POR FAST COMPANY BRASIL

Por que uma das gigantes brasileiras do fast fashion decidiu comprar uma plataforma de revenda de roupas usadas?

Esta é a pergunta que muita gente tenta responder depois que a Renner anunciou na quinta-feira, 15, a aquisição da Repassa, uma espécie de brechó online que comercializa roupas, calçados e acessórios. O valor não foi divulgado.

Segundo a Renner, o movimento justifica-se porque a companhia procura se consolidar dentro do “ecossistema da moda”.

“O ecossistema tem um potencial muito grande sob exploração, e a companhia continuará aliando investimentos orgânicos e inorgânicos para acelerar esta construção”, afirmou a varejista.

A Repassa foi criada há seis anos e tem foco em clientes femininas das classes B e C. Por que esta startup nativa digital virou o alvo da Renner, que havia captado R$ 4 bilhões em maio?

O primeiro motivo é estratégico: a Repassa atua em um mercado aquecido, que cresce até mais do que o mercado tradicional da moda. O setor de revenda de roupas está avaliado no Brasil em cerca de R$ 7 bilhões. Estima-se que pode chegar a R$ 35 bilhões nos próximos quatro anos.

Mesmo ainda não sendo de grande porte, a Repassa é uma empresa que tem todo o foco no digital – algo que pode ser bem valioso para as operações da Renner nos próximos meses até pelo ponto de vista da experiência do consumidor nas compras online.

Além disso, a aquisição faz sentido pelo desejo da Renner de investir no ESG (environmental, social, governance). A Repassa, afinal, é uma plataforma que “recicla” roupas e acessórios, algo bem visto em relação à questão ambiental.

Outro ponto relevante é a proximidade recente das duas marcas: Repassa e Renner tinham uma parceria em que a gigante varejista distribuía as Sacolas do Bem em alguns pontos de venda. As pessoas poderiam retirar as sacolas e colocar roupas ou acessórios que, depois, seriam colocados à venda na plataforma Repassa.

Com dinheiro em caixa, o mercado aguarda por novas aquisições da Renner nos próximos meses.