Cochilo à tarde faz bem? Veja os efeitos para o cérebro
A pesquisa mostra que até mesmo um curto período de sono é capaz de reorganizar as conexões do cérebro

Um cochilo de menos de uma hora, feito no meio da tarde, pode ter impacto direto na capacidade de aprendizado e na clareza mental.
A conclusão é de um estudo divulgado em 22 de janeiro de 2026 na revista NeuroImage, conduzido por pesquisadores do Hospital Universitário de Freiburg, na Alemanha, em parceria com os Hospitais Universitários de Genebra e a Universidade de Genebra, na Suíça.
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A pesquisa mostra que até mesmo um curto período de sono é capaz de reorganizar as conexões do cérebro, preparando-o novamente para aprender.
A descoberta amplia o que já se sabia sobre os benefícios do sono noturno. Até então, os efeitos restauradores sobre a aprendizagem eram associados principalmente a uma noite completa de descanso.
O novo trabalho indica que o cérebro também se beneficia de pausas mais curtas ao longo do dia, especialmente em contextos de sobrecarga mental.
O QUE MUDA NO CÉREBRO DURANTE UM COCHILO?
Ao longo do dia, o cérebro processa uma grande quantidade de estímulos, pensamentos e informações.
Esse acúmulo fortalece as conexões entre as células nervosas, chamadas sinapses, fundamentais para a aprendizagem. Com o tempo, porém, esse fortalecimento contínuo leva à saturação, reduzindo a capacidade de absorver novos conteúdos.
O sono funciona como um mecanismo de regulação dessa atividade. Segundo os pesquisadores, durante a soneca ocorre uma espécie de “reinicialização sináptica”.
As conexões excessivamente ativadas são ajustadas, sem que as informações importantes sejam perdidas. O resultado é um cérebro mais flexível e preparado para formar novas memórias.
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Os dados indicam que esse processo pode acontecer mesmo em cochilos curtos, o que ajuda a explicar por que muitas pessoas relatam maior clareza mental e melhor desempenho após uma sesta.
IMPACTO NO TRABALHO E NO DIA A DIA
Os resultados ajudam a explicar por que o desempenho costuma melhorar após um cochilo à tarde. Em atividades que exigem atenção contínua, tomada de decisão ou precisão, como música, esportes e profissões ligadas à segurança, a pausa para dormir pode funcionar como uma estratégia de manutenção do rendimento.
O achado ganha relevância em um contexto de crescente desgaste mental. Pressão por resultados, excesso de informações e dificuldade para fazer pausas têm impacto direto na concentração, no humor e na qualidade do sono.
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No ambiente profissional, esse cenário se agrava, com altos índices de estresse, ansiedade e esgotamento emocional. Especialistas destacam que problemas pontuais de sono não comprometem automaticamente o desempenho.
Em casos de insônia crônica, o mais indicado é o tratamento comportamental, e não o uso indiscriminado de medicamentos, que pode interferir nos processos naturais de recuperação do cérebro.
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6 práticas simples para acalmar a mente e reduzir o estresse diário
Além do cochilo, pequenas mudanças na rotina ajudam a aliviar a sobrecarga mental e a recuperar o equilíbrio emocional, segundo a reportagem publicado na Fast Company Brasil.
1. OUVIR MÚSICAS RELAXANTES
Sons suaves reduzem a agitação mental e criam um ambiente mais tranquilo. Podem ser usados em pausas curtas ou antes de dormir.
2. MEDITAÇÃO
A prática ajuda a direcionar a atenção para o momento presente e a diminuir pensamentos acelerados. Mesmo alguns minutos por dia já trazem benefícios.
3. EXERCÍCIO FÍSICO
Atividades como caminhadas, alongamentos ou pedaladas estimulam a liberação de substâncias ligadas ao bem-estar e funcionam como uma pausa mental.
4. EXERCÍCIOS DE RESPIRAÇÃO
Respirar de forma lenta e profunda desacelera o corpo e acalma o sistema nervoso, reduzindo a tensão emocional.
5. RELAXAMENTO MUSCULAR PROGRESSIVO
A técnica alterna contração e relaxamento dos músculos, ajudando a aliviar tensões físicas associadas ao estresse.
6. YOGA
A combinação de movimento, respiração e concentração favorece a consciência corporal e contribui para diminuir a ansiedade.
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Uma pausa curta para um cochilo ao longo do dia, longe de ser sinal de preguiça, se mostra uma estratégia simples e eficaz para aliviar a sobrecarga mental.