POR ADELE PETERS  

Quase um terço de todo o CO2 que os humanos bombeiam para a atmosfera acaba no oceano. Isso está ajudando a desacelerar as mudanças climáticas — pelo menos por enquanto –, mas como a água absorve muito dióxido de carbono (o chamado “gás carbono”) a mais nesse processo, ela está se tornando excessivamente ácida. Isso prejudica a vida marinha, especialmente a de animais com conchas, como ostras e mexilhões. Ao longo da costa oeste dos Estados Unidos, a acidificação está acontecendo duas vezes mais rápido que a média global.

Considerando esses problemas, uma nova startup tem buscado soluções para aumentar a capacidade do oceano de remover o gás carbônico e para, ao mesmo tempo, tornar a água menos ácida. “O ciclo natural do oceano tem a capacidade de absorver uma enorme quantidade de CO2 na forma de bicarbonato natural”, explica Ben Tarbell, CEO Ebb Carbon. Antes de liderar essa startup, Tarbell liderou uma equipe que trabalhava em novas tecnologias climáticas na X, braço de inovação da Alphabet. “Se conseguirmos somente impulsionar esse processo por meio da eletroquímica, será possível sequestrar uma grande quantidade de carbono de forma segura e durável, por um longo tempo”, diz ele.

O que acontece normalmente é que quando o CO2 do ar entra na água do mar, ele passa por uma série de reações químicas, eventualmente se decompondo em íons de hidrogênio — que tornam a água ácida — e bicarbonato, uma forma de dióxido de carbono que permanece ali. O processo da Ebb Carbon está sendo projetado para funcionar em plantas industriais que já estão usando água do mar, como usinas de dessalinização, que transformam água salgada em água potável. Quando for lançada, essa nova tecnologia interceptará a água salgada que essas instalações usualmente despejariam de volta ao oceano.

(Crédito: Carbono Ebb)

O processo de propriedade da startup usa eletricidade de baixo carbono para reorganizar as moléculas de sal e de água, formando hidróxido de sódio (que é alcalino) e um ácido que pode ser removido e usado em processos industriais. Quando o hidróxido de sódio é bombeado de volta ao oceano, ele pode capturar CO2 do ar e formar bicarbonato sem criar a acidez habitual. O bicarbonato, por sua vez, pode armazenar dióxido de carbono no oceano por pelo menos 10 mil anos.

Todd Pelman, cofundador e engenheiro-chefe da Ebb Carbon, com a membrana bipolar (Crédito: Carbono Ebb)

Todo esse processo é muito mais barato do que algumas outras formas de remoção de carbono. É mais barato, inclusive, do que as usinas de captura direta de ar, que usam ventiladores para puxar o ar através de filtros que capturam CO2. “A razão pela qual podemos permitir um custo mais baixo é que, em um alto nível, usamos menos energia do que outros métodos”, compara Tarbell. “Basicamente, estamos usando muita energia natural do vento e do oceano para misturar e para capturar o CO2. Tampouco precisamos de energia adicional para processar o CO2, uma vez que ele é capturado — tudo isso já é tratado através dos processos naturais do oceano”. Em cinco anos, a empresa espera que seu custo de captura de uma tonelada de CO2 caia para menos de US$ 100 por tonelada – o que se encaixaria na referência padrão para eficácia de custo de projetos de remoção de carbono. A captura direta de ar, embora também tenha custo reduzido, continuaria sendo pelo menos cinco vezes mais cara.

Embora a startup tenha acabado de anunciar seu primeiro cliente, a Stripe – que fez um pedido de US$ 1,5 milhão para remoção de carbono, o qual será atendido assim que a tecnologia for lançada — a Ebb Carbon ainda está em fase de negociações para encontrar seu primeiro parceiro que abrigará a tecnologia. Ainda pode haver obstáculos antes que ela possa ser implementada: os cientistas da empresa estão estudando os seus impactos na vida marinha, embora esperem que eles sejam benéficos, não prejudiciais. Além disso, a tecnologia usa um design modular que cabe em contêineres de transporte, o que facilita a sua expansão. “Nós planejamos isso para grandes escalas”, diz Tarbell. “E não vemos nenhum impedimento para superar anualmente a escala de gigatoneladas de redução de CO2.”

A nova tecnologia pode ajudar a compensar as emissões à medida que as empresas se descarbonizam e, em última análise, pode ajudar a remover as emissões do passado que se acumularam ao longo do tempo. “Já estamos enfrentando as consequências do excesso de CO2 na atmosfera”, ele recorda. “Portanto, o que estamos fazendo é tentar resolver um problema que havia sido criado, além de ajudar a aliviar o problema que pioramos.”

SOBRE A AUTORA

Adele Peters é redatora da equipe da Fast Company e se concentra em soluções para alguns dos maiores problemas do mundo, que vão desde mudanças climáticas até a falta de moradia. Anteriormente, ela trabalhou em publicações como a GOOD, BioLite e no programa de Produtos e Soluções Sustentáveis ​​na UC Berkeley. Ela ainda contribuiu para a segunda edição do best-seller “Worldchanging: Um Guia do Usuário para o Século 21”.