Será que pessoas bem-sucedidas tomam menos decisões, como diz Bezos?
Entenda como tomar menos decisões diariamente pode aumentar a qualidade dos seus resultados

O fundador e CEO da Amazon, Jeff Bezos, é amplamente reconhecido pela aplicação da "regra dos 70%", um princípio que prioriza a agilidade na tomada de decisões mesmo diante de informações incompletas.
Essa mentalidade reflete o desafio cotidiano de quem gere pequenas empresas, onde o líder frequentemente se vê diante de dezenas de escolhas importantes.
Nesse cenário, o gestor precisa decidir constantemente entre reduzir a qualidade ou perder um prazo, responder prontamente à reclamação de um cliente ou aguardar a resolução natural do problema, e intervir no comportamento de um funcionário ou adiar a questão.
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Gerir uma pequena empresa provavelmente faz com que o empreendedor sinta que toma dezenas de decisões todos os dias. Se deve reduzir a qualidade ou perder um prazo de entrega. Se deve responder à reclamação de um cliente ou esperar que o problema se resolva sozinho e abordar o comportamento de um funcionário ou adiar a questão.
Depois, há ainda todas as decisões pessoais. Se é preciso levantar e começar o dia, ou apertar o botão soneca. Se é melhor descartar a comida preparada ou sair para almoçar. Se o foco deve ser continuar trabalhando duro ou fazer exercícios.
Nenhuma dessas questões realmente são decisões, uma vez que já se sabe o que deveria ser feito. Quase tudo que se "decide" já tem uma resposta. Problema de qualidade? Resolva. Reclamação de cliente? Responda. Funcionário com baixo desempenho? Aborde o comportamento agora; um problema de desempenho raramente se resolve sozinho.
COMO FUNCIONA NAS DECISÕES PESSOAIS
O mesmo vale para as “decisões” pessoais. Os nove minutos de sono que se consegue depois de apertar o botão soneca não são reparadores; é melhor programar o alarme para nove minutos depois. (Ou ir para a cama mais cedo.)
A comida preparada é, ou deveria ser, parte integrante de um estilo de vida saudável; sair para almoçar quando não estava planejado quase nunca é melhor para o indivíduo. E quanto aos exercícios? Exercitar-se pode ser uma vantagem competitiva física (e mental).
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Essa é a beleza dos processos e rotinas. Regras não são restritivas. Regras são libertadoras, porque livram o indivíduo da necessidade de tomar “decisões”. Com o tempo, essas ações se tornam hábitos.
Aí, definitivamente, não é preciso tomar uma decisão, porque hábitos são feitos sem esforço. (Tanto para o bem quanto para o mal, obviamente.) Em vez de desperdiçar energia mental e força de vontade “escolhendo”, tudo o que se precisa fazer é agir.
"Se o líder tomar três boas decisões por dia, já é o suficiente, e elas devem ser da melhor qualidade possível."
Jeff Bezos
Como diz Jeff Bezos, um líder não é pago para tomar milhares de decisões todos os dias. Ele é pago para tomar um pequeno número de decisões de alta qualidade. Como Bezos diz:
"É preciso pensar dois ou três anos à frente, e se o pensamento for esse, por que seria necessário tomar cem decisões hoje? Se o líder tomar três boas decisões por dia, já é o suficiente, e elas devem ser da melhor qualidade possível. Warren Buffett diz que está bem se tomar três boas decisões por ano, e eu realmente acredito nisso".
É evidente que existe uma enorme diferença entre tomar três boas decisões por dia e três boas decisões por ano. No entanto, essa diferença também é fácil de explicar.
Lançar uma startup, assim como começar qualquer coisa do zero, exige tomar inúmeras decisões. Infraestrutura, marca, estratégias de precificação, estratégias de marketing... tudo está em aberto. É impossível "trabalhar no futuro" quando não se resolveu o presente.
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DEPOIS DA DECISÃO
Mas, uma vez tomada a decisão, não é mais preciso "decidir". A menos que haja evidências de que a escolha estava errada e precise ser revista, tudo o que se precisa fazer é agir. Com o tempo, o número de decisões que precisam ser tomadas diariamente deve diminuir rapidamente.
Isso significa que o gestor pode concentrar toda essa energia mental em tomar decisões estratégicas em vez de táticas. É possível se concentrar em tomar decisões que definirão o rumo dos próximos meses, ou até mesmo anos. Lançar uma nova linha de produtos ou não. Abrir uma nova filial ou não.
Para dar novos rumos à vida - saúde, educação, relacionamentos, etc. - ou não.
Tomar menos decisões (ou melhor ainda, revisitar constantemente um número menor de decisões) libera a pessoas para pensar nas coisas que farão a maior diferença na vida profissional e pessoal. Jeff Bezos diz que ao pensar dessa forma, realmente não é preciso tomar mais do que três boas decisões por ano.
Principalmente se essas decisões ajudarem a pessoa a se tornar a pessoa que deseja ser e a construir a vida que realmente quer viver. (Jeff Haden/Inc Magazine)