Empresa testou semana de 4 dias mas funcionários trabalhavam escondido na sexta
A experiência da Safeguard Global mostra os desafios de substituir a tradicional semana de cinco dias por uma jornada mais curta

Quando a Safeguard Global, empresa de gestão de força de trabalho sediada em Austin, no Texas, testou a jornada de trabalho de quatro dias em 2023, o objetivo era melhorar o recrutamento e a retenção de funcionários.
No começo pareceu um sucesso, no entanto, mas logo o experimento começou a enfrentar problemas. Alguns funcionários frequentemente trabalhavam até tarde para preservar a sexta-feira como um “dia de folga”.
Outros usavam a sexta-feira para colocar o trabalho em dia às escondidas. E alguns dos que seguiam rigorosamente a jornada de quatro dias sentiam que estavam ficando para trás.
“Não era a cultura que queríamos criar”, disse recentemente à "Fortune" Bjorn Reynolds, CEO e fundador da Safeguard Global.
Desde então, a empresa mudou de estratégia e passou a dar a seus cerca de mil funcionários a opção de escolher seus próprios horários e dias de trabalho, algo que Reynolds descreveu como uma cultura de “liberdade e escolha”.
“Escolha os horários que funcionam melhor para o trabalho que você precisa entregar”, disse. “Se conseguir fazer isso em quatro dias, ótimo; se fizer em cinco [dias], mas tirar dois meios períodos de folga, tudo bem. O que funcionar para você.”
Nos últimos anos, a jornada de quatro dias passou de uma ideia marginal a um experimento sério, junto com as políticas de retorno ao trabalho presencial e o trabalho flexível – algumas das questões mais debatidas no ambiente profissional pós-pandemia.
Os defensores apontam evidências de que a jornada de quatro dias pode melhorar o bem-estar dos funcionários, aumentar a produtividade e até favorecer a adoção de tecnologia.
MÉTRICAS DE DESEMPENHO
Um número cada vez maior de empresas nos Estados Unidos e na Europa tem experimentado semanas de trabalho mais curtas e muitas delas mantiveram o modelo depois do período de teste inicial.
A ideia parece ser particularmente popular entre os trabalhadores da geração Z e começou a ganhar força também entre formuladores de políticas públicas.
No entanto, a jornada de quatro dias ainda está muito longe de substituir a semana de cinco dias. Experiências como a da Safeguard Global mostram que ainda não há consenso sobre sua real eficácia.
Leia mais: A tecnologia pode nos ajudar a resgatar a nossa humanidade
O recuo da Safeguard em seu experimento levou Reynolds a acreditar que os gestores deveriam se concentrar mais nos resultados do que nas horas trabalhadas. A empresa monitora seus funcionários por meio de três métricas de desempenho, que variam de acordo com a função.
O ponto-chave é garantir que os funcionários entendam como essas métricas contribuem para os objetivos mais amplos da empresa. “Como a produtividade ou os resultados diários de cada pessoa se conectam a uma iniciativa mais ampla?”, diz Reynolds. “Procuramos nos certificar de que você entenda que aquilo que faz é muito importante e qual é o seu lugar dentro da organização.”