Como criar um ambiente convidativo para a desconectada geração Z

Muitos profissionais mais jovens sequer chegaram a conhecer um local de trabalho "normal"

Crédito: Slidebean/ Unsplash

Lauren Bello 4 minutos de leitura

Os profissionais recém-formados estão enfrentando uma barra pesada.  Em 2019, a geração Z – dos nascidos entre 1997 e meados da década de 2010 – ultrapassou oficialmente o número de profissionais da geração millennial.

Embora muitos ainda vejam esses jovens apenas como “influenciadores adolescentes que fazem dancinhas no TikTok”, eles já estão iniciando a vida adulta, terminando a faculdade e adentrando um mercado de trabalho pós-pandemia que, como se sabe, está sufocando o crescimento profissional, impactando os processos de integração nas empresas, a produtividade e a capacidade de reter talentos.

Consequentemente, muitos jovens da geração Z se sentem perdidos em relação à vida profissional, já que a cultura do trabalho remoto teve grande impacto em todos nós, especialmente naqueles que não tiveram o benefício de uma experiência anterior do antigo “normal”. Ou seja, eles não têm memória de como os locais de trabalho funcionavam antes.

GERAÇÃO Z E TECNOLOGIA

A geração Z cresceu com a tecnologia na ponta dos dedos e traz para o mercado de trabalho uma riqueza de criatividade,

Muitos jovens não têm memória de como os locais de trabalho funcionavam antes da pandemia.

habilidades tecnológicas e espírito empreendedor. Quando a pandemia eclodiu, muitos voltaram para casa e passaram a ter aulas da faculdade no modelo online, ou foram recrutados para trabalhos remotos logo após a formatura. Mas, agora, essa cultura de trabalho majoritariamente remota está sufocando o crescimento profissional, que normalmente ocorre por meio de interações pessoais.

Quando você saía da faculdade e entrava no mercado, sentia o entusiasmo de ingressar em uma equipe e fazer parte de algo, de descobrir a dinâmica de “se encontrar” profissionalmente. Sem mencionar o fascínio de conviver com funcionários seniores e líderes, que proporcionam tantos momentos em que os novatos conseguem “aprender por osmose”.

Agora, porém, eles se sentem sozinhos, à deriva, atrás das câmeras em sucessivas chamadas no Zoom. Isso dificulta a identificação proativa de problemas, dos erros e da própria insatisfação.

Também aumenta a probabilidade de problemas e frustrações se instalarem silenciosamente e tira a capacidade de as pessoas capitalizarem em cima de “momentos de aprendizado”. Esses resultados podem levar ainda mais gente a desistir do emprego em um momento no qual a guerra por talentos é um ponto focal no mercado de trabalho.

Embora a cultura remota tenha vindo para ficar, há muitas coisas que as empresas podem fazer para alimentar o desenvolvimento profissional da geração Z:

PRIORIZE AS INTERAÇÕES PESSOAIS

No passado, os membros de uma equipe aprendiam bastante por meio das interações pessoais. Por estarem expostos à colaboração, eles aprendiam habilidades profissionais, identificavam oportunidades de crescimento e descobriam o que não sabiam observando os sucessos ou falhas dos outros.

A cultura do trabalho remoto está sufocando o crescimento profissional, que costuma ocorrer por interações pessoais.

No “pós-pandemia”, estamos ganhando exposição através das telas. Nesses espaços, é menos provável que alguém ouse fazer “perguntas estúpidas”, ou que perceba quando um colega não entendeu muito bem certas ideias ou diretrizes. Além disso, é muito mais difícil vivenciar online os momentos de “brainstorm colaborativo”.

Os jovens profissionais têm desfrutado da flexibilidade do trabalho remoto, mas também afirmam que gostariam de ter a opção de trabalhar presencialmente. Essa escolha precisa ser feita qualitativamente pelos líderes.

Quais são os principais momentos, reuniões ou pontos em um projeto que serão mais produtivos pessoalmente? Ensinar os gerentes sobre como e quando reunir suas equipes no modelo presencial pode ajudar a colocar as coisas de volta nos trilhos se um projeto estiver dando errado.

Dinâmicas presenciais são difíceis (e às vezes impossíveis) de replicar virtualmente. Com algumas reuniões presenciais esporádicas, a geração Z estará exposta a muitos tipos de comportamento, postura e habilidades que pode aprender e imitar, como fazíamos antes da pandemia.

LEMBRE DO QUE FUNCIONOU NO PASSADO

As empresas precisam avaliar esse macro efeito colateral do mundo pós-pandemia e identificar cuidadosamente como mentoria, construção de cultura e desenvolvimento profissional aconteciam no passado, para aprender com isso. Em seguida, é preciso identificar maneiras ponderadas e objetivas de fornecer suporte ao desenvolvimento profissional, para manter os jovens funcionários engajados e se sentindo apoiados.

Jovens profissionais afirmam que gostariam de ter a opção de trabalhar presencialmente.

Sou presidente da agência digital Ready Set Rocket, cujo foco são programas de orientação de habilidades cruzadas. Nesses programas, os gerentes devem comparecer às reuniões de liderança com uma lista de interesses, pontos de motivação e áreas de crescimento para cada um de seus subordinados, além de uma recomendação de como eles poderiam se conectar para aprender sobre essas áreas. É um bom exemplo de como encontros ao vivo nos ajudam a incentivar interações de forma mais natural e orientada.

IDENTIFICAR MOMENTOS PROPÍCIOS

Como gerente, mapeie o que a geração Z não sabe e o que ela precisa aprender no estágio inicial de desenvolvimento profissional. Isso inclui suas capacidades como gerente e o que lhe deu a chance de obter sua função atual.

Identifique momentos-chave para ajudá-los a entender seus processos de pensamento, ensinando-os a resolver problemas quando houver, a encontrar possíveis soluções quando necessário e a baixar a bola quando estiverem errados. 

Lembre-se: a gestão de pessoas difere da gestão de processos e entregas. Você está aqui para promover a próxima geração de talentos e “ensiná-los a pescar”, para que possam continuar a prosperar em suas carreiras.


SOBRE A AUTORA

Lauren Bello é gerente, sócia e presidente da agência digital Ready Set Rocket. saiba mais