Grandes metas, pequenas chances: o sucesso não falha por acaso
Ou como aumentar suas chances sem contar com a sorte

Imagine que você decide correr uma maratona daqui a 90 dias. Você contrata um treinador, que já avisa logo de cara: não é o prazo ideal, mas, se você seguir o treino, a dieta e a rotina de sono à risca, estará pronto no dia da prova. Agora, se falhar em qualquer um desses três pontos, não conseguirá completar os 42,2 quilômetros com só três meses de preparação.
Vamos supor que você esteja razoavelmente confiante. Acha que tem 70% de chance de seguir o treino, 70% de manter a dieta e 70% de respeitar a rotina de sono. Mas quais são, de fato, as chances de tudo isso dar certo ao mesmo tempo?
A resposta não é nada animadora: 34,3%. Você precisa atender a três condições para ter sucesso. Separadamente, todas parecem bem prováveis. O problema é que elas precisam dar certo juntas. Quando essas probabilidades são colocadas lado a lado, o cenário muda completamente.
E estamos falando de uma meta simples. São só três coisas que precisam acontecer para que tudo dê certo. Agora pense em situações mais complexas, como abrir uma empresa de sucesso ou conquistar uma promoção concorrida.
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De repente, fica fácil entender por que a maioria dos negócios quebra e por que tanta gente não consegue cumprir nem as próprias promessas de ano-novo. Não é falta de sorte. É o resultado previsível de grandes metas combinadas com probabilidades ruins.
Mas isso não é motivo para desistir. É motivo para aprender a “hackear” as probabilidades. Aqui estão três maneiras de virar o jogo a seu favor.
1. Pense negativo: identifique tudo o que pode dar errado
Se você joga uma moeda para cima e escolhe cara, tem 50% de chance de acertar e 50% de errar. As metas da vida real são mais complexas, mas a lógica é a mesma.

A soma das probabilidades de todos os resultados possíveis é sempre 100%. Isso significa que, se você conseguir diminuir a chance de algo dar errado, automaticamente aumenta a chance de sucesso.
Muita gente evita pensar nos problemas. Prefere “pensar positivo”. Só que pensamento positivo não impede nada de dar errado. Preparação, sim. Quando você identifica os riscos, consegue se antecipar, ajustar o plano e reduzir as chances de fracasso de forma consciente.
2. Aumente suas chances tentando mais de uma vez
Ter 80% de chance de falhar não é tão terrível quanto parece. Isso quer dizer que, em média, você acerta uma vez a cada cinco tentativas. Um vendedor porta a porta ficaria muito feliz com esse índice. Bater em 200 portas por dia resultaria em 40 vendas.

Para algumas metas, tentar várias vezes não é possível ou faz pouco sentido. Mas, quando há muita incerteza, insistir costuma ser a forma mais confiável de avançar. Às vezes, não é preciso vencer as probabilidades – basta continuar jogando.
Thomas Edison só encontrou um filamento viável para a lâmpada depois de testar cerca de seis mil materiais diferentes. Foi um processo longo, nada glamouroso, mas que acabou lhe rendendo uma solução improvável – o bambu carbonizado – e várias patentes.
Grandes criadores seguiram uma lógica parecida. Mozart escreveu mais de 600 composições. Beethoven compôs mais de 700. Van Gogh produziu tanto que, por 10 anos, criou em média uma nova obra a cada 36 horas.
Ao contrário do que se costuma pensar, a quantidade não é inimiga da qualidade. Muitas vezes, é o caminho mais inteligente para aumentar as chances de fazer algo realmente bom.
3. Comece pelo ponto com menos chance de dar certo
Sua chance total de sucesso nunca será maior do que a da etapa mais difícil. Imagine que você precisa do aval de quatro gestores para tirar uma ideia do papel. Três têm 98% de chance de concordar. O quarto, só 10%. Como todos precisam dizer sim, sua chance final cai para 9,4% – nada animador.

Uma estratégia simples é falar primeiro com quem provavelmente vai dizer não. Por quê? Se essa pessoa topar, suas chances disparam. Se rejeitar a ideia, você economiza tempo e energia sem precisar passar pelos outros três. É uma forma inteligente de falhar rápido e focar em projetos que realmente têm chance de dar certo.
Em uma lógica de produção, atacamos o maior gargalo. Em uma lógica de probabilidade, atacamos o ponto mais improvável. Fazer isso de forma consistente ajuda a lidar com as derrotas e aumenta as chances de conseguir o que você quer.
Todo objetivo carrega dois números escondidos: a chance de dar certo e a chance de dar errado. Quando você aprende a aumentar o primeiro e reduzir o segundo, deixa de depender da sorte – e passa a construir resultados.