O que pesa mais nas demissões: IA ou trabalho remoto?

Pesquisa Gallup aponta que 25% dos entrevistados que perderam o emprego nos últimos meses atuavam no modelo remoto

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Louise Imber 2 minutos de leitura

Executivos de tecnologia têm apontado a inteligência artificial como a principal responsável pelas demissões em massa. Mas uma pesquisa recente da Gallup mostra que apenas 1% dos trabalhadores dispensados concorda com essa explicação.

O levantamento revela que a taxa de demissões se estabilizou em 21%, após quase triplicar entre 2022 e 2025. Os setores de tecnologia e o governo federal dos EUA aparecem entre os mais vulneráveis em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo.

Os profissionais que trabalham totalmente de forma remota também estão entre os mais expostos: 25% dos entrevistados que perderam o emprego atuavam nesse modelo.

Funcionários em regime híbrido e aqueles cujas funções poderiam ser desempenhadas remotamente, mas são exercidas presencialmente, registram índices de demissão semelhantes.

OBRIGAÇÃO DE VOLTAR AO PRESENCIAL ESTIMULA DEMISSÕES

A eliminação de vagas remotas pode servir como uma forma de reduzir o quadro de funcionários contratado em excesso durante o período pós-pandemia.

Uma pesquisa realizada pela BambooHR em 2024 nos EUA mostrou que um quarto dos executivos admitiu usar a determinação de retorno ao trabalho presencial como estratégia para incentivar demissões voluntárias.

Embora a maioria dos trabalhadores entrevistados afirme que suas empresas continuam contratando em vez de reduzir equipes, o setor de tecnologia foge dessa tendência.

Segundo o levantamento, 13% dos profissionais demitidos trabalhavam antes em empresas de tecnologia. Em maio de 2026, a Meta eliminou quase oito mil postos de trabalho, enquanto outras gigantes do setor, como Microsoft e Snap, também promoveram cortes.

Após reduzir aproximadamente 20% de sua força de trabalho, os cofundadores da Cloudflare, Matthew Prince e Michelle Zatlyn, atribuíram a decisão à mudança da empresa em direção à inteligência artificial.

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Funcionários do governo federal dos EUA também relatam níveis mais elevados de demissões: 38% afirmam que o órgão para o qual trabalham está reduzindo pessoal. Já trabalhadores de governos estaduais e municipais demonstram maior confiança na estabilidade de seus empregos.

chefes resistem a dar autonomia a funcionários
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Apesar da percepção dos trabalhadores, a inteligência artificial pode, de fato, estar por trás de parte dessas demissões.

A maioria dos entrevistados atribuiu os cortes à redução de custos, reestruturações e eliminação de cargos – justificativas que podem refletir os investimentos crescentes em infraestrutura de IA, especialmente nas empresas de tecnologia.

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A pesquisa também identificou outro padrão: trabalhadores que não utilizam inteligência artificial regularmente têm maior probabilidade de perder o emprego.

Segundo a Gallup, profissionais demitidos apresentavam 62% mais chances de evitar o uso de ferramentas de IA do que aqueles que continuavam empregados. Essa tendência foi observada em diferentes faixas etárias, níveis de escolaridade e setores da economia.


SOBRE A AUTORA

Louise Imber é estagiária da Fast Company. saiba mais