Seu chefe pode ser o maior inimigo da sua carreira

Os gestores muitas vezes detêm um poder desproporcional sobre a mobilidade na carreira

Seu chefe pode ser o maior inimigo da sua carreira
Prostock-Studio,wacomka eNastco via Getty Images

Jenny Fernandez e Kathryn Landis 5 minutos de leitura

Imagine este cenário: um profissional dedica horas de trabalho, entrega resultados e conquista o respeito dos colegas. Mas, quando se trata de subir na carreira, o maior obstáculo não é o desempenho ou as normas da empresa, e sim o seu chefe.

Os gestores muitas vezes detêm um poder desproporcional sobre a mobilidade na carreira e pesquisas mostram que eles são os responsáveis por decidir quem avança e quem fica estagnado.

A Gallup descobriu que os gestores respondem por até 70% da variação no engajamento, e metade dos empregados afirma ter deixado o emprego para escapar da gestão.

Soma-se a isso o fato de que as empresas falham em escolher a pessoa certa para o cargo em 82% dos casos, e fica claro chefes ruins acabam custando bilhões às organizações em perda de produtividade, crescimento estagnado e rotatividade.

Leia mais: Ninguém mais quer ocupar cargos de chefia, e não é difícil entender o por quê

Considere o caso de Tiffany, diretora sênior em uma empresa global de bens de consumo. Após anos de excelente desempenho, ela estava ansiosa para assumir um cargo de vice-presidente. O histórico falava por si só: ela construiu equipes de alto desempenho, liderou iniciativas que impulsionaram o faturamento e recebeu elogios em toda a organização.

No entanto, sempre que uma nova oportunidade surgia, o chefe a rejeitava. "Ainda precisamos de você aqui. Vamos conversar sobre isso no ano que vem". Tiffany percebeu que precisava olhar além do gerente imediato para progredir na carreira.

Esse cenário é visto repetidas vezes. Quando o chefe bloqueia uma promoção, é tentador encarar a situação como um beco sem saída. Mas existe mais poder de ação do que se imagina.

Estas 6 estratégias podem ajudar a mudar essa dinâmica, expandir a influência e traçar um caminho para o futuro, seja dentro da organização atual ou fora dela. Confira:

1. TORNAR-SE DISPENSÁVEL CONSTRUINDO UMA SUCESSÃO

Um dos motivos mais comuns pelos quais os gerentes adiam promoções é que não conseguem imaginar perder o melhor colaborador. Os gerentes frequentemente bloqueiam promoções para evitar enfraquecer a própria equipe.

Para superar isso, o profissional deve inverter a situação, tornando-se substituível ao demonstrar que está desenvolvendo outras pessoas que podem assumir partes do papel atual. É preciso construir uma reserva de sucessores, delegar tarefas desafiadoras e documentar os processos para que o líder possa visualizar uma sucessão sem interrupções.

Questões para reflexão:

  • Quem poderia assumir o lugar amanhã em caso de saída?
  • Do que o chefe depende, e quem poderá apoiá-lo após a promoção?
  • Como os outros membros da equipe estão sendo preparados para prosperar sozinhos?

Quando o chefe de Tiffany argumentou que ela não poderia ser promovida até que "ampliasse o impacto", ela criou uma matriz de planejamento de sucessão. A questão não era sair imediatamente, mas mostrar uma abordagem estruturada para formar líderes, eliminando a desculpa da gestão.

2. CONSTRUIR ALIANÇAS E PARCERIAS ALÉM DO GERENTE

Aqueles que estão fora do círculo de confiança do gerente são frequentemente excluídos da promoção. Não se pode depender exclusivamente de uma única pessoa. As promoções dependem tanto da política organizacional quanto do desempenho.

O ideal é identificar de cinco a sete tomadores de decisão e realizar uma auditoria de reputação para entender como o impacto do trabalho é percebido. Um erro comum é confiar apenas em mentores; também é necessário ter patrocinadores que defendam o profissional em conversas privadas.

Leia mais: Horário super flexível, a nova fonte de discórdia entre chefes e funcionários.

3. REFORMULAR O SUCESSO COMO SUCESSO COMPARTILHADO

Alguns gestores resistem a promover talentos porque se sentem ofuscados ou sabotam colaboradores talentosos para proteger o próprio status. Para reduzir essa ameaça percebida, o sucesso do liderado deve ser apresentado como o sucesso do líder.

Mudar a narrativa significa encarar as vitórias como conquistas da equipe. Reconhecer o papel do gestor em reuniões de liderança mostra como a ascensão profissional reflete a boa gestão dele. Tiffany passou a dizer "Nossa equipe alcançou esse marco com a orientação do meu gerente", o que melhorou a relação.

4. DEMONSTRAR LIDERANÇA ALÉM DAS FUNÇÕES

Promoções sinalizam prontidão para um escopo mais amplo. Envolver-se em prioridades de nível corporativo e projetos multifuncionais demonstra que o profissional já atua em um nível superior. Tiffany liderou uma força-tarefa de alta visibilidade alinhada às prioridades da diretoria, o que reformulou a maneira como os líderes seniores percebiam sua prontidão.

5. ASSUMIR O CONTROLE DO PRÓPRIO DESENVOLVIMENTO

Muitos gestores não são proativos no desenvolvimento de subordinados. Esperar que eles definam o caminho pode estagnar o crescimento.

O profissional deve assumir o controle da carreira: buscar projetos desafiadores, solicitar feedback direcionado e investir no próprio aprendizado, em vez de depender do interesse do gerente.

Tiffany buscou formação externa e trabalhou com um coach executivo. Essa abordagem proativa tornou o crescimento inegável e menos dependente da decisão do gestor.

Leia mais: Como o trabalho remoto impacta seu relacionamento com os chefes.

6. SABER QUANDO É HORA DE SEGUIR EM FRENTE

Apesar de todos os esforços, alguns gestores continuarão a ser obstáculos. Se o sistema constantemente nega a ascensão, é necessário avaliar se é hora de procurar outro lugar. Uma transferência lateral ou uma oportunidade externa podem reacender a trajetória. Não se deve confundir lealdade com estratégia.

Para Tiffany, o ponto de virada foi perceber que a relutância do chefe não era passageira. Munida de um plano claro e fortes relacionamentos, ela explorou opções externas e assumiu um cargo de vice-presidente em uma concorrente.

VOCÊ PODE SE INTERESSAR TAMBÉM:

Quando o chefe bloqueia uma promoção, a sensação pode ser pessoal, mas muitas vezes trata-se de política interna ou lacunas estruturais. Ao preparar sucessores, cultivar contatos e investir no próprio crescimento, o profissional amplia as opções e recupera o controle da carreira. Um caminho bloqueado não precisa ser o fim da linha, mas o começo de uma nova jornada.

Com informações de Jenny Fernandez e Kathryn Landis reportagem da Fast Company.


SOBRE A AUTORA

Jenny Fernandez é professora da Universidade Columbia e da Universidade de Nova York, coach executiva e especialista em desenvolviment... saiba mais