POR JAKE MURPHY 

Muitas pessoas falam em deletar suas contas de mídia social. Mas eu levei isso a sério.

Apagar meus perfis no Facebook e no Instagram me deixou sem aplicativos de mídia social — a não ser o LinkedIn, onde eu nunca fiquei distraído infinitamente. Antes de tomar essa atitude, eu namorei a ideia por meses e, honestamente, não tenho certeza do que me levou a abraça-la.

Eu só pretendia experimentar esse detox por uma semana, para ver como as coisas corriam. Mas aqui estamos, três semanas depois, e ainda não reinstalei nenhum dos aplicativos — nem pretendo fazê-lo. Seguem alguns dos meus motivos:

A EXPERIÊNCIA

Nas primeiras horas depois de excluir os aplicativos, fui traído pela minha memória muscular. Assim que eu ligava o meu telefone, meus dedos já buscavam clicar nos lugares onde os aplicativos costumavam ficar, como se procurando para ver se eles não estavam mesmo lá. Mas logo eu me lembraria de tudo, deixaria meu telefone de lado e seguiria em frente com meu dia.

Passei por isso quatro vezes.

É notável como esses caminhos foram construídos em meu cérebro ao longo do tempo. É meio triste, na verdade: eu nem precisava tomar decisões conscientemente cada vez que abria um desses aplicativos. Meu cérebro estava tão condicionado a passar o tempo navegando pelas redes sociais sem pensar, que eu já estava fazendo tudo no automático. 

O hábito pareceu diminuir em alguns dias. Houve algumas vezes em que eu queria verificar algo no Facebook, mas em vez de abrir o aplicativo instintivamente, eu pensava sobre isso, percebia que não tinha mais ele ali e, aos poucos, o embate mental foi chegando ao fim.

OS PRÓS SUPERAM OS CONTRAS

Com meu cérebro (re)treinado e com o meu tempo recuperado, fui capaz de dedicar minha energia a coisas que pessoalmente considero mais valiosas. Mas isso não quer dizer que eu não perca certas vantagens de cada aplicativo. Por exemplo:

  • Compras pelo Facebook Marketplace

Basicamente, abastecemos a nossa casa com guloseimas do Marketplace. Ali, eu fazia muitos negócios excelentes. Minha esposa ainda controla essas compras, mas se ela não estivesse no Facebook, teríamos que procurar descontos em outro lugar.

  • Os principais acontecimentos da vida de amigos ou familiares

Não sou mais o primeiro a saber, mas os amigos e familiares com quem converso fora das redes sociais (sim, eles existem!) me mantêm suficientemente informado.

  • Postagens engraçadas

Eu costumava dar uma ou duas risadas por dia com memes e vídeos ridículos. Agora, conto com meus amigos e minha esposa para fazerem uma curadoria e me enviarem o melhor dentre os melhores, o que é muito bom, na verdade – humor selecionado!

  • Notícias

Eu costumava usar o Facebook e o Instagram para minha dose diária de notícias. Felizmente, existem muitas alternativas para isso. Incluindo, você sabe, jornais!

Até agora, os benefícios superaram de longe as desvantagens, e algumas semanas depois, posso dizer com segurança que não estou perdendo tanto quanto pensei que perderia. Com o tempo extra que gastaria nas redes sociais, comecei a ler mais e a cuidar das coisas em casa – experiências que vinha adiando por mais tempo do que gostaria de admitir. Sinto-me aliviado e com muito mais controle do meu tempo.

Meu foco no trabalho também melhorou muito, e eu tive uma das semanas mais produtivas (de todas!) na segunda semana sem redes. Tudo porque apaguei dois aplicativos.

Eu realmente encorajo você a se livrar de seus aplicativos de mídia social, mesmo que seja apenas por alguns dias ou durante a semana de trabalho. Vou continuar assim, um dia de cada vez, e tenho a sensação de que depois de um tempo, não vou nem sentir aquelas pontadas de abstinência ocasionais. E, além de tudo, não ficarei mais irritado com as pilhas de pratos sujos me esperando cada vez que eu passar pela pia.

Se você não quer dar esse salto, existem alternativas. Por exemplo, você pode desligar as notificações de aplicativos sociais. Ou você pode usar ferramentas de bloqueio de distração durante o dia de trabalho. iPhones e Androids também têm recursos Focus para ajudar.

SOBRE O AUTOR

Jake Murphy é um Supervisor de Atendimento ao Cliente no Zapier. Este artigo foi inicialmente publicado no blog da empresa, e reproduzido na Fast Company com autorização do autor.