Batman não é o herói que merecemos.

Quero dizer, pense nisso: o cara é um bilionário entediado, dirigindo por aí em seu super carro automático especial (um Tesla, basicamente), pendurado do lado de fora de prédios de apartamentos e espionando desempregados em Gotham. Quando Batman não está batendo nesses cidadãos – usando “batarangs” menos letais e armaduras de combate de nível militar – ele os delata para o comissário Gordon.

Você não nos representa, Batman. E você também não, Robin. Na real, temos uma dupla melhor de super-heróis: os Beef Brothers.

Beef Bros é uma história em quadrinhos da Kickstarter, escrita por Aubrey Sitterson e desenhada por Tyrell Cannon. Ambos são veteranos dos quadrinhos indie. Cannon é conhecido no mundo dos quadrinhos por criar super-heróis gigantescos, e Sitterson já escreveu para editoras consagradas, como Marvel e Image. Depois de serem apresentados por um amigo em comum, trocaram e-mails e começaram a bolar uma nova ideia de história em quadrinhos.

A fonte de inspiração foram os videogames clássicos de lutas dos anos 80 e 90, como Final Fight, Streets of Rage e Double Dragon. “Aqueles jogos são fantásticos, mas partem de um pressuposto antiquado demais. Representam um mundo onde o crime está tão fora de controle que ninguém consegue fazer nada a respeito, então é preciso que o prefeito tire a camisa, bata em todo mundo e traga sua filha de volta”, comenta Sitterson, citando a trama de Final Fight.

O que nasceu destas discussões foi o que os autores classificam como “uma abordagem revolucionária e esquerdista dos super-heróis”. Beef Bros é uma história sobre dois homens malucos que lutam contra o crime de rua. Mas em vez de prometer justiça autoritária por meio de estereótipos problemáticos de bandidos, eles defendem a comunidade detendo outros tipos de bandidos: policiais assassinos e empresários sem escrúpulos.

Ouch.

As páginas de Beef Bros

O visual da HQ é como um sonho febril da estética do final dos anos 80, indo de cores neon brilhantes a um macacão de levantamento de peso inspirado nas calças bag. Outro ponto de destaque no visual dos quadrinhos é o ‘beef’, termo usado pelos americanos para se referir aos músculos. Cannon tem uma longa trajetória com desenhos repletos de formas musculares hiperbólicas, prática que ele compara não aos quadrinhos dos anos 90, mas à arte renascentista e sua obsessão com o corpo humano esculpido.

“O enquadramento de super-heróis e a arte nua são, em sua essência, a forma masculina ou feminina levada ao seu limite. Existem maneiras diferentes de mostrar a forma humana, e tento colocá-las sob meu estilo. Caso contrário, cada página seria apenas um cara apontando o punho para o leitor. Se você lê somente quadrinhos, é isso que desenhará sempre E isso é chato”, explica ele.

O roteiro de Beef Bros está concluído e as cinco primeiras páginas já foram criadas. O que resta são mais 27 páginas de esboço, tinta, coloração e letras.  A história em quadrinhos já arrecadou mais de US$ 20 mil. É o suficiente para criar uma primeira edição, mas outros US$ 15 mil são necessários para uma segunda. Se depender do design da HQ, seu futuro deve ser promissor.