Mulheres ainda ganham 21,2% menos do que homens no ambiente corporativo

As empresas apontaram como principais justificativas para as diferenças salariais o tempo de experiência na empresa

mulheres sobrecarregadas com dupla jornada e falta de oportunidade ganham e investem menos
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Joyce Canelle 3 minutos de leitura

O Brasil registrou uma nova confirmação de desigualdade salaria entre homens e mulheres. A pesquisa apontou que que trabalhadoras recebem, em média, 21,2% a menos do que os homens nas empresas com 100 ou mais empregados. A diferença corresponde a R$ 1.049,67 por mês.

O levantamento integra o 4º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em parceria com o Ministério das Mulheres.

O estudo analisou 19.423.144 vínculos formais de trabalho com base nas informações da RAIS. Do total de vínculos, 30% pertencem a mulheres e 70% a homens.

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Foram consideradas 54.041 empresas com 100 ou mais funcionários. A remuneração média das mulheres ficou em R$ 3.908,76. Já a dos homens alcançou R$ 4.958,43.

As empresas apontaram como principais justificativas para as diferenças salariais o tempo de experiência na empresa, citado por 78,7%, o cumprimento de metas de produção, mencionado por 64,9%, e a existência de planos de cargos e salários, indicado por 56,4%.

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Representante da ONU Mulheres em Brasília, Ana Querino afirmou que o cenário brasileiro acompanha tendência global de desigualdade próxima de 20%. Segundo ela, a situação é mais grave para mulheres negras, que recebem 46% a menos do que homens brancos.

PARTICIPAÇÃO FEMININA

Apesar da disparidade salarial, a presença feminina no mercado de trabalho avançou. A proporção de mulheres ocupadas subiu de 40% em 2023 para 41,1% em 2025. O número de trabalhadoras passou de 7,2 milhões para 8 milhões.

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A massa de rendimentos femininos também aumentou e representa hoje 35% do total. Ainda assim, permanece abaixo da participação feminina na ocupação. Caso acompanhasse os 41,1%, a economia teria acréscimo estimado em R$ 92,7 bilhões.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que, entre o segundo trimestre de 2016 e o mesmo período de 2025, o total de mulheres ocupadas cresceu de 37,9 milhões para 44,6 milhões. Entre os homens, o avanço foi de 51,9 milhões para 57,7 milhões.

DIFERENÇAS POR RAÇA E PORTE DE EMPRESA

O relatório mostra que 39% das mulheres trabalham em empresas com mais de mil empregados, percentual superior ao dos homens nesse grupo, que é de 33,9%.

As desigualdades se ampliam quando se considera raça. A diferença nos salários medianos de admissão entre mulheres negras e homens não negros chega a 33,5%. Na remuneração média, a distância atinge 53,3%.

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Houve aumento no número de estabelecimentos com pelo menos 10% de mulheres negras no quadro de pessoal, passando de 29 mil para 35 mil. Também cresceu o total de empresas com diferença salarial de até 5% entre homens e mulheres.

ESTADOS COM MAIOR E MENOR DISPARIDADE

Paraná e Rio de Janeiro registram as maiores diferenças salariais, ambas com 28,5%. Em seguida aparecem Santa Catarina e Mato Grosso, com 27,9%, e Espírito Santo, com 26,9%.

As menores disparidades foram verificadas no Piauí, Amapá, Acre, Distrito Federal, Ceará e Pernambuco, onde a diferença varia entre 7,2% e 10,4%.

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FISCALIZAÇÃO E AÇÕES DE DIVERSIDADE

Em 2025, a fiscalização do Ministério do Trabalho realizou 787 ações, alcançando cerca de um milhão de trabalhadores, foram emitidos 154 autos de infração.

As empresas devem comprovar a divulgação do Relatório de Igualdade Salarial. Das organizações abrangidas, 38.233 acessaram o documento em outubro.

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No campo da parentalidade, 44% das empresas informaram oferecer flexibilidade de jornada. Licenças parentais estendidas aparecem em 20,9% das organizações e o auxílio-creche em 21,9%.

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Entre as políticas adotadas pelas empresas estão a promoção de mulheres, incentivo à contratação de mulheres negras, pessoas com deficiência, mulheres chefes de família, indígenas e vítimas de violência.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais