POR TALIB VISRAM

Desde a infância, Maisie Hughes sempre foi apaixonada por árvores. Tanto que chega a se descrever como “obcecada” por elas. Mas, ainda assim, como uma mulher negra, ela também costumava se sentir um pouco desconfortável na natureza. “Quando visitava paisagens e lugares incrivelmente lindos e sublimes…” ela conta, “eu sentia que não pertencia aquele lugar.” Essa angústia, explica ela, vinha de antigas narrativas culturais “de que a natureza é algo somente para os ricos”.

Maisie Hughes (Crédito: cortesia American Forests)

Para ajudar a mudar essa narrativa, Hughes fundou o Urban Studio, uma própria organização sem fins lucrativos dedicada ao urbanismo justo e sustentável e que agora trabalha com arborização urbana junto com a American Forests, uma organização de conservação ambiental fundada em 1875.

Hughes está no episódio do podcast World Changing Ideas para falar mais sobre seu trabalho com florestas urbanas e igualdade: garantindo que as árvores estejam presentes nas cidades para o benefício de todos, não apenas para os brancos e ricos.

Árvores são vitais para a vida já vez que trazem benefícios para a saúde física e mental dos moradores das cidades e fornecem sombra e resfriamento à medida que a ameaça de calor extremo aumenta. Mas em todo o país, bairros cuja a população é de maioria não branca possuem 33% menos árvores do que os de maioria branca; já os bairros mais ricos contam com uma cobertura 65% maior do que os menos favorecidos. “Pessoas não brancas são ignoradas, desrespeitadas e preteridas nos planos de desenvolvimento de suas próprias cidades”, afirma Hughes. Isso é cada vez mais preocupante, pois minorias e pessoas de baixa renda são a parcela da população mais afetada pelas mudanças climáticas.

Não é o bastante apenas plantarmos árvores; elas precisam estar nos lugares certos. A equipe de Hughes escolhe estrategicamente onde as árvores devem ser plantadas, com base em onde vive a população mais vulnerável, em onde seu efeito de resfriamento é mais necessário e em onde há escassez. Todos esses dados agora estão disponíveis em tempo real em um mapa online desenvolvido pela American Forests, chamado Tree Equity Score. Com essas informações, a equipe pode trabalhar em parceria com os governos municipais para mostrar onde plantar árvores de maneira mais eficiente. Atualmente está atuando em 12 cidades, que incluem Dallas, Detroit e Phoenix, e a meta é atuar em 100 cidades até 2030.

(Crédito: cortesia American Forests)

Não é suficiente apenas plantar árvores, explica Hughes, apesar de várias empresas hoje em dia se gabarem de projetos de plantio. “Plantar árvores é sedutor e convincente, especialmente se você postar nas redes sociais”, diz ela. “Mas, o desafio é ter certeza de que aquela árvore que você plantou crescerá. Não queremos que você perca seu tempo plantando uma árvore que não vai sobreviver.”

A American Forests enxerga nessa iniciativa um benefício adicional: além dos benefícios para a saúde e mitigação do clima, o plantio e a manutenção de árvores também é capaz de gerar empregos para novos profissionais da silvicultura urbanos e podem ajudar a diversificar a força de trabalho no campo. Por exemplo, a American Forests tem parcerias com a Tazo Tea e a Davey Tree Expert Company, uma organização sustentável de arborização, para implementar a Tazo Tree Corps, que emprega pessoas não brancas no plantio e cuidado de milhares de árvores em cidades como São Francisco e Minneapolis.

E o trabalho no mapa online Tree Equity Score continua: a equipe hoje está trabalhando em uma nova tecnologia de I.A. para aprimorar a experiência e que, em breve, também contará com histórias de populações locais na plataforma para ajudar a fornecer contexto. Mas a base tecnológica continua sendo uma das mais antigas do mundo: as próprias árvores. “Espalhadas por toda a cidade”, diz Hughes, “elas realmente são uma das melhores tecnologias para enfrentarmos as mudanças climáticas”.

SOBRE O AUTOR

Talib Visram é repórter e apresentador do podcast World Changing Ideas da Fast Company.