Recrutadores estão afastando candidatos da geração Z

Além de um mercado difícil, jovens enfrentam recrutadores que somem, processos seletivos longos e entrevistas que levantam dúvidas sobre as próprias empresas

Geração Z enfrenta dificuldades para entrar no mercado de trabalho
Créditos: mast3r/ Adobe Stock/ Katrin Bolovtsova/ Pexels

Sage Swaby 4 minutos de leitura
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O caminho até um emprego continua cada vez mais longo para os candidatos da geração Z, que enfrentam um mercado de trabalho frustrante. Quando conseguem uma entrevista, muitos dizem se deparar com várias rodadas de conversas, longos períodos de testes práticos ou recrutadores que simplesmente deixam de responder.

Parece que ouvimos cada vez mais sobre o que os candidatos da geração Z estão fazendo de errado e menos sobre como o comportamento dos recrutadores está fazendo com que esses profissionais percam a esperança.

Durante e depois das entrevistas de emprego, os candidatos enfrentam uma série de obstáculos, enquanto alguns aguardam, tensos, o que pode ser a última gota.

“O que mais me frustra é receber uma ligação de volta para uma entrevista ou triagem, perceber que existe interesse em me contratar – e depois ser ignorado por uma ou duas semanas”, diz Patrick Daniel, candidato a uma vaga de emprego de 23 anos que mora em Atlanta, no sul dos EUA.

“Depois de enviar referências, manter contato com o recrutador e até demonstrar conhecimento sobre a empresa”, Daniel diz que simplesmente fica sem resposta.

Repetir essa experiência desanimadora afetou a maneira como Daniel conduz sua busca por emprego. No último ano, ele decidiu se concentrar em networking e interações presenciais, seja com recrutadores ou com ex-alunos das instituições de ensino que frequentou.

Ele não está sozinho. Um relatório recente da plataforma de carreira e criação de currículos online LiveCareer descobriu que, entre mil trabalhadores nos Estados Unidos, 45% afirmam que um potencial empregador parou de se comunicar com eles depois que entraram no processo de contratação.

De fato, candidatos a vagas estão enfrentando ghosting em todas as etapas do processo. O relatório da LiveCareer constatou que 19% foram ignorados depois do contato inicial, 22% após uma ou mais entrevistas, 12% depois de concluir um teste de habilidades e 13% depois de serem informados de que receberiam uma oferta.

A dica sobre entrevista de emprego é de um atual CEO
Frases genéricas já estão "batidas" Foto: Freepik

Uma comunicação rápida é fundamental para quem busca emprego. Segundo um relatório recente da ZipRecruiter, baseado em 1,5 mil candidatos a vagas nos Estados Unidos, 49% esperam receber uma resposta do empregador em até três dias depois de se candidatar.

Além disso, 67,9% dos candidatos gostariam que os empregadores dessem uma resposta rápida, fosse ela positiva ou negativa. Receber uma resposta boa ou ruim em um prazo razoável permite que os candidatos sigam em frente e concentrem seus esforços na comunicação com outros empregadores.

Mas, para os jovens da geração Z, muitos dos quais estão tentando iniciar de fato suas carreiras, esse tempo pode parecer especialmente precioso, enquanto o desânimo com a busca por emprego continua aumentando.

UMA ENTREVISTA DESANIMADORA APÓS A OUTRA

O ghosting não é o único pecado cometido por recrutadores e potenciais empregadores quando se trata de contratar integrantes da geração mais jovem da força de trabalho.

Uma candidata da geração Z publicou no TikTok sobre uma pergunta pouco profissional que recebeu recentemente durante uma entrevista para uma vaga na área de pesquisa clínica em uma startup de pesquisas sobre insônia.

“[A entrevistadora] disse: ‘Sim, eu assisti à sua entrevista em vídeo’”, conta a usuária do TikTok. “‘Então vamos às perguntas. O que há de errado com você?’”

Metade dos candidatos espera receber uma resposta do empregador em até três dias depois de se candidatar à vaga.

A pergunta deixou a candidata chocada, e ela a classificou como absurda. A entrevistadora continuou dizendo que a vaga precisava ser ocupada por alguém com boa personalidade, já que as últimas pessoas contratadas eram incompetentes. Para a usuária do TikTok, a entrevista foi um exemplo de por que ninguém gosta de startups.

Algumas empresas também não têm oferecido uma boa imagem quando o assunto são entrevistas ou processos seletivos. Uma startup do Y Combinator chegou a prometer entrevistas a candidatos que fizessem tatuagens permanentes em uma ação de recrutamento que acabou provocando discussões reais sobre exploração no mercado de trabalho.

Candidata a uma vaga de emprego, Maame Asante, de 25 anos que mora em Nova York, passou recentemente por uma entrevista em uma conhecida escola pública independente, na qual recebeu comentários em tempo real.

Durante a entrevista com a diretora da escola, Asante conta: “ela disse que eu tinha uma voz monótona e que estava sendo mais expressiva do que eu”.

O comentário a incomodou porque, segundo ela, não tinha relação com sua capacidade de desempenhar a função para a qual estava sendo entrevistada. Depois disso, Asante diz que a entrevista terminou bem antes do previsto.

Em um mercado de trabalho que já é historicamente difícil para quem busca as primeiras oportunidades profissionais, muitos integrantes da geração Z continuam se deparando com recrutadores ou gestores de contratação que parecem simplesmente não levar os candidatos a sério.

Um relatório da Aptitude Research, baseado em dados coletados em 2024, constatou que 82% dos recrutadores perderam talentos por causa de um processo de entrevista ruim e destacou problemas relacionados à padronização, ao viés e à consistência.

Uma experiência negativa em uma entrevista pode fazer com que um candidato desista de continuar concorrendo à vaga.


SOBRE A AUTORA

Sage Swaby é jornalista e colaboradora da Fast Company. saiba mais