5 perguntas para Cesar Gon, CEO da CI&T

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Redação Fast Company Brasil 4 minutos de leitura

Interessado por tecnologia desde criança, Cesar Gon aprendeu programação de computadores sozinho, aos 11 anos; aos 13, vendeu o código de um jogo de xadrez para uma revista de tecnologia; e aos 23, fundou a CI&T que fornece serviços digitais para ajudar grandes empresas a fazer mudanças em escala, conectando resultados de negócios com soluções de tecnologia.

Engenheiro, empreendedor e escritor, ele é coautor do livro “Faster, Faster: The Dawn of Lean Digital” (2020) e colunista da “MIT Sloan Management Review”. Também é um investidor ativo em fundos de risco e startups, tendo liderado o IPO da CI&T na bolsa de valores de Nova York em 2021.

O que é inovação?

É a capacidade de criar soluções inéditas e eficazes para resolver complexos problemas humanos. O que aprendi, ao longo de quase três décadas liderando a CI&T é que os melhores espaços para inovação surgem da interseção entre duas forças seculares: mudanças de valores e comportamento da sociedade (e do consumidor) e avanço exponencial das possibilidades tecnológicas.

Essas duas forças estão intrinsecamente interligadas: é a tecnologia que acelera as mudanças de comportamento, principalmente das novas gerações, e são essas mudanças que criam os espaços mais férteis para inovação disruptiva baseada em novas possibilidades tecnológicas. 

Qual é a habilidade mais importante para exercer a liderança?

O maior desafio para os líderes do século 21 é a capacidade de liderar na ambiguidade. São muitas as habilidades necessárias para inspirar e motivar as pessoas a trabalharem em direção a uma visão compartilhada, num ambiente repleto de incertezas. Isso inclui adaptabilidade, flexibilidade, resiliência e criatividade.

os melhores espaços para inovação surgem da interseção entre duas forças seculares, mudanças de comportamento e avanço da tecnologia.

Mas, para mim, a mais importante (e talvez a mais rara) seja o que chamo de empatia empreendedora. Ela se expressa na habilidade para lidar com objetivos muitas vezes conflitantes entre os stakeholders do mundo corporativo moderno: acionistas, clientes, colaboradores e a sociedade.

Um líder empático e empreendedor é capaz de compreender as necessidades e perspectivas de cada grupo, buscando caminhos que equilibrem esses interesses e contribuam para um ambiente mais equilibrado e harmonioso. Como sempre, fácil de falar, mas uma batalha diária no exercício da liderança.

O que é qualidade de vida para você?

É estar feliz com as suas escolhas sobre o que fazer com o que temos de mais precioso e escasso na vida: o tempo que nos resta. Qualidade de vida significa buscar um equilíbrio saudável entre trabalho, família, amigos e interesses pessoais.

Isso envolve ter tempo para relaxar e desfrutar da vida, dentro e fora dos momentos que chamamos de “trabalho”, além de cuidar da saúde física e mental. Uma estratégia pessoal é não ficar muito preocupado com essas fronteiras e dar valor para todas as relações humanas.

Mas é preciso ser honesto e assumir que esse equilíbrio nunca será perfeito e que teremos que fazer escolhas o tempo todo, priorizando, deixando algo para depois e aceitando que não faremos algumas coisas que gostaríamos. Essa “honestidade com o espelho” permite reduzir a ansiedade e curtir cada dia do tal “tempo que nos resta”.

O que o conceito de sustentabilidade representa para você e como se conecta ao seu trabalho?

Sustentabilidade é harmonizar pessoas, progresso e o planeta. É a capacidade de gerenciar negócios e recursos de forma responsável e consciente, para que possamos atender às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atender às suas próprias necessidades.

Também é fundamental para o sucesso a longo prazo de qualquer negócio e envolve o uso responsável de recursos, a redução do desperdício e a criação de soluções duradouras.

O maior desafio para os líderes do século 21 é a capacidade de liderar na ambiguidade.

Como CEO de uma empresa global de tecnologia, isso se conecta ao meu trabalho em pelo menos duas perspectivas: na busca de soluções tecnológicas inovadoras, que sejam ambientalmente responsáveis, éticas, socialmente justas e economicamente viáveis; e na promoção da responsabilidade social corporativa.

Qual o conselho mais importante que já recebeu na vida?

Um que realmente marcou foi sempre seguir meus valores e princípios e aprender a confiar nas pessoas. Esse conselho ajuda muito quando preciso tomar decisões difíceis, pois me mantém firme em minhas convicções e me faz enxergar com clareza o que realmente importa na vida.

Além disso, confiar nas pessoas é algo que me permite construir relacionamentos de longo prazo, baseados em confiança e respeito.

Vou aproveitar e falar também do pior conselho que já recebi, lá no início da minha jornada empreendedora, quando tinha 23 anos. Um consultor de negócios (que tinha certa fama) me disse algo como: “Não se apegue às pessoas, não crie vínculos de amizade no trabalho, senão você terá dificuldade de liderá-las. As pessoas precisam ter medo de você”. Intuitivamente, aquilo não fez qualquer sentido para mim. Quase três décadas depois e com alguma experiência, fico tranquilo em chamá-lo de “o pior conselho da minha vida” (com todo respeito ao consultor, é claro).


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