Está travado nas decisões? Saia do escritório.

O maior obstáculo ao pensamento estratégico não é a falta de talento ou de ideias. É o ambiente de trabalho que mantém os líderes presos ao modo reativo

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Peter Stewart 6 minutos de leitura

Imagine sua caixa de entrada vazia, seu calendário limpo, suas tarefas marcadas como concluídas. Com total atenção, você e sua equipe entram na sala de conferências, prontos para abordar as grandes questões em uma reunião de um dia inteiro.

Grandes questões como determinar como vocês vão lidar com inteligência artificial, definir sua estratégia de três a cinco anos ou consolidar como vão atrair e desenvolver os talentos do futuro.

Continue imaginando. Porque esse dia não vai chegar.

A realidade se parece mais com isto: você tem 60 minutos para planejar a estratégia, em uma reunião que levou seis semanas para ser agendada. Pouco antes de começar, você soube da crise do dia.

Hoje à noite, você precisa se preparar para uma apresentação para o conselho de administração. Seus outros executivos estão todos checando os telefones, com as sobrancelhas franzidas. Todos prontos?

POR QUE VOCÊ PRECISA DE ESPAÇO

É quase impossível resolver desafios complexos no decorrer de um dia normal. Isso ocorre porque o estresse no ambiente de trabalho interfere nas funções cerebrais que apoiam o pensamento estratégico.

Somos hábeis em pensamento profundo, colaboração e resolução de problemas, desde que estejamos nas condições certas. Esse não é o caso quando estamos sob a pressão constante e as distrações do trabalho diário. É preciso sair do escritório.

O estresse inibe os mecanismos cerebrais benéficos; uma mudança estratégica de cenário os ativa. Isso cria uma distância física e mental que aguça o foco, aumenta a segurança psicológica e motiva as pessoas a compartilharem ideias, condições que não prosperam em sessões espremidas na rotina diária.

REDUZINDO O “RESÍDUO DE ATENÇÃO”

Você não consegue mudar de sintonia no minuto em que uma reunião estratégica começa. Aquela tarefa anterior? Ela continua zumbindo em segundo plano, consumindo recursos cognitivos necessários para planejar o futuro.

Sophie Leroy, diretora da escola de negócios da Universidade de Washington Bothell, cunhou o termo “resíduo de atenção” para descrever como parte da sua atenção permanece na atividade anterior.

Na foto há uma mulher e um homem trabalhando em um laptop.
Crédito: Unsplash

Estamos mais suscetíveis a isso quando deixamos tarefas inacabadas ou somos interrompidos. Basicamente, corremos um alto risco a qualquer momento em que estamos no ambiente de trabalho.

Distanciar-se protege você desse esgotamento. Sem correr de uma coisa para outra, você pode finalmente direcionar toda a sua atenção para resolver o problema mais urgente.

OS EFEITOS DA OXITOCINA E DA DOPAMINA

Interações presenciais (apertar as mãos, manter contato visual, ler a linguagem corporal) liberam oxitocina. Esse hormônio aumenta a confiança, que é essencial para a segurança psicológica.

Amy Edmondson, professora da Harvard Business School e pioneira do conceito, descreve-o como a crença compartilhada de que você não será punido por se posicionar.

É quase impossível resolver desafios complexos no decorrer de um dia normal de trabalho.

Mas a oxitocina pode ser uma faca de dois gumes. Em situações estressantes, foi demonstrado que ela realmente aumenta a ansiedade. Ambientes profissionais com alto nível de estresse são exatamente os ambientes que fazem a oxitocina ter o efeito reverso. Mais um motivo para se afastar.

Por outro lado, se a oxitocina cria a segurança para falar, a dopamina fornece o combustível. Quando um pensamento entra na sua cabeça, a dopamina o estimula a compartilhá-lo com os outros. Ela sinaliza que o que vem a seguir será recompensador.

Mas o benefício não para na ideia inicial. Você também recebe uma descarga de dopamina quando alguém constrói a partir do seu pensamento.

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Imagine a cena: você apresenta uma nova oferta de serviço, seu colega a refina e uma terceira pessoa sugere uma aquisição para expandi-la. Cada pessoa é neurologicamente compelida a contribuir. Esse é o ciclo de construção de ideias que a dopamina cria.

O CENTRO DE COMANDO

A redução no resíduo de atenção, a confiança que a oxitocina constrói, o compartilhamento de ideias que a dopamina impulsiona. Tudo isso serve ao propósito final de liberar a região do cérebro que realiza seu melhor pensamento estratégico.

O córtex pré-frontal (CPF), o centro executivo do cérebro, desempenha um papel crítico em tudo o que você tenta fazer em uma sessão de estratégia: pensamento crítico, planejamento, tomada de decisões e regulação de emoções.

Na imagem há linhas coloridas em uma cabeça.
Crédito: Unsplash

No entanto, ambientes de trabalho altamente estressantes suprimem o córtex pré-frontal. As interações, reuniões consecutivas e crises diárias ativam a amígdala, que desencadeia o medo e a ansiedade, bloqueando as funções executivas.

Em reuniões externas, a amígdala se acalma, permitindo que o córtex pré-frontal opere em sua capacidade total.

Além do cenário, as reuniões externas têm outra característica que nos ajuda a pensar estrategicamente: agentes externos para atuar como facilitadores.

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Eles eliminam uma tarefa que, de outra forma, recairia sobre um líder interno. Sem ter que controlar o tempo, garantir o engajamento de todos e manter a conversa no rumo certo, o córtex pré-frontal dessa pessoa pode fazer seu melhor trabalho, permitindo que ele ou ela participe plenamente.

Facilitadores experientes também trazem uma neutralidade que promove a segurança psicológica. Eles não têm interesses pessoais nem histórico com ninguém, então todos se sentem mais confortáveis para compartilhar suas opiniões.

NÃO PODE SE AFASTAR?

Nem todas as equipes conseguirão sair do escritório. No entanto, você ainda pode replicar algumas das condições que facilitam o trabalho em grupo durante a semana normal de trabalho.

O passo mais importante é definir regras básicas. Elas comunicam que essa reunião é diferente e importante e estabelecem limites para uma colaboração produtiva.

O estresse inibe os mecanismos cerebrais benéficos; uma mudança estratégica de cenário os ativa.

Concordem em não usar telefones e notebooks para manter o foco contínuo. Considerem todas as ideias para construir segurança psicológica. E determinem como vocês reforçarão as regras. Alguém lembrará o grupo se as regras forem quebradas?

Além disso, reservem um tempo para socializar. Embora você queira a reunião focada, momentos descontraídos e atividades de aquecimento são quase tão importantes. Isso pode ser uma dinâmica rápida, um almoço informal ou um jantar no caso de um workshop de vários dias. 

Esses momentos permitem que a equipe interaja sem a pressão de uma pauta e construa relacionamentos de confiança que são a base de times de alto desempenho. Regras básicas e conexão podem permitir que você opere no formato de uma "reunião externa", mesmo que nunca saia do escritório.


SOBRE O AUTOR

Peter Stewart é psicólogo organizacional. saiba mais