POR HERMAN BESSLER

Por pelo menos novecentos anos, seres humanos acordaram pela manhã, saíram de suas casas e foram até seus espaços de trabalho. Por isso, trabalho e escritório sempre foram indissociáveis. A tortuosa história da relação entre o escritório e profissionais de todos os tipos e épocas é marcada e influenciada por tendências e mudanças culturais, sociais e tecnológicas. 

Diversas teorias de gestão tiveram influência sobre a forma como os ambientes se organizam, mas nenhuma foi tão duradoura quanto o taylorismo no início do século passado. Taylor criou e sistematizou a hierarquia de comando e controle para o espaço físico colocando diretores no topo dos edifícios, gerentes no meio e trabalhadores braçais no chão de fábrica. Ele implementou sistemas de iluminação para melhorar a produtividade, propôs o pagamento por performance e criou a divisão por áreas que a maioria das companhias utiliza até hoje. 

Pelo menos até a pandemia de 2020. O evento foi disruptivo numa velocidade e escala nunca antes experimentadas na história do trabalho. A maioria das organizações foi obrigada a trabalhar remotamente do dia para a noite, sem que seus sistemas de gestão estivessem prontos. Além disso, o compliance e o jurídico não tiveram tempo para quantificar os riscos, os executivos não puderam se preparar e as capacitações e adoções incrementais não foram implementadas.

REMOTO, HÍBRIDO, OU SÓ UMA VOLTA GRADUAL?

Segundo pesquisa divulgada pela consultoria KPMG no último mês de abril, enquanto 66,2% das empresas já voltaram ou esperam que isso aconteça ainda em 2021, 33,8% pretendem retornar apenas em 2022. Além disso, 87,3% das companhias têm a intenção de adotar o sistema híbrido. Mas o que isso significa? Quais as consequências? E o que fazer a partir daqui?

Pesquisas antropológicas mostram que somos mais criativos, melhoramos a comunicação e interagimos mais presencialmente, o que mostra a importância desses momentos como parte das organizações. No entanto, pesquisas de opinião demonstram que os colaboradores, em larga medida, não estão dispostos a retornar ao escritório por completo. Em uma pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral (FDC) no último mês de março, 58% dos entrevistados afirmaram que se consideram mais produtivos em casa. Para um dos autores da pesquisa, Fabian Salum, muitos colaboradores estão ansiosos para saber se essa condição se manterá depois que as regras de distanciamento forem flexibilizadas.

Soma-se ao cenário a diminuição de custo com escritórios menores devido à rotatividade, a economia de tempo e dinheiro com deslocamentos e a possibilidade de contratar em múltiplas localidades para criar a tempestade perfeita. Sendo assim, soluções híbridas têm efetivamente mais vantagens entre todos os modelos, agrada a gestores e colaboradores e pode trazer o melhor dos dois mundos: a criatividade e interação presencial, mas também a flexibilidade e autonomia do “home office”. 

MAS COMO TRABALHAR DE FORMA HÍBRIDA E EFICAZ? 

A má notícia é que não existe fórmula mágica: nenhum modelo funciona para todas as companhias em todos os mercados. A boa notícia é que existe uma série de boas práticas e de princípios que podemos seguir para repensar a relação entre humanos e seu espaço de trabalho com resultados equiparáveis e até superiores aos alcançados no modelo presencial com horário fixo, em métricas de produtividade e inovação. 

Enumero abaixo algumas medidas que considero relevantes para as empresas adotarem para garantir um trabalho híbrido e eficaz:

  1. Garantir que os colaboradores possam trabalhar de qualquer lugar com qualidade e condições mínimas (internet de qualidade, máquina, VPN, local tranquilo, ergonomia).
  2. Garantir que o local e horário de trabalho serão acordados com o time/gestor de forma clara, transparente e visível a todos.

  3. Garantir uma ferramenta para autodiagnóstico de Covid-19 que permita saber quando é seguro encontrar com outras pessoas do time.
  4. Garantir a manutenção do sentimento de pertencimento à organização e união/integração do time como um todo.
  5. Garantir que a performance remota e flexível é igual ou superior à performance no escritório central em horário fixo.
  6. Em uma reunião ou sessão de trabalho, se uma pessoa do time está remota, todos devem estar remotos.

  7. Prover ferramentas de comunicação e gestão adequadas ao formato work from anywhere ou híbrido. Várias opções disponíveis no nosso e-book.


Após um ano e meio de pandemia, superamos o primeiro trauma, ajustamos medidas e ferramentas e celebramos datas à distância, sempre com um gosto amargo na boca. Não foi uma tentativa normal de trabalho remoto – foi um experimento de “home office” pandêmico — muitas vezes sem a infraestrutura necessária. Agora, nos resta continuar aprimorando as mudanças que nos vimos obrigados a aceitar e, quem sabe, melhorar a nossa relação com o trabalho.

SOBRE O AUTOR

Herman Bessler é CEO e Fundador do Templo.cc