Governo chinês compra ações da Tencent e Alibaba. O que isso significa?

Acordos sinalizam que o presidente Xi Jinping deve em breve afrouxar a repressão que restringe as empresas privadas da China

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Redação Fast Company 2 minutos de leitura

O governo do presidente Xi Jinping está fechando a aquisição das chamadas golden shares de dois gigantes chineses da internet: Alibaba e Tencent. Esse movimento deve abrir portas para o Partido Comunista Chinês (PCC) exercer influência sobre dois grandes atores na arena global da internet.

De acordo com reportagem do “Financial Times“, um fundo de investimento ligado ao órgão regulador da internet da China assumiu uma participação em uma das subsidiárias do Alibaba, a Guangzhou Lujiao Information Technology, em um acordo finalizado em 4 de janeiro. Outro acordo semelhante está em andamento na Tencent, que controla o WeChat, maior plataforma de mídia social do país. 

A Tencent é a empresa que controla o WeChat, maior plataforma de mídia social do país.

Esses acordos são um sinal de que, em breve, Xi Jinping deve afrouxar a repressão com mão de ferro que restringiu seriamente as empresas privadas da China nos últimos anos, em um esforço para ressuscitar uma economia sufocada.

A tática de assumir golden shares (ações de ouro) permitiria ao Estado ter em suas mãos as alavancas do poder dentro dessas empresas, enquanto seus negócios voltam a engrenar.

Mas o que, exatamente, significa uma “golden share”?

PODER DE DECISÃO

O termo foi cunhado para descrever a prática de fundos de investimento estatais assumindo participações pequenas, mas poderosas (geralmente em torno de 1%), em empresas privadas da internet, como ByteDance e Weibo, o que permite ao Partido Comunista da China (PCC) nomear diretores do conselho e exercer influência sobre suas decisões de negócios.

Com a golden share o Partido Comunista Chinês pode influenciar procedimentos e decisões de negócios.

Por exemplo, quando grupos da máquina estatal adquiriram uma golden share na ByteDance, em abril de 2021, ganharam o direito de nomear um dos três diretores do conselho da empresa. O cargo foi parar nas mãos de Wu Shugang, um oficial do PCC.

No conselho, Wu detém o controle unilateral sobre o conteúdo que sai nas duas principais plataformas da ByteDance: Douyin, aplicativo irmão do TikTok, e Jinni Toutiao, um aplicativo de notícias. Às vezes, ele chega a ser creditado como “editor-chefe” da ByteDance.

A extensão dos privilégios que o governo chinês terá com a compra dessas ações ainda não foi determinada. Douyin e Weibo – que em breve também terão algum tipo de acordo com o PCC – são nós vitais no ecossistema de informações da China. Inclusive, ambas as plataformas foram fundamentais para facilitar a mobilização e organização dos protestos que ocorreram em todo o país no final do ano passado.

A Fast Company entrou em contato com a Tencent e o Alibaba para comentarem esta reportagem, que será atualizada quando as empresas se pronunciarem.

Com base em texto de Grace Carroll.


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