Síndrome do impostor? A inteligência emocional pode ser o antídoto

Quanto mais você estiver em contato com seu mundo emocional, melhor lidará com a insegurança

Síndrome do impostor? A inteligência emocional pode ser o antídoto
Anton Vierietin via Getty Images

Harvey Deutschendorf 4 minutos de leitura

A síndrome do impostor ocorre quando temos a sensação de que não merecemos o que conquistamos, temendo sermos descobertos como farsantes ou impostores.

Nossos sucessos, dizemos a nós mesmos, não foram alcançados por meio de nossas habilidades e talentos reais, mas por uma combinação de sorte, oportunidade e erros cometidos por outros que nos permitiram passar despercebidos. Ninguém está imune a esse sentimento, e ele afeta todos os segmentos da sociedade — de líderes, artistas e atores a pessoas que consideramos exemplos de sucesso.

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Sheryl Sandberg, formada em Harvard e ex-diretora de operações do Facebook, escreveu em seu livro de 2013, Lean In: “Toda vez que eu fazia uma prova, tinha certeza de que tinha ido mal. E toda vez que eu não me envergonhava — ou até mesmo me saía bem — eu acreditava que tinha enganado todo mundo mais uma vez. Um dia, em breve, a farsa seria descoberta.” Sandberg se junta a uma longa lista de pessoas famosas que admitiram abertamente se sentir assim.

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL PODE AJUDAR

Mas a inteligência emocional nos oferece ajuda e orientação para superar esse problema generalizado, porém muito comum. Geralmente entendida como a capacidade de reconhecer, compreender e gerir as nossas emoções, a inteligência emocional dá-nos a capacidade de compreender a nós próprios e aos outros de formas que aumentam a nossa capacidade de lidar com pensamentos e sentimentos desagradáveis.

Mão segurando desenho de cérebro
Créditos:Freepik.

Como autora de dois livros sobre inteligência emocional, escrevi bastante sobre o assunto. Quando vivenciamos a síndrome do impostor, ela nos fornece diretrizes e ferramentas que nos ajudam a superar os impactos negativos que a acompanham. Em vez de nos deixarmos levar pela insegurança, passamos a acolher o nosso sucesso.

AUTOCONSCIÊNCIA E A VOZ INTERIOR

A autoconsciência, a raiz da inteligência emocional, é uma ferramenta poderosa para determinar como lidamos com a insegurança e nossa voz interior. Quando temos autoconsciência, aprendemos a criar um espaço entre o que sentimos e o que sabemos serem fatos. Podemos escolher sentir medo e insegurança sem aceitá-los como baseados na realidade. Isso nos permite escolher pensamentos que reforcem a ideia de que realmente conquistamos nossos resultados.

Pessoas com alta inteligência emocional têm a capacidade de se relacionar e se conectar bem com os outros. Ao compartilhar suas dúvidas, elas logo percebem o quão comum esse problema é, o que lhes permite normalizar seus sentimentos em relação à questão.

Isso lhes proporciona alívio, pois sabem que o que estão vivenciando não é nada fora do comum, nem motivo para medo ou estresse excessivo. Saber que muitas outras pessoas passam pela mesma situação diminui bastante a sensação de estarmos sozinhos nessa experiência.

PERFECCIONISMO E AUTOCRÍTICA EXCESSIVA

Uma das características das pessoas que lutam contra a síndrome do impostor é a tendência a serem muito duras consigo mesmas. Isso se aplicava a Suzanne Smith, professora universitária e CEO da empresa de gestão de organizações sem fins lucrativos Social Impact Architects, que se descreve como uma “perfeccionista em recuperação”.

Como Smith diz aos seus alunos de empreendedorismo: “A síndrome do impostor não prova que você é incompetente. Muitas vezes, é uma evidência de que você está crescendo.” Ela passou a última década aprimorando sua consciência emocional dessa tendência e praticando intencionalmente o diálogo interno positivo.

Agora, ela compartilha essa jornada com seus alunos, clientes e leitores de sua newsletter semanal no Substack, ajudando-os a diferenciar entre percepção e realidade para construir hábitos mais saudáveis. Frequentemente, quando somos muito duros conosco mesmos, significa que estamos dando pouca atenção aos nossos pontos fortes e, em vez disso, amplificando nossas fraquezas.

EMPATIA E AUTOCOMPAIXÃO

A empatia, um aspecto fundamental da inteligência emocional, nos ajuda não só a enxergar com mais clareza os pontos fortes dos outros, mas também a reconhecer nossas próprias habilidades e a nos tratar com compaixão quando não atingimos nossos objetivos.

Ela nos ajuda a reconhecer que estamos em constante evolução e a entender que contratempos e fracassos são parte normal do processo de aprendizagem. Permite-nos ver nossas conquistas não com arrogância, mas como resultado de nossa determinação e crescimento contínuo.

REGULAÇÃO EMOCIONAL E CONTROLE DA ANSIEDADE

Uma das habilidades da inteligência emocional é a capacidade de regular nossas emoções. A síndrome do impostor pode gerar fortes sentimentos de ansiedade, levando-nos a nos prepararmos em excesso ou a evitar situações para não termos que lidar com emoções intensas.

Pessoas que sabem regular suas emoções conseguem impedir que pensamentos e sentimentos dominem sua capacidade de pensar racional e logicamente. Elas desenvolveram a habilidade de se lembrar de momentos em que superaram com sucesso situações estressantes e de pensar em situações que terminaram bem.

Pessoas emocionalmente inteligentes usam contratempos e fracassos como oportunidades de aprendizado, em vez de encará-los como algo pessoal, como indicadores de que algo lhes falta. Elas entendem que, muitas vezes, pessoas muito bem-sucedidas já fracassaram diversas vezes. Essa forma de pensar se torna útil quando a síndrome do impostor se instala.

Mas quando isso acontece, podemos olhar para trás e ver que nosso progresso indica persistência, determinação e habilidade que, com o tempo, acabam mostrando resultados — em vez de dúvidas internas sobre nosso sucesso.


SOBRE O AUTOR

Harvey Deutschendorf é especialista em inteligência emocional, escritor e palestrante. Para responder ao teste de inteligência emocion... saiba mais