Estes são os principais motivos que fazem profissionais trocarem de trabalho hoje

Empresas que investem de forma consistente em desenvolvimento e retenção tendem a reduzir perdas

produtividade digital e excesso de tecnologia no trabalho
Ccrédito: Marina113/ Getty Images

Joyce Canelle 2 minutos de leitura

Com mercado de trabalho aquecido e baixos índices de desemprego, empresas brasileiras enfrentaram um nível relevante de rotatividade voluntária no último ano.

Um levantamento da Robert Half mostra que, embora parte das organizações tenha conseguido manter estabilidade, fatores ligados a remuneração, crescimento profissional e qualidade de vida seguem determinantes para a saída de profissionais.

Os dados indicam que 37% das empresas registraram turnover inferior a 5% em 2025, enquanto 29% ficaram na faixa entre 5% e 10%. Já 25% enfrentaram taxas acima de 10%, o que revela que uma parcela significativa ainda encontra dificuldades para reter talentos.

Ou seja, comparando com 2024, quase metade das companhias manteve o mesmo nível de rotatividade. Mesmo assim, uma parte relevante relatou aumento, o que reforça que o equilíbrio ainda é frágil em um mercado mais competitivo.

O QUE MOTIVA OS DESLIGAMENTOS VOLUNTÁRIOS

A pesquisa mostra que os pedidos de demissão continuam diretamente ligados às oportunidades disponíveis no mercado. O principal fator apontado foi a busca por melhores oportunidades em outras empresas, citado por 70% dos entrevistados.

Em seguida, aparecem questões estruturais dentro das próprias organizações. A falta de perspectivas de crescimento foi mencionada por 32%, enquanto salários abaixo da média do mercado surgem com 28%.

Benefícios pouco competitivos também pesam na decisão, assim como o retorno ao trabalho presencial.

Outro ponto que ganha força é a qualidade de vida. A dificuldade de equilibrar trabalho e vida pessoal já aparece entre os fatores mais citados, indicando uma mudança no comportamento dos profissionais. Esse aspecto tem ganhado relevância à medida que o mercado oferece mobilidade.

Temas como reconhecimento e comunicação interna, embora ainda presentes, perderam espaço em relação a anos anteriores, sugerindo uma mudança nas prioridades dos trabalhadores.

MERCADO AQUECIDO AMPLIA O PODER DE ESCOLHA

Com índices de desemprego em níveis historicamente baixos, especialmente entre profissionais qualificados, o poder de decisão mudou de lado. Hoje, trabalhadores encontram mais facilidade para buscar melhores condições, seja em salário, benefícios ou flexibilidade.

Esse cenário contribui para uma rotatividade mais estratégica, em que a troca de emprego ocorre não apenas por insatisfação, mas como movimento planejado de carreira.

Empresas têm ampliado investimentos em retenção. Programas de desenvolvimento de carreira lideram as iniciativas, seguidos por treinamentos, capacitação e melhorias no ambiente de trabalho.

A revisão de salários e benefícios também ganhou força, assim como o uso mais estratégico de informações obtidas em entrevistas de desligamento, que ajudam a identificar padrões e corrigir falhas.

Para este ano, a expectativa é de manutenção da pressão sobre o turnover. A busca por qualidade de vida, o crescimento econômico e a ampliação de vagas devem continuar estimulando movimentações no mercado.

Ao mesmo tempo, empresas que investirem de forma consistente em desenvolvimento e retenção tendem a reduzir perdas e manter maior estabilidade em seus quadros de trabalho.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais