Cuidado com o que técnicas anti-estresse podem estar mascarando

O problema de tentar relaxar a qualquer custo é que, além de não ajudar, isso pode disfarçar um estilo de vida pouco saudável

Crédito: We Are/ GettyImages

Stephanie Vozza 3 minutos de leitura

Se você tem se sentindo esgotado, provavelmente já tentou meditar. Ou talvez tenha experimentado exercícios de respiração, ou tirado uma soneca no meio do dia. O problema com essas estratégias “testadas e verdadeiras” de alívio do estresse é que, geralmente, além de não ajudarem, elas podem fazer mais mal do que bem.

É o que afirma Arin N. Reeves, autor dor recém-lançado “In Charge: The Energy Management Guide For Badass Women Who Are Tired Of Being Tired” (Assuma As Rédeas: Um Guia Para Mulheres Cansadas ​​De Estar Cansadas Gerenciarem Sua Energia, em tradução livre).

No livro, Reeves compara a sensação de esgotamento à de alguém que está em uma canoa furada no meio de um rio. Depois de notar o vazamento, você começa a retirar a água. Passa horas fazendo isso. Enquanto isso, seus amigos lhe dizem: “Você parece cansado. Precisa se exercitar mais. Precisa comer melhor. Precisa ir para casa e descansar mais”, ilustra Reeves. “Mas esses conselhos são dados para que você possa voltar àquela mesma canoa amanhã e continuar tirando água.”

O problema com muitas estratégias de autocuidado é que elas pegam o bonde andando, não questionam o porquê de você estar em uma canoa furada. Já partem do princípio de que você continuará fazendo o que está fazendo e trabalhando do jeito que está trabalhando. Isso não funciona porque você acordará no dia seguinte e ficará cansado novamente.

“Não importa o quanto durma, não importa o quanto cuide de si mesmo, o esgotamento não desaparecerá, porque ele é o ar que você respira todos os dias”, diz Reeves. “As estratégias de autoajuda não têm nos ajudado a formular a questão: o que estou fazendo é sustentável?”

GERENCIANDO SUA ENERGIA

As estratégias verdadeiramente úteis de autocuidado analisam seu gerenciamento de energia. No trabalho ou na vida em geral, Reeves diz que é importante prestar atenção ao que te dá energia. Podem ser certos tipos de trabalho que você faz, pessoas com quem trabalha ou coisas que goste de fazer fora do trabalho.

As estratégias de autoajuda não têm nos ajudado a formular a questão: o que estou fazendo é sustentável?

“Preste atenção nisso por três a quatro dias, parando a cada hora para avaliar sua energia em uma escala de 0 a 10”, aconselha. “Observe o que o leva aos setes, oitos e noves pontos nessa escala. E o que o leva aos dois, aos três e aos quatros.”

O que traz energia pode mudar com o tempo. “Algo que lhe trazia energia aos 25 anos pode não servir aos 31, dependendo de quais responsabilidades adicionais você passou a ter na vida”, observa Reeves.

Olhe para o seu cotidiano e veja o que consegue controlar. Se possível, comece o dia com coisas das quais gosta. Começar por tarefas que te dão energia pode garantir mais energia no final do dia.

Por outro lado, se você começar a manhã com hábitos que consomem sua energia, passará o resto do dia tentando recuperá-la. Se programar muitas atividades de drenagem de energia seguidas, elas o deixarão exausto no final do dia, não importa o quão bem gerencie seu tempo. Determine se você consegue neutralizar ou minimizar essas tarefas que drenam energia. Por exemplo: você pode tentar contrabalançar, fazendo algo positivo depois.

“Essa abordagem nos permite tomar as rédeas da gestão da nossa energia”, diz Reeves. “Se você chega ao final de todos os dias sentindo um déficit de energia, não há yoga ou meditação que possa consertar isso. Pelo contrário, o autocuidado, nesse caso, pode parecer ainda mais opressivo, porque se torna uma coisa a mais na sua lista. Gestão de energia é autocuidado. Terminar o dia com um excedente de energia, em vez de um déficit, é cuidar de si mesmo.”


SOBRE A AUTORA

Stephanie Vozza escreve sobre produtividade e carreira na Fast Company. saiba mais