Cresce o número dos que resolvem “dar um tempo” na carreira. E está tudo bem

Crédito: And Machines/ Joyuma/ Unsplash

Nahla Davies 4 minutos de leitura

O mundo do trabalho mudou drasticamente nos últimos anos. Conforme uma grande onda de demissões voluntárias tomava conta dos EUA, a opção por “dar um tempo na carreira” entrou em pauta. Não que seja algo completamente inédito – por inúmeros motivos, as pessoas sempre fizeram pausas em suas carreiras (especialmente as mulheres).

Mas o tema tem ganhado mais atenção porque o número de pessoas dando uma pausa na carreira está aumentando rapidamente. Se antes os empregadores evitavam contratar alguém com um hiato no currículo, agora eles precisam considerar todas as oportunidades para preencher uma vaga.

A boa notícia é que essa é uma excelente oportunidade para remover o estigma das lacunas no currículo. Só porque alguém decidiu “dar um tempo”, isso não significa que a pessoa é preguiçosa ou que está estagnada. Na verdade, muitos dos que fazem uma pausa no trabalho oficial continuam trabalhando tanto quanto antes (se não mais) e estão adquirindo novas habilidades, que podem ser úteis quando reingressarem no mercado de trabalho.

Reconhecendo a importância de oferecer a esses trabalhadores todas as chances de voltar à atividade formal, o LinkedIn adicionou recentemente um recurso que permite aos usuários adicionar pausas de carreira ao currículo. Agora, em vez de uma lacuna entre empregos que levanta dúvidas em possíveis empregadores, os usuários têm um espaço para mostrar como aquela pausa ajudou a aumentar seu valor.

INTERRUPÇÕES SÃO MUITO COMUNS

As pausas na carreira estão começando a se tornar a norma. Pesquisa do LinkedIn aponta que 62% de todos os funcionários do mundo fizeram uma pausa, percentual que sobe para 64% no caso das mulheres.

o LinkedIn adicionou um recurso que permite aos usuários adicionar pausas de carreira ao currículo.

A maioria das pessoas associa as pausas a mulheres que deixam seus empregos para ter filhos e cuidar deles ou a trabalhadores mais jovens, que tiram anos sabáticos. Mas há muitas outras razões para tirar esse tempo para si, incluindo licença parental (22%), licença médica (17%) e questões de saúde mental (14%). Além disso, o cuidado familiar – como lidar com problemas de saúde de pais idosos ou com doenças debilitantes – é um motivo cada vez mais citado.

Infelizmente, muitos empregadores ainda veem as lacunas entre empregos com certo ceticismo. Um candidato pode não passar por procedimentos de pré-seleção caso outros sem intervalos semelhantes estiverem disponíveis. Já os funcionários que retornam após um intervalo geralmente sentem que suas habilidades são postas em questão.

Mas a dinâmica de poder está mudando, especialmente na medida em que aumenta o número de pessoas com hiatos no currículo. A mudança na força de trabalho para os millennials e para as gerações mais jovens também está forçando os empregadores a reconsiderar suas posições sobre pausas de carreira. A maioria dos millennials (84%) espera fazer uma pausa prolongada na carreira em algum momento da vida.

APROVEITANDO AS PAUSAS

Só porque um funcionário deixa a força de trabalho temporariamente, não significa que ele não esteja desenvolvendo habilidades relevantes.

Mais de 80% dos millennials espera fazer uma pausa prolongada na carreira em algum momento da vida.

Daqueles que retornaram ao mercado, 53% afirmam que estão melhores em seu trabalho depois da pausa. Do outro lado, 50% dos gerentes de contratação acreditam que as pessoas que retornam de uma pausa na carreira adquiriram habilidades valiosas, e 51% acreditam que os que fazem pausas podem reiniciar a carreira a qualquer momento.

É certo que algumas habilidades construídas durante um intervalo são mais difíceis de vender do que outras. Tarefas como resolver problemas de saúde para membros da família demandam pensamento criativo e brainstorming. A pessoa pode ter aprendido a conciliar pagamento de hipotecas, de empréstimos estudantis e custos médicos e de vida adicionais para os membros da família, ensinando-os a otimizar os gastos. Quando é preciso abrigar inesperadamente um membro da família, é preciso se tornar especialista em logística e orçamento.

Projetos tangenciais também ajudam a desenvolver habilidades. Por exemplo, começar um blog pode ajudar a aprimorar a escrita. Abrir o próprio negócio para gerar fluxo de caixa extra demanda planejamento financeiro, noções de marketing, experiência em vendas e até habilidades de gerenciamento – todas as quais podem ser adicionadas ao currículo.

68% dos que “deram um tempo” garantem que isso impactou positivamente seu bem-estar.

Aqueles que fazem pausas por motivos de cuidado, seja para crianças ou familiares doentes, frequentemente citam o aumento da paciência e da autoconsciência como benefícios de seu tempo fora. Essas habilidades sociais podem ser mais difíceis de converter em benefícios para os empregadores, embora sejam, sem dúvida, importantes tanto para a formação de equipes quanto para o gerenciamento. 

A pandemia e a consequente onda de demissões voluntárias deram destaque às necessidades e desejos legítimos dos trabalhadores. Um deles é o de fazer pausas na carreira. De fato, 69% das pessoas que fizeram uma pausa dizem que o tempo longe as ajudou a ganhar perspectiva e 68% garantem que isso impactou positivamente seu bem-estar.

É hora de empregadores e funcionários mudarem sua percepção desses intervalos. Ao oferecer certos recursos de perfil e compartilhar pesquisas, plataformas como LinkedIn estão tornando mais fácil incluir novas habilidades e conseguir um novo emprego.


SOBRE A AUTORA

Nahla Davies é engenheira de software e redatora técnica em Nova York. saiba mais