Levou uma rasteira no trabalho? O troco é dar a volta por cima

Se você for traído ou passado para trás, a melhor resposta é seguir de cabeça erguida

Crédito: Uniquepixel/ GettyImages

Stephanie Vozza 5 minutos de leitura

Se você já foi já foi prejudicado em benefício de outra pessoa no seu trabalho, então sabe como é doloroso levar esse tipo de rasteira. Talvez tenha saído como o culpado por algo que não fez. Ou talvez um colega tenha te exposto só para fazer média com alguém.

Kevin R. Kehoe levou uma rasteira nos negócios quando ele e seu ex-sócio estavam vendendo sua empresa, a Aspire Software. Sem o conhecimento de Kehoe e ainda durante as negociações, o sócio manteve discussões paralelas com os compradores. Kehoe pensou que lideraria a empresa após a aquisição, mas essa posição ficou para o sócio.

“Pensei que seria o CEO, mas acabei me tornando um presidente ‘decorativo’ e isso foi como uma traição”, relembra Kehoe, que narra essa experiência e muito mais no livro “One Hit Wonder: as aventuras reais de um cara comum e as lições que ele aprendeu ao longo do caminho. “Tecnicamente, não fui excluído, mas fiquei na geladeira, em uma posição que me dava pouco poder na prática. No mundo corporativo, situações como essa são muito frequentes.”

O QUE FAZER QUANDO TE DÃO UMA RASTEIRA

Uma vez que uma situação como essa acontece, não costuma haver muita negociação que possa muda a decisão tomada. Por mais que você se sinta pessoalmente ofendido, Kehoe aconselha que o melhor a fazer é aceitar o que já passou e encontrar um caminho para seguir em frente.

“Tente descobrir e entender o que realmente aconteceu”, sugere ele. “No meu caso, voltei e perguntei a eles qual tinha sido o raciocínio deles por trás daquelas decisões. Achei justo pedir essa explicação.”

Embora possa ser difícil deixar de lado seus sentimentos, não fique obcecado – isso nunca fez bem a ninguém, aconselha Kehoe. “Por mais que você se sinta tentado a buscar consolo e apoio em outros colegas, e por mais que queira convencê-los da sua razão, essa é a pior coisa a se fazer”, diz ele. “Não fique dando murro em ponta de faca e não fique remoendo as coisas.”

À medida que o tempo passa e que as coisas evoluem, pode ser que você perceba que algo melhor te esperava.

Se a situação faz você pensar em se demitir, Kehoe sugere ficar um pouco mais para ver o que vai acontecer. “Faça o melhor possível com o que sobrou para você”, sugere. “Talvez o que aconteceu não tenha sido essa catástrofe toda. À medida que o tempo passa e que as coisas evoluem, pode ser que você perceba que algo melhor te esperava – algo que você ainda não era capaz de enxergar naquele momento.”

Mas, se está mesmo decidido a pedir as contas, então faça isso de forma profissional. Kehoe diz que acabou sendo convidado a sair após a compra ser finalizada, mas essa mudança o levou a explorar oportunidades novas e melhores. “Saiba que você provavelmente terminará em um lugar melhor do que onde estava”, diz ele.

O QUE LEVAR DESSA EXPERIÊNCIA

Depois de digerir a situação, aprenda com ela. Kehoe diz que percebeu que a lealdade não pode ser cega. “Fui criado para levar a sério o lema ‘um por todos e todos por um’, mas sei que há limites para esse conceito”, diz ele. “As coisas mudam e talvez você não se encaixe mais.”

Também é importante perceber que algumas decisões são estritamente políticas. Por exemplo, Kehoe diz que as pessoas que tendem a discordar ou a trazer informações desagradáveis ​​não são vistas como membros da equipe. Algumas empresas querem manter apenas quem não destoa do resto. 

“Você não pode ser super sincero o tempo todo”, diz ele. “Perceba que, ao tentar crescer em uma empresa, sua competência pode soar como arrogância. Às vezes, a química com os colegas é o que importa mais.”

Kehoe alerta que as pessoas tendem a confiar demais umas nas outras. Sua dica é prestar muita atenção às pessoas próximas que podem tirar vantagens de você. Procure por sinais de alerta de que elas não são confiáveis.

o alerta final é quando alguém diz “não é nada pessoal. São apenas negócios.”

Eles aparecem, por exemplo, quando alguém não compartilha muitas informações sobre si mesmo, ou quando aceita receber os créditos por coisas que não fez. Sonde a percepção de gente de fora, que se preocupa com você. Kehoe conta que foi sua esposa quem notou que seu ex-sócio reivindicava o crédito por ideias que eram dele.

Embora geralmente seja tarde demais, o alerta final é quando alguém diz: “não é nada pessoal. São apenas negócios.” “Você precisa perceber que vão passar por cima de você alguma hora”, alerta Kehoe.

Entenda que você só pode controlar a si mesmo, quem você é e como lida com as coisas. “Essa ideia de trabalhar em equipe se torna de suma importância conforme se sobe na hierarquia das equipes executivas”, diz ele. “Por mais que não goste dessa ideia, a honestidade precisa ficar em segundo plano se você quiser se dar bem.”

E, por mais que você se sinta como a vítima, Kehoe lembra que é preciso dois para dançar um tango. “Certamente não sou só uma vítima, também contribuí para o que me aconteceu”, diz.

“Não tinha como adivinhar como eles estavam vendo aquela situação, mas me coloquei naquele lugar que lhes permitiu me dar uma rasteira.  Acho que, nesses casos, você precisa aceitar que desempenhou um papel no que aconteceu e, na medida em que pode controlar as coisas, passar a controlá-las. Se levar uma bela de uma rasteira de novo, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima – quanto antes, melhor!”


SOBRE A AUTORA

Stephanie Vozza escreve sobre produtividade e carreira na Fast Company. saiba mais