Marginalizados no trabalho: 5 dicas de como lidar com a situação

Em "As novas regras de trabalho para os marginalizados", o autor Alan Henry ensina como lidar com ambientes de trabalho tóxicos

Crédito: Mario Gogh/ Unsplash/| Surasak Suwanmake/ GettyImages

Yannise Jean 4 minutos de leitura

O que não falta são manuais de trabalho que trazem dicas para ajudar os funcionários a subir na hierarquia de uma empresa. O livro “Seen, Heard, and Paid: The New Work Rules for the Marginalized” (Seja visto, ouvido e pago: as novas regras de trabalho para os marginalizados, em tradução livre), escrito por Alan Henry, é um guia para funcionários marginalizados (negros, mulheres e membros da comunidade LGBTQ +) recuperarem seu poder de decisão no local de trabalho.

Embora seja verdade que a maioria tem pouco poder em comparação com seus empregadores, o abismo de poder aumenta ainda mais para aqueles de identidades marginalizadas. Alan Henry, ex-editor-chefe do LifeHacker e ex-editor da seção Smarter Living do “The New York Times”, passou algum tempo pensando sobre como os ambientes de trabalho para funcionários negros, como ele, levam a baixos salários e à falta de mobilidade na carreira.

A seguir, destacamos cinco regras essenciais para trabalhadores marginalizados:

CRIE UM ESPAÇO DE COLABORAÇÃO, NÃO DE COMPETIÇÃO

Henry observa que todos os funcionários que detêm mais poder devem tomar conhecimento de possíveis microagressões e combatê-las, agindo também contra outros fatores que culminam em um ambiente de competição e exclusão entre seus colegas de trabalho marginalizados.

Em seu livro, ele explica que a maioria dos trabalhadores marginalizados são excluídos dos grandes projetos – ou seja, justamente do tipo de projeto que costuma receber a visibilidade e o reconhecimento necessários para que seus participantes sejam agraciados com uma promoção ou aumento. Geralmente, eles são oferecidos a trabalhadores brancos e homens.

“Eu encorajaria os funcionários a mudar esse padrão e a convidar todo tipo de colega para trabalhar com eles, em vez de pegarem esses projetos apenas para si mesmos”, diz Henry.

USE O TRABALHO REMOTO A SEU FAVOR

A pandemia nos fez repensar não apenas a forma como trabalhamos, mas também o endereço onde o fazemos. Muitas empresas adotaram políticas de trabalho mais flexíveis. Mas, para marginalizados, o trabalho híbrido ou remoto pode acabar se tornando mais um peso.

Trabalhadores marginalizados costumam ficar de fora dos grandes projetos, justamente os que resultam em promoções.

A desigualdade dos locais de trabalho remotos se deve em parte a responsabilidades desproporcionais. Enquanto existem os “grandes projetos” mencionados acima, há também o trabalho ordinário de escritório, que faz parte do cotidiano da empresa – as tarefas de administração, como anotações e agendamento, que ajudam uma equipe a funcionar sem problemas, mas que raramente são valorizadas como um trabalho real.

“À medida que começamos a entender que uma semana de trabalho de quatro dias pode ser mais eficaz e que pode ser maravilhoso ter um horário flexível, certificar-se de que esses benefícios sejam igualmente aplicados a todos será fundamental para garantir que todos tenham sucesso”, diz Henry.

NÃO CAIA NA ARMADILHA DA PRODUTIVIDADE TÓXICA 

Quando você fica obcecado com a produtividade, passa tanto tempo buscando por novas dicas, métodos e ferramentas que acaba não tendo tempo para aplicar nenhum deles ao seu trabalho real. Ou deixa de se importar com o trabalho em si e acaba mais interessado em parecer produtivo. Vivek Haldar, ex-desenvolvedor do Google, chama isso de “vício em produtividade”.

Como gerente de projeto, Haldar experimentou muitas discussões sobre o eu quantificado, um conceito que sugere que, se você acompanhasse todos os detalhes quantificáveis ​​de sua vida, poderia aplicar a análise de dados para determinar, por exemplo, a melhor hora para almoçar.

“Essa cultura dos anos 2000 acabou se transformando na agitação do final dos anos 2010, que agora parece totalmente vazia e sem sentido”, diz Haldar. Estamos vendo os resultados disso na gig economia de hoje, onde todos nós somos encorajados a continuar em movimento e continuar trabalhando, independentemente de nossas necessidades ou desejos pessoais, e que está convenientemente nos forçando a fazê-lo simplesmente para sobreviver.

O VÍCIO EM PRODUTIVIDADE SÓ SERVE AOS PRIVILEGIADOS 

Haldar considera grande parte do vício de produtividade de hoje como verdadeiramente útil apenas para as pessoas com o privilégio de aproveitá-la. “Vejo muitos conselhos sobre

Somos encorajados a continuar trabalhando, independentemente de nossas necessidades ou desejos, só para sobreviver.

produtividade vindo de pessoas que já estão em uma posição confortável e que presumem que todos têm luxo de ter muito tempo (para construir e ajustar seu sistema), dinheiro (para obter todo esse equipamento legal) e sanidade.”

Os executivos de nível C geralmente podem se dar ao luxo de limpar seu calendário por uma semana para “redefinir” e recuperar seu foco e suas prioridades, algo que um funcionário de nível júnior a médio obviamente não consegue fazer.

APRENDA A VIRAR A PÁGINA

A onda de demissões voluntárias virou os locais de trabalho de cabeça para baixo. A maioria dos trabalhadores está aproveitando essa oportunidade para sair de um ambiente tóxico, seja para buscar melhores condições de trabalho, para mudar de carreira ou porque só precisa de uma pausa.

Henry dá dicas para trabalhadores marginalizados ajustarem seus hábitos no local de trabalho, mas também aconselha largar empregos que não sirvam mais.

“Se você está em um ambiente que o impede de demonstrar seu verdadeiro potencial, então é hora de pegar suas habilidades e ir para outro lugar, de acreditar no seu próprio poder. É importante derrubar esse tabu, porque as pessoas marginalizadas, especialmente as pessoas negras, são frequentemente socializadas para acreditar que já tiveram sorte de conseguir alguma coisa – e que, sendo assim, não deveriam ousar desejar mais”.


Adaptado de “Seen, Heard, and Paid”, de Alan Henry, com permissão da Rodale Books.


SOBRE A AUTORA

Yannise Jean é editora assistente da Fast Company. saiba mais