Brasil Design Award: o melhor do país em forma, conceito e propósito

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A 11ª edição do Brasil Design Award (BDA), a maior premiação do setor no país, realizada de modo virtual nesta semana, reconheceu projetos que primaram não apenas pela qualidade da execução e pelo conceito criativo. Eles também trazem propósitos conectados às demandas mais urgentes da sociedade. Promovido pela Abedesign (Associação Brasileira do Design), o evento teve um número recorde de inscrições: 1.624, um crescimento de 11% sobre a edição anterior e 90% sobre 2019. E foram definidos sete prêmios máximos (Grand Prix), contra quatro atribuídos em 2020. Os GPs representam, sob diversos aspectos, questões que estão em debate no Brasil.

“O design mostra o que a marca quer dizer para o mundo. Nesse sentido, os projetos premiados casaram com o tema desta edição”, comenta diz Gustavo Greco, diretor-geral do prêmio Brasil Design Award. No ano passado, a escolha do assunto a nortear a premiação recaiu sobre o tempo presente. Em 2021, o tema foi “Que bandeira você carrega? Por que a bandeira?”.

Entre os GPs, o projeto “SkinDeep”, do estúdio Pedro, Pastel & Besouro, aborda o drama na vida de pessoas que têm stress pós-traumático de origem étnica e racial, o que se torna uma ferida não cicatrizada que encontra gatilhos no dia a dia. Trata-se de um curta de animação baseado em fatos reais que conquistou ouro na categoria Craft For Design – apenas cases que obtiveram notas acima de 9 podem receber o metal e, assim, concorrer a Grand Prix. Esse e outros GPs reforçam quanto o design está ligado a causas contemporâneas.

O tema da bandeira foi definido após uma cobrança feita pelo setor a respeito da edição anterior. Como lembra Greco, representantes do setor questionaram a falta de pessoas pretas no júri do prêmio em 2020. No mesmo momento, a Abedesign reconheceu o erro e incluiu mais presidentes e jurados negros. Mas isso aconteceu “com o voo em curso”. Ainda em 2020, a entidade abriu 100 bolsas para profissionais pretos e indígenas para que estes não precisassem pagar para inscrever peças. Também foram instituídas bolsas para estudantes.

Neste ano, os presidentes de júri das 10 categorias foram escolhidos cumprindo-se a meta de 50% deles serem profissionais negros. Eles puderam ampliar a diversidade do júri, com indicações de nomes. Ao todo, o corpo de jurados foi constituído por 140 pessoas. Além disso, pela primeira vez a presidência de júri do BDA foi composta majoritariamente por mulheres. “Ainda é pouco diante de toda a mudança necessária, mas reforçamos a busca para que nossa premiação se torne cada vez mais plural”, afirma Greco.

O movimento feito pela Abedesign inspirou o tema, que sinaliza que nunca foi tão urgente para as marcas entenderem seu lugar no mundo. Para isso, é importante promover o encontro entre suas habilidades, suas crenças e os problemas a sua volta. Para a associação, é impossível dissociar um projeto dos valores e conceitos que o originaram e das ideologias por trás dele. “O design nunca é neutro. Ele sempre terá um papel social e político”, pontuam os organizadores do BDA.

“A pergunta que se faz é por que a marca existe. Dizem que se 70% das marcas deixassem de existir hoje, as pessoas não sentiriam falta delas. Uma marca tem de ter propósito e o design está atento a isso”, completa o diretor-geral do prêmio. Sobre a bandeira, vale dizer que ela representa um país ou uma causa. Simboliza um grupo para o indivíduo e mostra a identificação desse indivíduo com o grupo.

PRÊMIOS

As 10 categorias do BDA são Branding, Craft For Design, Design de Ambiente, Design de Embalagem, Design de Impacto Positivo, Design de Produto, Design de Serviço, Design Digital, Design Editorial e Design Gráfico. Outro prêmio atribuído foi para estudantes, que puderam inscrever trabalhos de conclusão de curso.

Do total de projetos premiados, 15 receberam Ouro. Deles, seis receberam o prêmio máximo. E houve ainda um Grand Prix atribuído para cases de estudantes.

Confira os GPs:

– Craft For Design – “SkinDeep” – Estúdio Pedro, Pastel & Besouro.

Curta metragem animado contextualizado pelo racismo presente na história dos Estados Unidos, criado para o movimento EmpowHer New York. Conquistou Leão de Ouro no Festival de Cannes de Criatividade deste ano na categoria Health & Wellness (o filme aborda os efeitos do racismo sobre a saúde mental). “Os quadros foram feitos em aquarela. Os personagens foram criados majoritariamente por mulheres negras. A água retratada possui forte apelo simbólico para mostrar momentos traumáticos”, conta Greco.