Empresa oferece US$ 2 mil para quem puxar conversa com desconhecidos por 30 dias

RiseGuide cria cargo de diretor de conversas informais para investigar por que tanta gente tem dificuldade de interagir pessoalmente

Crédito: Magnific

Sarah Bregel 3 minutos de leitura
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Conversar com colegas de trabalho que você não conhece muito bem ou com quem tem pouco em comum fora do ambiente profissional pode ser desconfortável.

Mas nenhuma geração parece mais avessa a conversas triviais no escritório do que a geração Z. Agora, uma empresa está oferecendo uma nova oportunidade de trabalho para um jovem corajoso o bastante para mudar esse cenário.

O cargo, chamado de diretor de conversas informais (chief small talk officer), foi anunciado recentemente pelo aplicativo de desenvolvimento pessoal RiseGuide.

A empresa procura até três candidatos, de preferência residentes em Nova York ou Los Angeles, mas pessoas de qualquer lugar dos Estados Unidos podem se inscrever. A vaga oferece US$ 2 mil por 30 dias de conversas com desconhecidos – e ainda inclui uma verba para sair de casa.

De acordo com o anúncio, o diretor de conversas informais “visitará um lugar diferente em sua cidade a cada dia: cafés, livrarias, clubes, bares, parques, espaços comunitários – você escolhe. Lá, deverá iniciar uma conversa com uma pessoa desconhecida (ou várias)”. Pessoas de qualquer geração podem se candidatar.

Conversar é a parte difícil. As demais responsabilidades incluem documentar a experiência para a empresa por meio de “anotações, observações, vídeos curtos e histórias”.

As descobertas serão usadas para elaborar um ranking dos melhores lugares para conhecer desconhecidos em cidades de todo o país, reunir dicas para quem deseja melhorar a capacidade de conversar com pessoas que não conhece e desenvolver uma aula completa que será disponibilizada no aplicativo RiseGuide.

GENZs NÃO SABEM O QUE DIZER AOS COLEGAS

A vaga pode parecer pouco convencional, mas chega em um momento oportuno. Segundo uma pesquisa da própria empresa, apenas 34% das pessoas conversariam com um desconhecido.

Entre os jovens da geração Z, os números parecem ainda mais preocupantes: um estudo realizado pela Harris Poll em 2024 para a revista "Fortune" constatou que a GenZ enfrenta dificuldades para conversar com colegas de trabalho.

Segundo a pesquisa, 53% dos gestores responsáveis por contratações disseram que os recém-formados dessa geração têm habilidades de comunicação deficientes. Mais impressionante ainda: 65% dos profissionais da geração Z admitiram não saber o que dizer aos colegas.

Grupo de mulheres conversando
Crédito: Freepik

Anastasia Sliusarenko, gerente de marca e reputação da RiseGuide, que ajudou a desenvolver a ideia para o cargo, diz que cerca de 44% dos integrantes da geração Z passam seis horas ou mais por dia no celular. Por isso, aprender a conversar com outras pessoas é essencial para uma geração que “nunca chegou a aprender” a se comunicar pessoalmente.

Embora puxar conversa possa não ser tão fácil quanto parece, o cargo certamente pode render uma experiência interessante para incluir no currículo.

nenhuma geração parece mais avessa a conversas triviais no escritório do que a geração Z.

O processo de candidatura é simples. A empresa orienta os interessados a enviar um vídeo de apresentação pessoal por meio do formulário disponível no site. O currículo é opcional, porque o trabalho gira em torno de conversar.

Se a oportunidade parece um sonho ou um pesadelo, provavelmente dependerá da opinião de cada candidato e de sua relação com as conversas informais. De qualquer maneira, o cargo pode ter um impacto importante no desenvolvimento de habilidades que serão úteis por toda a vida.

No mínimo, poderá dar a um jovem sortudo da geração Z algum assunto para puxar conversa em festas e coquetéis.


SOBRE A AUTORA

Sarah Bregel é uma escritora, editora e mãe solteira que mora em Baltimore, Maryland. Ela contribuiu para a nymag, The Washington Post... saiba mais