforçam estratégias de transformação.

A adaptação deixou de ser um plano emergencial e passou a ocupar o centro da estratégia corporativa, é dessa forma que CEOs vêm reimaginando suas empresas para enfrentar um ambiente econômico volátil, no qual decisões precisam ser tomadas com rapidez, mesmo diante de informações incompletas.

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INCERTEZA GLOBAL

O início de 2026 encontra os executivos menos confiantes no desempenho da economia global do que no ano anterior. Tensões geopolíticas persistentes, realinhamentos nas cadeias de suprimentos e um crescimento econômico mais lento elevam o grau de cautela.

Segundo o EY Parthenon, maioria dos CEOs mantém uma visão positiva sobre o desempenho de suas próprias organizações. Essa aparente contradição reflete uma mudança de mentalidade, em vez de depender de um ambiente externo favorável, os líderes apostam em ações internas para sustentar resultados.

A crença predominante é que produtividade, eficiência operacional e foco estratégico podem compensar um cenário macroeconômico mais adverso.

ESCOLHAS MAIS PRECISAS

O aumento estrutural dos custos operacionais é uma das principais preocupações dos executivos, energia, mão de obra, tecnologia, financiamento e exigências regulatórias seguem pressionando as margens.

Ao mesmo tempo, cresce a dificuldade de repassar esses custos aos clientes, cada vez mais sensíveis a preços.

Diante disso, os CEOs vêm adotando uma disciplina financeira mais rigorosa, e a lógica não é apenas cortar gastos, mas investir melhor.

Projetos com retorno claro em produtividade e eficiência ganham prioridade, enquanto iniciativas menos estratégicas perdem espaço. O foco passa a ser fazer mais com menos, sem comprometer a capacidade de inovação.

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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Um dos movimentos mais visíveis dessa nova fase é a consolidação da inteligência artificial como ferramenta central de transformação. Depois de anos de testes e projetos-piloto, a IA começa a ser integrada em escala às operações corporativas.

Os líderes enxergam a tecnologia como uma alavanca decisiva para aumentar a produtividade, melhorar a tomada de decisão e gerar diferenciação competitiva.

O desafio, agora, é direcionar o uso da IA para áreas onde ela realmente gera valor, seja no redesenho de processos, na análise de dados, na experiência do cliente ou no apoio às equipes.

A experimentação ampla dá lugar a uma aplicação mais seletiva e estratégica, alinhada aos objetivos do negócio.

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TALENTO NO CENTRO DA ESTRATÉGIA

Mesmo em um ambiente de pressão por custos, pessoas continuam sendo tratadas como ativo estratégico. Os CEOs demonstram confiança na capacidade de atrair, desenvolver e reter talentos essenciais, especialmente aqueles com habilidades digitais e analíticas.

Modelos de trabalho mais flexíveis, propostas de valor mais claras para colaboradores e investimentos em capacitação ajudam a sustentar essa confiança.

A transformação, na visão dos líderes, depende tanto de tecnologia quanto de equipes preparadas para utilizá-la e adaptá-la rapidamente às mudanças do mercado.

FUSÕES E AQUISIÇÕES

Além do crescimento orgânico, muitos CEOs recorrem a fusões e aquisições como forma de acelerar a transformação. A compra de empresas permite acesso mais rápido a novas tecnologias, talentos especializados e mercados estratégicos.

Mesmo com o aumento do escrutínio regulatório e das tensões geopolíticas, as transações seguem como ferramenta relevante para redesenhar portfólios, abandonar áreas menos rentáveis e fortalecer negócios com maior potencial de crescimento no longo prazo.

TRANSFORMAÇÃO

A maioria das empresas já está no meio de grandes iniciativas de transformação ou planeja iniciar processos desse tipo ao longo de 2026. O foco vai além da redução de custos. Inclui a melhoria da produtividade, o fortalecimento do relacionamento com clientes, a inovação em produtos e processos e a reinvenção de modelos de negócio.

Essa agenda exige uma mudança cultural profunda. Em vez de esperar por estabilidade, os CEOs passam a operar com a ideia de reinvenção permanente. Experimentar, ajustar rotas, realocar capital e talento e aprender rapidamente tornam-se práticas recorrentes.

ADAPTAÇÃO

O consenso entre os líderes é que o próximo ano não será simples. No entanto, há uma percepção crescente de que o caminho está mais claro. Empresas com portfólios mais enxutos, estruturas flexíveis e uso inteligente de tecnologia estarão melhor posicionadas quando as condições melhorarem.

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Ao apostar na adaptação contínua, os CEOs não apenas reagem à incerteza, mas tentam transformá-la em vantagem competitiva.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais