POR FAST COMPANY BRASIL

Os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 — adiados para este ano por causa da pandemia de Covid-19 —  finalmente tiveram início na última sexta-feira, 26. O clima conturbado que acompanhou o evento até o momento da cerimônia de abertura foi um dos indícios de que esta edição será muito diferente dos anos anteriores:

SEM FÃS
Talvez a maior diferença sejam os estádios em Tóquio. Construídos para abrigar centenas de milhares de pessoas, esses espaços estão sendo ocupados, claro, pelos atletas, além de pessoas da organização do evento e jornalistas devidamente distanciados entre si.

SEM TORCIDA
Os poucos espectadores autorizados poderão simplesmente aplaudir. A orientação é de que evitem comemorações mais fervorosas. Placas com as seguintes recomendações estão espalhadas pelo evento: “Bata palmas, não cante ou grite”. Regras à parte, fato é que não haverá multidão suficiente para formar um grupo barulhento.

SEM APERTO DE MÃO OU HIGH-FIVE
O espírito esportivo faz parte da tradição olímpica. Mas, neste ano, terá de encontrar outras formas de se expressar. Talvez o primo pandêmico do aperto de mão, o toque de cotovelo, faça as vezes nesta edição. Ou, simplesmente, o sinal de joinha.

ATLETAS EM ISOLAMENTO
Nos anos anteriores, os atletas realmente aproveitavam a estada nas cidades olímpicas, conhecendo pontos turísticos e experimentando a comida local. Neste ano, isso está fora de cogitação. Eles precisam ficar em quarentena para não correrem o risco de contrair Covid-19 antes de entrarem em ação. Mas esse isolamento parece estar sendo desrespeitado por alguns atletas: o corredor Altobeli da Silva postou vídeos de desabafo em seus Stories no Instagram sobre o volume alto de funk em alojamentos vizinhos.

CERIMÔNIA ATÍPICA
A cerimônia de abertura contou com a presença de apenas 950 pessoas (no Rio, em 2016, 75 mil pessoas estavam presentes). Boa parte da cerimônia foi pré-gravada, incluindo os shows. O desfile dos atletas foi marcado pelo uso de máscaras (Tajiquistão e Quirguistão desrespeitaram o protocolo).

MÁSCARAS ONIPRESENTES
Com exceção do mascote olímpico, o Miraitowa, todo mundo estará (ou deveria estar) usando o item mais básico do protocolo sanitário: a máscara.

MEDALHA SEM CONTATO
Para evitar o contato ao máximo, as cerimônias de entrega das medalhas foram modificadas. Os atletas retiram as medalhas e brindes das bandejas levadas até eles pelos apresentadores, evitando, assim, o contato direto. 

QUATRO NOVOS ESPORTES
Karatê, surfe, skate e escalada são as quatro modalidades esportivas que fizeram sua estreia nos Jogos de Tóquio. Esta edição também terá baseball e softball, além de eventos de basquete 3×3 e BMX freestyle. A organização do evento afirma que os quatro esportes recém-incluídos são classificados como “extremos” e têm o objetivo de inspirar as gerações mais jovens. Deu certo: a maranhense Rayssa Leal, de 13 anos, é a medalhista mais jovem dos Jogos em 85 anos.

MANIFESTAÇÕES POLÍTICAS
O Comitê Olímpico sempre se esforçou para manter os Jogos longe da política. Mas os tempos estão mudando: manifestações sobre problemas sociais e políticos estão permitidos, desde que aconteçam antes das competições e fora dos pódios. As filmagens dos protestos também estão autorizadas.

PROTESTOS DE JAPONESES
A cerimônia de abertura pediu um minuto de silêncio em respeito às vítimas de Covid-19, mas isso não deteve a ira dos manifestantes japoneses, que estão protestando contra a realização dos Jogos. Eles estão preocupados com a segurança sanitária do país, que pode ser prejudicada com um evento de grande porte como este. Em maio, uma pesquisa revelou que 83% dos cidadãos japoneses se opõem ao evento.