Dropbox estuda exercícios de memória para evitar dependência da IA no trabalho
Iniciativa busca combater possíveis efeitos do uso intensivo de IA sobre a memória, a atenção e outras habilidades mentais

Preocupada com a possibilidade de seus funcionários perderem capacidade cognitiva ao terceirizar tarefas para a inteligência artificial, a Dropbox está considerando adotar ferramentas de treinamento cognitivo, como exercícios de memória e atividades para ampliar a capacidade de concentração, com o objetivo de manter a mente dos profissionais ativa.
A pioneira em armazenamento em nuvem também já experimentou encontros presenciais com uma proposta “analógica”, nos quais executivos praticam exercícios de respiração e deixam de lado seus dispositivos eletrônicos.
“Somos extremamente otimistas em relação ao impacto [da IA], mas também acreditamos que temos a responsabilidade de entender como ela está afetando as pessoas que a utilizam todos os dias”, diz Melanie Rosenwasser, diretora de recursos humanos da Dropbox.
A expressão brain rot (algo como “apodrecimento cerebral”) surgiu para descrever o declínio cognitivo provocado pela IA e pelas redes sociais, como mostram alguns estudos.
“É por isso que estamos começando a explorar treinamentos voltados à saúde cerebral e ao bem-estar cognitivo, ao mesmo tempo que experimentamos maneiras de estimular o pensamento crítico e as conexões humanas”, explica Rosenwasser.
Embora as evidências sejam limitadas quanto à capacidade dos exercícios de treinamento de melhorar a inteligência geral, algumas pesquisas sugerem que atividades direcionadas podem gerar avanços duradouros em habilidades mentais específicas.
Um estudo financiado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês) constatou, por exemplo, que treinamentos de raciocínio e velocidade de processamento produziram benefícios que duraram até uma década entre adultos mais velhos.
A Dropbox não seria a primeira empresa a oferecer esse tipo de exercício aos funcionários. No ano passado, a gigante do mercado imobiliário comercial JLL montou uma “academia cerebral” em seu escritório em Cingapura.

O local contava com “cabines iluminadas” e “painéis de treinamento visual”. Segundo reportagem do Business Insider, os funcionários que participaram relataram melhora na concentração e menos distrações.
Em 2024, outra empresa do setor imobiliário comercial, a Fischer, firmou uma parceria com a Universidade do Texas em Dallas para realizar um programa experimental de três meses destinado a “melhorar o desempenho cognitivo e apoiar hábitos de trabalho mais saudáveis”.
Os funcionários apresentaram avanços mensuráveis em um índice composto que avaliava “capacidade cognitiva, sensação de bem-estar, qualidade das interações sociais e complexidade das rotinas diárias”, afirmaram os pesquisadores.