O Facebook Brasil e a EmpregueAfro anunciam, nesta terça-feira, 24, o lançamento do Projeto Goma. A iniciativa surgiu por meio da união de marcas, agências e entidades com o propósito de “acelerar a carreira de pessoas negras para posições de liderança.” Dentre os parceiros do projeto estão AlmapBBDO, Ambev, Blinks, Coca-Cola, FlagCX, GM, J&J, Magalu, Natura, Nestlé, Netflix, PepsiCo, Publicis, Raccoon, Santander, Stellantis, Suno, Unilever, Wieden Kennedy, Wunderman Thompson, AfarVentures, Pulsos, Indique Uma Preta, Samba Studio, Troublemakers e WMcCann.

De acordo com os fundadores, a iniciativa funcionará como uma plataforma de conhecimento aberta e gratuita para qualquer empresa ou profissional brasileiro interessado. O manifesto que explica o Goma aponta os dados do IBGE mostrando que, a cada 100 pessoas brasileiras, 56 são negras. No entanto, estão em apenas 5 das 100 posições de lideranças das 500 maiores empresas do Brasil. “47% das pessoas negras não sentem que pertencem ao ambiente em que trabalham, e 60% relatam já ter vivido discriminação racial no trabalho”, aponta o projeto.

Camila Novaes, da Visa, mentoria para quebrar barreiras (Crédito: Divulgação)

Diante da urgência do tema em relação à inclusão de profissionais negros, bem como o combate ao racismo estrutural, Fast Company Brasil ouviu pessoas envolvidas com projetos de mentoria para entender a prática como forma de contribuir no combate ao racismo estrutural. Levis Novaes, cofundador da agência criativa Mooc, e um dos mentores do Projeto Goma, afirma que as mentorias possibilitam que as pessoas encontrem o melhor de suas habilidades. “Acessos e ferramentas são pontos extremamente importantes para o desenvolvimento profissional, elementos que, por muito tempo, foram privados para a comunidade negra devido a questões que passam por racismo e preconceito, em alguns casos explicitamente, em outros, de forma subjetiva, mas todos resultando na falta de oportunidades”, explica.

Ainda de acordo com Levis, existe um ponto de virada começando pela equalização de disparidades existentes. “A tomada de decisão da comunidade negra tem impactado diretamente na relação cultural, comportamental e em resultados de negócios. Para que iniciativas como a Goma sejam concretas, elas devem ser de ordem prática e efetiva, com metas reais e transparentes. Muito além de promessas, as ações precisam acontecer agora. Os compromissos precisam acompanhar a velocidade das ambições de crescimento das empresas. Estruturar a expansão de mercado com base no desenvolvimento de profissionais negros significa a abertura para modelos de negócios que transcendem a ordem de grandeza atualmente pré-estabelecida”, conclui Levis.

Adriana Barbosa, CEO da PretaHub e uma das mentoras do Goma, reforça que a mentoria é de “extrema importância na caminhada da população preta, pois apoia na jornada com processos de aprendizagem e sobretudo com ampliação de networking, para minha experiência foi fundamental ter uma rede que me suportou com muitos saberes compartilhados e também com contatos que me ajudaram a chegar a lugares inimagináveis. O mentor é aquela pessoa que ajuda a trilhar o caminho, e também a encurta-lo, e ajudar a chegar a lugares e pessoas que serão importantes para a sua jornada.”

Levis Novaes, cofundador da agência criativa Mooc (Crédito: Divulgação)

QUEDA DE BARREIRAS ESTRUTURAIS

Camila Novaes, gerente de marketing da Visa e uma das lideranças dos programas de mentores da empresa, explica que a mentoria tem papel fundamental em ajudar a quebrar barreiras estruturais. “Falo isto pois vejo, tanto como mentora como mentorada, o quanto esta troca nos faz refletir sobre carreira e o que queremos. A mentoria é uma espécie de chamado para que a gente reflita sobre nosso papel e o que queremos fazer de nossas carreiras.  Sabemos que é nossa a responsabilidade de trilhar nossos passos profissionais, mas infelizmente, como pessoas negras, ainda vivenciamos o fato de virmos e lugares e trajetórias diferentes, e a mentoria, é uma ferramenta que auxilia neste processo”, destaca.

Astha Malik, da VTEX, troca de experiência e acesso à rede de apoio (Crédito: Divulgação)

Astha Malik, Chief Operating Officer (COO) da VTEX, empresa que, recentemente, anunciou um programa de capacitação para profissionais negros, o Black Tech Writer, entende que o processo de mentoria como uma importante ferramenta e muito efetiva no processo de introdução de mais profissionais negros no ecossistema digital, pois por meio dela, grupos ainda sub-representados podem se sentir acolhidos. “Além disso, a troca de experiências e conhecimentos inspira as pessoas que estão entrando na área e lhes proporciona uma rede de profissionais que, juntos, são capazes de promover um ambiente justo e equitativo para aprender, crescer e prosperar.”

SOBRE O AUTOR

Luiz Gustavo Pacete é editor-contribuinte da Fast Company Brasil