Qual é a idade mais triste da vida? Veja o que diz a ciência

Pesquisas revelam um padrão inesperado sobre bem-estar ao longo da vida

Homem pensativo
muitos indivíduos passam a ajustar expectativas e encarar limites pessoais e profissionais. Créditos: Freepik.

Guynever Maropo 2 minutos de leitura

A felicidade é um tema que desperta curiosidade ao longo da vida. Conforme as pessoas avançam pelas fases da infância, juventude, vida adulta e maturidade, surgem questionamentos sobre qual período traz mais satisfação e em que momento a tristeza se sobressai.

Pesquisas internacionais mostram que essa percepção não é aleatória e segue um padrão observado em diferentes países.

Segundo estudos liderados pelo economista David Blanchflower, professor do Dartmouth College, e divulgado na National Bureau of Economic Research (NBER) a satisfação com a vida costuma diminuir na meia-idade.

A análise reúne dados sociais, econômicos e psicológicos coletados em mais de 140 países e aponta um ponto específico em que o bem-estar atinge o nível mais baixo.

Leia mais: Quer profissionais mais criativos e eficientes? Busque na faixa dos 40+ aos 60+.

O QUE OS ESTUDOS IDENTIFICARAM

A pesquisa divulgada em 2020 indica que o menor nível médio de bem-estar ocorre entre os 47 e 48 anos.

Em países desenvolvidos, o pico da infelicidade aparece por volta dos 47,2 anos, enquanto em países em desenvolvimento a média sobe levemente para 48,2 anos.

O levantamento analisou dados de bem-estar de milhares de pessoas e mostrou que a sensação de satisfação cai progressivamente até a meia-idade.

O estudo descreve o chamado padrão da curva em U. Nesse modelo, os níveis de felicidade tendem a ser mais altos na juventude, caem ao longo da vida adulta e voltam a subir após os 50 anos, quando muitas pessoas relatam maior estabilidade emocional.

POR QUE A MEIA-IDADE É MAIS SENSÍVEL

De acordo com Blanchflower, a fase próxima aos 50 e poucos anos concentra pressões financeiras, responsabilidades familiares e expectativas profissionais que nem sempre se concretizam. Esse conjunto de fatores aumenta a vulnerabilidade emocional, especialmente entre pessoas com menor escolaridade, instabilidade no emprego ou pouca rede de apoio.

A pesquisa ressalta que, nesse período, muitos indivíduos passam a ajustar expectativas e encarar limites pessoais e profissionais de forma mais realista, o que pode influenciar a percepção de bem-estar.

Leia mais: Baby boomers entram de vez no mundo dos influenciadores digitais

OUTRA PERSPECTIVA

Em um estudo mais recente, publicado em fevereiro de 2025 com foco em países de língua inglesa, Blanchflower identificou uma mudança relevante. Os dados mostram que a felicidade tende a aumentar com a idade, enquanto jovens entre 18 e 24 anos apresentam níveis mais altos de tristeza e melancolia do que adultos de 40 ou 50 anos.

Esse resultado sugere uma transformação no padrão observado anteriormente e aponta para uma crise de bem-estar entre os mais jovens, possivelmente associada a fatores como insegurança econômica, redes sociais e mudanças no mercado de trabalho.

Os pesquisadores destacam que, apesar das tendências globais, a experiência de felicidade varia de pessoa para pessoa. A curva em U representa uma média populacional e não determina o que cada indivíduo vai sentir ao longo da vida.

VOCÊ PODE SE INTERESSAR TAMBÉM:

Compreender esses padrões ajuda a orientar políticas públicas e iniciativas voltadas à saúde mental, considerando diferentes fases da vida. Identificar a fase mais sensível não tem como objetivo rotular trajetórias pessoais, mas ampliar o entendimento sobre como emoções e bem-estar evoluem com o tempo e com a idade.


SOBRE A AUTORA

Jornalista, pós-graduando em Marketing Digital, com experiência em jornalismo digital e impresso, além de produção e captação de conte... saiba mais