Como tornar a tomada de decisão um processo menos estressante

Quanto mais longe você chega, mais escolhas importantes precisa fazer a cada dia

Crédito: rawpixel.com

Dina Smith 5 minutos de leitura

Folheando um extenso cardápio outro dia, não consegui ler todas as muitas opções de jantar, por mais deliciosas que fossem. “Vou querer o que mais costuma sair”,  pedi ao garçom quando ele voltou. Para uma fã de gastronomia como eu, isso é quase um crime. Mas fazer o quê, se estava exausta de precisar escolher tudo? O nome disso é “fadiga de decisão”.

Todos os dias, nos encontramos diante de milhares de decisões, grandes e pequenas – desde o que vestir, o que comer, o que dizer e como dizer até como mudar de emprego ou carreira. No total, isso equivale a aproximadamente 35 mil decisões remotamente conscientes por dia. Esse número parece absurdo, no entanto, pesquisadores da Universidade de Cornell mostraram que tomamos 226 decisões por dia apenas com comida.

Quando enfrentamos tantas escolhas e tomamos decisão após decisão, isso esgota a energia mental e a força de vontade. Esse preço biológico é chamado de fadiga de decisão – ou um estado de sobrecarga e tensão cognitiva que pode prejudicar a capacidade de tomar mais decisões.

Nesse estado, o cérebro procura atalhos para economizar energia. Geralmente recorremos a uma de três estratégias emergenciais. Podemos procrastinar ou evitar tomar decisões completamente. Ou tomar uma decisão impulsiva em vez de pensar nas consequências.

À medida que a responsabilidade aumenta, cresce também a variedade e a complexidade das escolhas a serem feitas.

Ou podemos focar em excesso em uma dimensão da decisão, em vez de considerar as compensações envolvidas. Se você estiver comprando, pode se concentrar apenas no preço (vou pegar o que for mais barato) ou na qualidade (me dê o melhor).

À medida que a responsabilidade aumenta, cresce também a variedade e a complexidade das escolhas a serem feitas, o que aumenta a carga mental que investida no processo de decisão. As consequências também aumentam. Os líderes, por exemplo, muitas vezes tomam decisões que afetam outras pessoas e criam um efeito cascata para equipes e organizações.

Você pode até não ser capaz de evitar completamente a fadiga da decisão. Ainda assim, existem estratégias que podem ser adotadas para minimizá-la.

TOMAR DECISÕES IMPORTANTES PELA MANHÃ

Pesquisas mostram que tomamos nossas decisões mais precisas e ponderadas no início do dia. Portanto, se você está decidindo como abordar um projeto complexo ou outro assunto complicado, tome essas decisões pela manhã para evitar conclusões abaixo do ideal sobre coisas que importam. Faça uma lista diária de quais decisões têm prioridade e dê atenção a elas primeiro.

SABER QUANDO NÃO CONFIAR EM SI MESMO

Sua capacidade de tomar boas decisões não é uma característica permanente, mas sim um estado variável. Antes de tomar qualquer decisão, tente perceber como está se sentindo. Se sentir cansado ou irritado, optar por procrastinar ou ser impulsivo são sinais reveladores de que sua energia mental está acabando.

Se não conseguir dormir sem ter se decidido, tente fazer uma pequena pausa ou comer um lanche. Numerosos estudos demonstraram que uma dose de glicose pode melhorar o autocontrole e a qualidade da decisão se a pessoa está com pouca energia.

CONTROLAR O GASTO DE ENERGIA

Para qualquer decisão, pergunte a si mesmo: “em uma escala de 1 a 10, quanto impacto essa decisão terá na minha vida ou na de outras pessoas?” Se o impacto for baixo, escolha rapidamente qualquer opção que atenda aos critérios mínimos.

Depois de tomar uma decisão, não fique voltando atrás. Ruminar sobre se foi a escolha certa ou não apenas desperdiça a energia mental que sobrou. Em vez disso, reconheça que você tomou a melhor decisão possível com base no que sabia e siga em frente.

PEDIR AJUDA

Considere como outras pessoas podem ajudar e compartilhar a carga de tomada de decisão. Por exemplo, se está considerando tomar uma decisão particularmente arriscada, peça a alguém em quem confia para compartilhar sua perspectiva e expor seu raciocínio em voz alta. Para ser cada vez mais eficaz como líder, tenha sempre um grupo de tomadores de decisão aos quais você possa delegar e com quem possa contar para seguir adiante.

REDUZIR O LEQUE DE OPÇÕES

 O cansaço de tomar decisões resulta do luxo das escolhas de que dispomos no mundo de hoje. Para mitigar seus efeitos, é preciso tomar menos decisões.

Faça uma lista diária de quais decisões têm prioridade e dê atenção a elas primeiro.

Automatize o que puder. Por exemplo, em vez de debater se e quando praticar exercícios físicos, faça-o no mesmo horário todos os dias. Você também pode comer o mesmo café da manhã todos os dias da semana ou, como Steve Jobs com sua gola alta preta e jeans, ter uma roupa (ou duas) para qualquer ocasião. Quaisquer que sejam suas preferências, torne-as rotineiras.

Além disso, considere onde dá para diminuir a quantidade de opções. Por exemplo, se alguém estiver apresentando alternativas, peça que mostre apenas as duas ou três principais opções.

Finalmente, defina regras pessoais que tenham ampla aplicação em todas as situações. Por exemplo, você pode estabelecer uma regra como “não olhar as redes sociais até as 17h” ou “investir 20% de cada salário”.

Definir esses limites esclarece e reduz inúmeros pontos de decisão dolorosos. Ao decidir com antecedência o que vai ou não fazer, você reserva o poder da sua mente para coisas mais importantes.

Realizar as cinco etapas acima pode mitigar a fadiga de decisão e suas consequências infelizes. À noite, cerca de 35 mil decisões depois, comemore suas boas escolhas – algumas grandes e outras tão pequenas que você nem notou que as fez.


SOBRE A AUTORA

Dina Denham Smith é fundadora da Cognitas, empresa de coaching de executivos e equipes. Seus clientes incluem líderes seniores e equip... saiba mais