Você deveria responder às suas DM’s do Linkedin
Ignorar mensagens pode parecer a saída mais fácil, mas também significa perder as melhores oportunidades de conexão que a plataforma oferece

Há uma frase circulando pela internet de que o LinkedIn se tornou uma espécie de cemitério de empregos fantasmas e conteúdo gerado por IA.
A ideia é que as vagas do Easy Apply não recebem respostas, o “AI slop” está inundando nossos feeds e as conexões dão ghosting umas nas outras na caixa de entrada. A própria frase se tornou um assunto recorrente na plataforma que critica.
Recentemente, publiquei um post sobre como minha green flag no LinkedIn é que “sempre respondo às mensagens das minhas conexões”.
Apontei um comportamento ao qual nos acostumamos demais no LinkedIn: aceitar solicitações de conexão, mas ignorar as mensagens diretas (DMs) que chegam depois. Dei a isso o nome de cultura do “aceitar e ignorar”.
No meu post, argumentei que as pessoas não deveriam precisar fazer toda uma performance para merecer uma resposta. E, por um tempo, o LinkedIn voltou à vida com interações humanas de verdade.
No começo, devagar, profissionais de fora da minha rede começaram a interagir com o post, compartilhando na seção de comentários a frustração por serem ignorados. Depois, o perfil oficial LinkedIn Guide to Creating curtiu o post, e ele explodiu.
Os comentários revelaram muito mais do que concordância. Algumas pessoas me agradeceram por colocar em palavras uma frustração que haviam aceitado como algo normal. Outras admitiram que já sentem ansiedade toda vez que entram em contato com alguém novo.
Leia mais: Dicas de como criar um bom networking na era da IA
Muitas lamentaram que o networking tenha se tornado cada vez mais transacional e orientado por IA, destacando a necessidade muito real de se proteger contra spam, golpes e assédio.
Por baixo de todas essas reações, porém, havia um desejo em comum: que o LinkedIn voltasse a parecer humano.
UMA PORTA PARA O NOVO
Por causa do fenômeno do “aceitar e ignorar”, muitos usuários passaram a recorrer a criadores e influenciadores do LinkedIn que divulgam boas práticas para abordagens de primeiro contato.
Segundo eles, é preciso ser direto, então dispense a formalidade do “espero que você esteja bem”. Também é preciso provar seu valor em 300 caracteres ou menos. E, mais importante, é preciso provar que você é humano. Portanto, a mensagem deve ser legível, mas não educada demais – de preferência, toda em letras minúsculas.
Em outras palavras, as boas práticas para primeiro contato são o equivalente, no LinkedIn, ao monólogo de America Ferrera em "Barbie" sobre como é impossível ser mulher.

É compreensível por que as pessoas estão ignorando mensagens. A IA generativa tornou tão fácil fazer abordagens em massa que fingem ser personalizadas que responder a todas as mensagens que recebemos se tornou quase impossível.
Some-se a isso as mensagens irrelevantes e, às vezes, é mais fácil marcar tudo como lido do que passar por cada uma delas e decidir se merece ou não uma resposta. Mas, quando ignoramos nossas mensagens, perdemos o que o LinkedIn tem de melhor: a possibilidade.
A magia do LinkedIn acontece quando estamos abertos ao que está fora da nossa área. Já tomei café com empreendedores, dei conselhos a estudantes e conheci setores que nem sabia que existiam, tudo porque alguém respondeu à minha mensagem ou eu respondi à de outra pessoa.
Quando você aceita uma solicitação de conexão, que está abrindo um canal de comunicação.
É por isso que aceito solicitações de conexão de desconhecidos: para aprender com eles e tornar meu mundo um pouco maior.
Cada pessoa tem sua própria regra sobre responder a contatos, ou deveria ter. O problema é que passamos anos dizendo às pessoas como enviar a mensagem perfeita, mas quase nenhum tempo perguntando qual é a responsabilidade de quem está do outro lado.
Como alguém que passou o último ano cronicamente no LinkedIn, publicando semanalmente e interagindo com posts, desenvolvi algumas regras simples para navegar pela enxurrada de contatos que vem com a atividade na plataforma.
COMO RESPONDER ÀS MENSAGENS NO LINKEDIN
Dedique 10 minutos por dia para passar pela sua caixa de entrada. Comece pela mensagem mais antiga, aquela que está acumulando poeira digital, e leia todas as que conseguir nesses 10 minutos. Leia-as por completo.
Se um estudante ou alguém em busca de emprego entrar em contato sobre seu setor ou sua empresa, reserve um tempo para responder, mesmo que seja apenas com um simples “não posso ajudar”.
Muitos de nós lembramos de quando éramos a pessoa tentando entrar em um setor e sem a menor ideia de como fazer isso. Portanto, pense em quem você era quando mais jovem e retribua essa ajuda.

Se a mensagem for uma proposta de venda que não interessa ou não é relevante para você, há três opções: dizer “não é para mim”; remover/ bloquear a conexão; ou ignorar a mensagem. Apenas saiba que, se você ignorá-la, provavelmente receberá um follow-up.
A rejeição faz parte do trabalho de qualquer vendedor, então eles estão preparados para isso e, em algum momento, vão entender o recado quando tempo suficiente tiver passado sem uma resposta.
Nem toda mensagem merece uma resposta, mas uma tentativa genuína de conexão merece sua consideração. Só lendo a mensagem você pode fazer essa distinção.
Dependendo de quantas conexões você tem ou de há quanto tempo abandonou sua caixa de entrada, provavelmente não conseguirá terminar de revisar suas DMs e responder àquelas que quiser em uma única sessão de 10 minutos. Tudo bem. Faça outros 10 minutos no dia seguinte.
O objetivo é colocar esforço para construir e manter os relacionamentos com as pessoas com quem nos conectamos online da mesma maneira que faríamos na vida real.
Quando alguém envia uma solicitação de conexão e você decide aceitá-la, saiba que está abrindo os canais de comunicação. Essa pessoa agora pode entrar em contato, e provavelmente uma mensagem chegará até você.
Esteja aberto a ela e presuma uma intenção positiva. Não seja aquele que vai a um evento de networking apenas para se recusar a conversar com qualquer pessoa. Se você não quer se conectar, por que aceitar a solicitação?