No passado, alguns estudos diziam que veículos elétricos não eram melhores para o meio ambiente, pois a energia utilizada para fabricar a bateria, mais as emissões decorrentes da eletricidade poderiam resultar em uma pegada de carbono pior que a do carro a combustão. Um relatório detalhado mostra que isso não é verdade. Não importa onde um carro elétrico é usado, mesmo que seja carregado em uma fonte de energia alimentada por carvão, a pegada de carbono será menor que a de um carro a combustão.

Fazer baterias polui menos do que se pensava. “Estudos de muitos anos atrás se baseavam em dados desatualizados sobre emissões nas produções de baterias”, diz Stephanie Searle, diretora da International Council on Clean Transportation, organização responsável pelo relatório. “Naquela época, não havia dados reais sobre isso. Então as pessoas basicamente adivinhavam. Agora que a indústria de veículos elétricos começou a escalar, temos produção de bateria em escala comercial e dados reais, entendemos que as emissões típicas da produção de baterias é muito mais baixa do que acreditávamos (no futuro, a reciclagem poderia fazer essas emissões baixarem mais ainda)”.

O estudo também observou o uso de eletricidade em quatro regiões: União Europeia, Estados Unidos, Índia e China. Embora estes dois últimos países ainda dependam muito das usinas de petróleo para a eletricidade, as emissões originadas do carregamento de carros elétricos continuarão despencando. “Um carro típico é usado de 15 a 18 anos. Se você comprar um carro hoje, a eletricidade utilizada para carregá-lo hoje é uma, mas esse veículo vai durar até 18 anos e a rede elétrica vai se descarbonizar até lá”.

O setor de transporte é responsável por 25% das emissões de gases de efeito estufa, sendo que os carros de passageiros são responsáveis por boa parte desse índice. Para atender às metas do Acordo de Paris e limitar os piores impactos das mudanças climáticas, é necessário fazer uma transição total para os veículos elétricos e a hidrogênio, aponta a pesquisa – carros híbridos e que funcionam à base de biocombustível ou combustíveis alternativos, não vão longe o suficiente. E para chegar a uma economia emissão zero até a metade do século, o relatório diz que precisaremos parar de vender carros a combustão em breve. Se um carro típico pode ser usado de 15 a 18 anos, se precisamos dirigir somente carros emissão zero até 2050, os países precisarão banir a comercialização de carros a diesel e combustível de 2030 a 2035.

SOBRE A AUTORA

Adele Peters é repórter da Fast Company que cobre soluções para alguns dos maiores problemas do mundo, de mudanças climáticas à falta de moradia. Anteriormente, ela trabalhou com a GOOD, BioLite e o programa de Produtos e Soluções Sustentáveis na UC Berkeley, e contribuiu para a segunda edição do livro best-seller Worldchanging: A User’s Guide for the 21st Century.