Estes 5 hábitos podem sabotar a sua felicidade
Quando paramos de lutar contra nossos padrões e começamos a compreendê-los, percebemos que não há nada de errado conosco.

Você já se pegou pensando se realmente merece viver momentos bons, sem culpa ou medo de errar? Mesmo quando sabemos que certos hábitos nos fazem mal, eles continuam se repetindo, como agradar demais, buscar a perfeição, engolir sentimentos ou tentar controlar tudo.
Kati Morton, psicóloga clínica, terapeuta de casais e família e criadora de conteúdo no YouTube, mostra em seu livro “Por que continuo fazendo isso?: Desaprenda os hábitos que te prendem e te deixam infeliz” que esses padrões não surgem por fraqueza, mas como formas de sobrevivência.
A obra convida a trocar o controle pelo autoconhecimento e o medo pela confiança, abrindo espaço para uma vida mais leve e autêntica. Confira a seguir cinco ideias-chave da obra.
QUAL É A GRANDE IDEIA?
Por que caímos nos mesmos padrões — seja agradar aos outros, ser perfeccionista ou anestesiar nossas emoções — mesmo sabendo que não nos fazem bem?
Essas estratégias nos ajudam a nos sentir seguros, mas substituir essa armadura por força interior nos permite agir com liberdade, em vez de medo.
1. O CONTROLE É UMA ESTRATÉGIA DE SOBREVIVÊNCIA
Frequentemente, pensamos no controle como um traço de personalidade ou um estado de espírito. Dizemos coisas como: “Sou apenas um controlador compulsivo” ou “Não se preocupe, está tudo sob controle para mim”.
Mas o controle não é um estado de espírito; é como aprendemos a sobreviver. É a maneira como nosso sistema nervoso tenta nos proteger quando a vida parece imprevisível.
Quando crianças, muitos de nós aprendemos que ser bons, quietos ou perfeitos nos ajudava a nos manter seguros ou amados.
Esses padrões se tornaram uma armadura invisível. Então, como adultos, nos tornamos controladores excessivos, pensamos demais ou nos criticamos excessivamente — não porque gostamos, mas porque, no fundo, ainda parece ser a maneira de nos mantermos seguros.
Para mim, quando as coisas em casa pareciam estar fora do meu controle, eu me concentrava no que podia controlar: minhas notas, a limpeza do meu quarto, meu desempenho. Essa falsa sensação de controle me ajudava a me acalmar quando todo o resto parecia incerto.
Compreender isso muda tudo. Em vez de nos envergonharmos por precisarmos de controle, podemos nos tornar curiosos: do que esse controle está tentando me proteger? O que parece imprevisível na minha vida agora? Essa curiosidade abre as portas para uma compreensão mais profunda. Não podemos mudar o que primeiro não entendemos.
Quando paramos de lutar contra nossos padrões e começamos a entendê-los, percebemos que não há nada de errado conosco.
Estamos apenas tentando nos manter conectados e seguros. O controle nunca foi o problema — era a melhor tentativa do nosso corpo de se proteger.
2. AGRADAR AOS OUTROS NÃO SIGNIFICA SER GENTIL
A necessidade de agradar aos outros muitas vezes é rotulada como gentileza — algo que ostentamos como um distintivo de honra.
Mas, na verdade, é medo disfarçado: medo da rejeição, do abandono ou do conflito. Muitos de nós aprendemos desde cedo que atender às necessidades de todos era a maneira mais segura de pertencer.
“Quando gastamos toda a nossa energia antecipando o que os outros querem, perdemos o contato com o que nós mesmos queremos.”
Eu costumava pensar que agradar aos outros me tornava uma boa pessoa — que colocar os outros em primeiro lugar era altruísta e admirável.
Mas, durante uma sessão de terapia, minha terapeuta me disse algo que me deixou completamente perplexa. Ela disse: “Agradar aos outros é, na verdade, uma forma de manipulação”.
Fiquei chocada. Mas, quanto mais eu pensava nisso, mais percebia que ela tinha razão. Eu não estava tentando fazer os outros felizes porque me importava profundamente com o que eles sentiam.
Eu fazia isso porque não conseguia tolerar nenhum desconforto. Agradá-los era a maneira que eu encontrava para lidar com a minha própria ansiedade.
A tentativa de agradar aos outros não nos aproxima deles; pelo contrário, nos desconecta de nós mesmos.
Quando gastamos toda a nossa energia antecipando o que os outros querem, perdemos o contato com o que realmente queremos. Com o tempo, isso pode levar ao ressentimento, à exaustão e até à depressão, porque estamos vivendo uma vida que parece boa para os outros, mas que não nos parece autêntica.
O primeiro passo para a mudança não é dizer “não” a tudo de repente. É fazer uma pausa antes de dizer “sim”. Pergunte-se: estou fazendo isso por genuíno interesse e desejo, ou por medo? Essa pequena pergunta ajuda a separar o seu valor da sua utilidade.
Relacionamentos saudáveis não exigem que você desapareça para continuar sendo amado. Respeitar suas próprias necessidades não é egoísmo — é assim que você constrói uma conexão verdadeira.
3. O PERFECCIONISMO É UM ALVO EM MOVIMENTO
O perfeccionismo muitas vezes parece ser o fator motivador que nos impulsiona a continuar. Mas, por trás dele, existe uma profunda sensação de inadequação.
Buscamos a perfeição porque acreditamos que, se finalmente conseguirmos “acertar”, conquistaremos a atenção ou a aprovação que tanto desejamos.
O problema é que a perfeição é um alvo em movimento. Cada conquista proporciona um breve alívio antes que o próximo “deveria” apareça.
Isso acontece porque o perfeccionismo não tem a ver com sucesso, mas com segurança. Não cometer erros significa não receber críticas. Fazer tudo certo evita a rejeição.
Para mim, o perfeccionismo começou cedo. Meu pai trabalhava longe de casa por longos períodos, e eu me lembro de acreditar que, se eu fizesse tudo perfeitamente — se eu fosse a primeira da banda ou entrasse para o time principal —, ele iria querer voltar para casa com mais frequência.
Eu pensava que minhas conquistas poderiam, de alguma forma, garantir a presença dele. Levei muito tempo para perceber que a agenda de trabalho dele não tinha nada a ver com o meu desempenho e que eu não precisava provar o meu valor.
O antídoto para o perfeccionismo não é baixar seus padrões, mas mudar o foco do desempenho para a conexão. Em vez de perguntar “Foi perfeito?”, pergunte “Eu me senti conectado?”.
O crescimento não vem da execução impecável; vem da disposição de estar presente, tentar, falhar e aprender. Quando nos permitimos ser humanos, paramos de nos esforçar para merecer o nosso valor e começamos a perceber que sempre fomos suficientes.
4. SUPRESSÃO NÃO É FORÇA
Muitos de nós — eu inclusive — crescemos acreditando que manter a calma, a compostura e estar “bem” era a atitude madura a se tomar. Mas reprimir as emoções não é sinal de força — é sinal de autoabandono.
Quando reprimimos os sentimentos, eles não desaparecem; apenas ficam enterrados em nosso corpo, manifestando-se mais tarde como ansiedade, irritabilidade ou esgotamento.
As emoções não são coisas ruins. São sinais que nos indicam quando algo importa, dói ou precisa de atenção.
Às vezes, quando consigo manter tudo sob controle por muito tempo — resistindo ao estresse, ignorando a frustração, fingindo que está tudo bem —, a situação sempre acaba explodindo.
Geralmente, isso acontece quando estou assistindo à TV e passa um comercial sobre um cachorro idoso, e de repente me vejo soluçando no sofá.
Não é exatamente por causa do comercial; são todas as emoções não ditas, não sentidas, finalmente implorando para serem sentidas.
Aprender a sentir não significa perder o controle. Significa expandir sua capacidade de conviver com o desconforto sem deixar que ele o consuma. Isso é verdadeira resiliência.
“Dar nome às emoções ajuda a regular o sistema nervoso e faz com que elas pareçam menos avassaladoras.”
Uma prática simples é nomear em voz alta o que você sente: “Sinto-me triste”, “Sinto-me com raiva”, “Sinto-me com medo”.
Nomear as emoções ajuda a regular o sistema nervoso e faz com que elas pareçam menos avassaladoras.
Com o tempo, isso constrói uma sensação de confiança interna: consigo lidar com meus sentimentos em vez de fugir deles. A verdadeira força não está em ser inabalável. Está em ser capaz de se curvar sem quebrar.
5. A CURA CONSISTE EM DEIXAR IR, NÃO EM PERDER O CONTROLE
Desapegar é difícil porque pode parecer uma queda livre. Para pessoas — como eu — que sempre dependeram do controle para sobreviver, afrouxar esse controle pode parecer inseguro, mesmo quando é exatamente o que precisamos para crescer.
Por muito tempo, achei que deixar ir significava não me importar — que, se eu não estivesse me preocupando ou tentando controlar tudo, isso significava que eu estava sendo irresponsável ou indiferente.
Mas, eventualmente, percebi que deixar ir não é desistir; é redefinir o que significa segurança. É confiar que posso me importar profundamente sem tentar controlar todos os resultados. Essa mudança do controle para a confiança tem sido uma das lições mais libertadoras da minha vida.
Desapegar não tem a ver com caos ou indiferença. Tem a ver com confiança — confiar que você consegue lidar com a vida à medida que ela se desenrola, sem precisar controlar cada detalhe. Tem a ver com passar da hipervigilância para a fé.
Vejo isso com muita frequência, tanto nos meus pacientes quanto em mim mesma. Existe o controle que nos mantém firmes, como estabelecer limites ou criar uma estrutura.
E existe o controle que nos mantém estagnados e nos impede de buscar novas experiências, experimentar coisas novas ou deixar as pessoas entrarem em nossa vida. Curar-se significa perceber quando o controle nos ajuda a nos sentir seguros… e quando nos impede de viver a nossa vida.
“Essa mudança do controle para a confiança foi uma das lições mais libertadoras da minha vida.”
Quando abandonamos a ilusão de controle, abrimos espaço para a autenticidade. O objetivo não é deixar de se importar ou de planejar; é deixar de viver com medo. Porque a verdadeira liberdade não se trata de ter controle sobre tudo — trata-se de não precisar mais ter controle.
Este artigo foi publicado originalmente na revista Next Big Idea Club e é reproduzido com permissão. (Conteúdo original de Next Big Idea Club). Desfrute de nossa biblioteca completa de Resumos de Livros — lidos pelos próprios autores! — no aplicativo Next Big Idea.