5 perguntas para Gabriela Oliveira, da NTConsult

Crédito: Divulgação/ Maxim Berg/ Unsplash

Claudia Penteado 3 minutos de leitura

Designer, escritora, mentora, empreendedora na indústria criativa há 10 anos e atualmente head de design estratégico na NTConsult, Gabriela Oliveira diz que o grande desafio no mundo corporativo é que não se pode mais fazer projetos de inovação, de tecnologia e transformação digital sem diversidade. É inegociável. Para ela, a agenda e as metas de diversidade e inclusão nas organizações precisam ser mais agressivas por uma questão de sobrevivência dos próprios negócios.

Há dois anos, escreveu o livro “Uma Atitude Por Dia: Por um Mundo com Menos Racismo” (Editora Belas Letras), para ajudar as pessoas no letramento racial por meio de atitudes para além das mídias sociais. Mas, hoje, destaca que a conversa precisa evoluir para pessoas negras presentes de forma proporcional e consistente nos cargos de liderança em todas as esferas de poder. “O trabalho ainda não acabou e temos muito para desenvolver”, diz.

Gabriela conversou com a Fast Company Brasil sobre diversidade, liderança, ESG, futuros possíveis e sobre a importância de lembrar, sempre, de quem se é.

O que é inovação para você?

É deixar o mundo melhor do que o encontramos. Quando Angela Davis nos diz “você tem que agir como se fosse possível transformar radicalmente o mundo. E você tem que fazer isso o tempo todo”, nos provoca a fazer isso. É usar ferramentas, abordagens e processos para a solução de problemas de diferentes dimensões, do simples ao complexo, e propor um novo ponto de vista.

Inovação também é estratégia. Toda organização precisa inovar para sobreviver e criar novas formas de entregar valor significativo para as pessoas envolvidas nesse ecossistema. Para isso, não vejo empresas criarem soluções para um novo mundo se não por meio de ações intencionais e estratégicas de diversidade, inclusão e pertencimento.

Qual é, na sua visão, a habilidade mais importante para exercer a liderança atualmente?

Criatividade é a ferramenta mais potente do ser humano e ainda a vejo pouco explorada pelas lideranças. Criatividade

É insustentável ser escalável e seguir usando os mesmos modelos mentais que destruíram nosso planeta.

é composta de curiosidade, coragem e colaboração. A partir do momento em que me coloco como um curioso sobre a vida, sobre os desafios do outro, colaboro para criar, junto ao coletivo, este caminho e tomo a coragem para realizar, me tornando, assim, um líder capaz de resolver os desafios complexos que temos no mundo hoje.

É necessário criatividade para explorar soluções com o cenário que vivemos. Na NTConsult, a criatividade é motor para que os talentos possam resolver constantemente os desafios dos clientes. Uma habilidade fundamental para inspirar e mobilizar pessoas a construírem em torno de um propósito comum e forte.

O que é qualidade de vida?

Sendo uma mulher preta, periférica do interior do Brasil, que é atravessada por tantas camadas de opressão e violência, é difícil pensar em qualidade de vida. Por isso, qualidade de vida, para mim, é colaborar para que todas nós, mulheres pretas, tenhamos a segurança de sonhar e o devido suporte – e acesso – para fazer acontecer.

O que o conceito de sustentabilidade representa para você?

Ailton Krenak tem uma fala que acredito muito. “Sustentabilidade não é uma experiência individual, ela só pode ser produzida dentro de um contexto amplo, coletivo.” Pensar em sustentabilidade e nos seus desdobramentos atuais, como as práticas ESG, passa por um olhar sistêmico e coletivo.

Inovar é deixar o mundo melhor do que o encontramos.

É insustentável ser escalável e seguir usando os mesmos modelos mentais que destruíram nosso planeta de forma individual. O design estratégico e o design sistêmico nos capacitam a criar novos futuros possíveis para a sustentabilidade, tendo mais assertividade na dissolução dos bloqueios que ainda temos.

Qual o melhor conselho que já recebeu na vida? 

Minha mentora, Camila Rodrigues, me disse em uma sessão que é importante “assumir quem você é, a cadeira que está e não voltar para trás.” É inegável o quanto o racismo é um sistema que tenta apagar nossas identidades, nossa perspectiva de futuro e nossa trajetória. Por isso, devemos lembrar sempre quem somos, de onde viemos e trazer esses saberes para lidar com a sociedade e desfazer os sistemas de opressão e desigualdades que ainda existem.


SOBRE A AUTORA

Claudia Penteado é editora chefe da Fast Company Brasil. saiba mais