POR ADELE PETERS

Florestas tropicais, manguezais, turfeiras e algumas outras áreas naturais armazenam quantidades especialmente grandes de carbono. O termo técnico para esse tipo de reserva é “irrecuperável” porque se seu carbono for emitido agora, por ação do desmatamento ou do desenvolvimento urbano, não será possível recapturá-lo até meados do século, que é o limite para o mundo zerar as emissões e para evitar o pior impacto das mudanças climáticas. Agora, um novo estudo mapeou quais são essas áreas que mais precisam de proteção.

(Crédito: Conservation International)

“Não podemos perder esses estoques de carbono mais importantes da natureza, porque eles não poderiam ser restaurados em nosso prazo climático”, disse Allie Goldstein, diretora de proteção climática da Conservation International, a organização sem fins lucrativos que fez os mapas. Na última década, por causa da exploração madeireira, da agricultura predatória e de incêndios florestais, pelo menos 4 bilhões de toneladas métricas de carbono irrecuperável já foram perdidos.

(Crédito: Conservation International)

O estudo mapeia apenas o carbono que pode ser gerenciado e protegido, e por isso não inclui, por exemplo, o derretimento permanente de gelo no Ártico, onde a própria mudança climática está impulsionando a liberação de carbono. “Queríamos realmente nos concentrar nesses ecossistemas onde as pessoas conseguem gerenciar se o carbono é conservado ou liberado na atmosfera”, diz ela. O estudo também analisou as áreas onde o carbono está mais vulnerável à perda e se ele poderia ser recuperado à medida que as plantas e árvores voltassem a crescer nas próximas décadas.

(Crédito: Conservation International)

As reservas irrecuperáveis ​​de carbono do mundo armazenam cerca de 15 vezes mais carbono do que a indústria global de combustíveis fósseis liberou no ano passado. O carbono irrecuperável, ao que parece, está concentrado em áreas relativamente pequenas, incluindo florestas tropicais e turfeiras na Amazônia, ilhas no sudeste da Ásia, a Bacia do Congo, a floresta temperada no noroeste do Pacífico e manguezais, plantas marinhas e pântanos de maré ao redor do mundo. Em um estudo anterior, pesquisadores descobriram que ela existia em seis dos sete continentes. “Mas quando fomos capazes de realmente fazer o mapeamento em alta resolução, descobrimos que mais da metade do carbono irrecuperável está concentrada em apenas 3,3% da área terrestre”, diz Goldstein. “Isso é realmente interessante, porque significa que se direcionarmos os esforços de conservação, podemos realmente fazer uma grande diferença na proteção do carbono irrecuperável em uma área de terra relativamente concentrada.”

(Crédito: Conservation International)

Menos de um quarto das áreas de concentração de carbono estão atualmente protegidas. Agora, como mais de 70 países se comprometeram com a campanha 30 × 30, um esforço para conservar 30% das áreas naturais do planeta até 2030, a ONG espera que esse novo mapa possa ajudar os governos a priorizar as áreas que precisam de proteção com maior urgência. Mais de um terço do carbono irrecuperável está em terras indígenas e, sendo assim, mais financiamentos para apoiar comunidades indígenas também ajudará. Esse trabalho precisa acontecer agora. “Acho que este mapa nos ajuda a ter uma visão de longo prazo”, diz Goldstein. “E não é daqui a 100 anos — é realmente nos próximos 10 anos que precisamos expandir os esforços de conservação para realmente fazer a diferença.”

SOBRE A AUTORA

Adele Peters é repórter da Fast Company que cobre soluções para alguns dos maiores problemas do mundo, de mudanças climáticas à falta de moradia. Anteriormente, ela trabalhou com a GOOD, BioLite e o programa de Produtos e Soluções Sustentáveis na UC Berkeley, e contribuiu para a segunda edição do livro best-seller Worldchanging: A User’s Guide for the 21st Century