Quem está se sentando à mesa enquanto você decide o futuro?
Um dos ativos mais valiosos da nova economia serão pessoas capazes de conectar mundos

Logo no primeiro dia da VII Brazilian Week – realizada esta semana, em Nova York – algumas coisas já ficaram impossíveis de ignorar.
Líderes brasileiros que parecem inacessíveis no dia a dia se abrem de outro jeito quando estão no contexto certo. Negócio é leitura de ambiente. É saber a hora de chegar, a hora de calar, a hora de ouvir. É transformar presença em visão, não em performance.
Mas uma coisa me chamou atenção: muitas mulheres ainda chegam nesses espaços como acompanhantes, quando poderiam estar ocupando a conversa como protagonistas também.
Talvez a grande mudança agora nem seja mais estrutural. O mercado já entendeu o valor econômico da presença feminina. Empresas que não perceberem isso vão ficar para trás.
Diversos estudos mostram que mulheres influenciam mais de 70% das decisões de consumo e hoje representam um dos ativos financeiros e estratégicos mais relevantes para o crescimento de negócios.
A questão, muitas vezes, já não é mais falta de espaço. É falta de percepção da própria potência.
Eu mesma cheguei insegura. E bastaram dois dias para perceber uma coisa simples: ninguém está impedindo mulheres de participar dessas rodas. Mas muitas ainda entram se sentindo visitantes, quando poderiam entrar como parte legítima da construção.
As mulheres que acompanham seus maridos, famílias ou grupos empresariais nesses eventos têm repertório, visão, leitura social e capacidade de conexão gigantesca. Precisam aparecer mais. Participar mais. Se colocar mais.
Porque relacionamento, influência e construção de confiança também movem negócios. E esse pode ser um dos ativos mais valiosos da nova economia: pessoas capazes de conectar mundos.

Outra coisa que me marcou foi observar os sucessores ocupando esses espaços naturalmente. Filhos acompanhando pais, aprendendo dinâmica, linguagem, postura e visão de longo prazo antes mesmo de assumirem qualquer cadeira formal.
Isso diz muito sobre legado. Sucessão não começa quando alguém assume uma empresa. Começa quando a próxima geração passa a conviver com os ambientes onde o futuro é discutido.
Minha filha Maria está chegando também. E mais do que sucessora dos negócios, ela será sucessora de valores, relações e da história que nossa família construiu.
relacionamento, influência e construção de confiança também movem negócios.
A WGSN vem mapeando uma coisa que conecta tudo isso: 70% dos consumidores querem pertencer a algo maior. Querem estar em salas onde a conversa tem peso. Querem empresas e líderes que não ficam encenando futuro, que constroem futuro.
Isso vale para consumidor. Mas vale ainda mais para liderança.
Tem algo que não abro mão de falar: a maior força de eventos como esse é lembrar que crescimento raramente acontece sozinho. Negócios nascem de relacionamento. De troca. De convivência. De confiança construída em conversas que muitas vezes acontecem fora do palco.
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A pergunta mais importante para qualquer líder hoje é: quem está sentado à mesa construindo o futuro com você?