8 em cada 10 jovens latino-americanos gostariam de empreender

Estudo aponta que os zennials pensam em ter um negócio seu para transformar a própria vida e a da família

Crédito: Freepik

Redação Fast Company Brasil 4 minutos de leitura

A geração Z já se tornou parte importante da força de trabalho global. Esse número só tende a crescer: estima-se que os jovens na casa dos 20 anos representarão 27% do total de trabalhadores até 2025. E, apesar de muitos deles desejarem encontrar a vaga dos sonhos em alguma grande empresa, outros preferem o caminho do empreendedorismo.

Segundo levantamento recente do Grupo Consumoteca, divulgado com exclusividade pela Fast Company Brasil, 77% da geração Z latino-americana gostaria de empreender algum dia. O estudo foi realizado com dois mil jovens da Argentina, Colômbia, Brasil e México, com idades entre 17 e 24 anos e pertencentes às classes A, B e C.

“Muitos têm apontado essa geração como um grupo que foge do trabalho, mas não é bem assim. Os zennials são super preocupados com independência financeira, mas não compram a narrativa de romantização da carreira que funcionou tão bem com os millennials”, afirma Marina Roale, head de pesquisa do Grupo Consumoteca.

“Esses jovens querem trabalhos que permitam uma vida de sonhos, mas não o trabalho dos sonhos. Em tempos de crise, pagar contas em dia e ter estabilidade se tornou mais desejável do que fazer algo extraordinário que consome a própria vida. A geração Z viu a palavra burnout virar epidemia entre os mais velhos e já busca rotas para fugir desse caminho.”

Os zennials olham para o trabalho como uma fonte de renda capaz de garantir autonomia e liberdade.

Ou seja, esse empreendedo- rismo tem um lado muito mais pragmático do que ligado a um propósito. Esta geração, que cresceu diante da crise econômica, acredita que é preciso cavar seu próprio espaço no mundo para conseguir algum tipo de sucesso.

Até por isso, eles não olham para o trabalho como uma busca por autorrealização ou luta por um propósito, a exemplo das gerações anteriores, e sim como uma fonte de renda capaz de garantir autonomia e liberdade.

Segundo o estudo, 73% buscam oportunidades de obter rendimentos adicionais além do trabalho regular e 83% têm como maior preocupação a estabilidade financeira. Além disso, 61% afirmam não depender de ninguém para conquistar a própria felicidade e 45% investem tudo o que ganham em si mesmos.

SEM ROMANTISMO

Nativos digitais, estes jovens estão focados em descobrir em si mesmos as habilidades e talentos que podem ser transformados em negócio. De acordo com essa nova ótica, monetizar um talento é mais interessante do que descobrir qual a sua missão no mundo.

Marina Roale (Crédito: Divulgação)

“Como empreender é mais um caminho para independência do que algo que dialoga com propósito, não há uma categoria específica na qual eles preferem empreender. As oportunidades surgem quando percebem uma lacuna de mercado para produtos e serviços que acreditam poder entregar de modo diferente”, diz Marina.

Para a executiva, a jornada de empreendedorismo da geração Z é menos pensada a partir de certificados, títulos e grandes investimentos. Eles são adeptos do learning by doing (aprender fazendo).

Além disso, é uma geração com baixo poder aquisitivo em um mundo pouco otimista. “A preparação ocorre a partir da troca com pessoas próximas que entregam modelos de sucesso. Há uma busca por cursos rápidos, tutorias e modelos onde se pode aprender botando a mão na massa”, explica a executiva.

INVESTINDO NA MARCA PESSOAL

O jovem Z é muito preocupado com a marca pessoal. Mas, como cresceu em um mundo de fronteiras borradas, mistura de maneira orgânica a ideia de física e jurídica. Costuma conviver com diversos exemplos de pessoas que monetizam a imagem nas redes sociais e, a partir disso, oferecem serviços e produtos.

“Eles investem muito na marca pessoal pois entendem que, tendo um público cativo e engajado, o que é ofertado se torna secundário. Entendem que, para ser empreendedor, é mais importante ter uma comunidade do que investidores-anjo e plano de negócios”, afirma Marina.

Além disso, esses jovens vivem na prática a ideia do MVP (do inglês Minimum Viable Product, ou Mínimo Produto Viável) e não ficam esperando uma ideia revolucionária ou um produto totalmente acabado. “Eles entendem o mundo sob a lógica da experimentação. Vão testando e ajustando e não hesitam em abandonar uma ideia antiga. Prezam menos por planejamento e mais por execução.”

JOVENS E PRAGMÁTICOS

Os zennials são muito atentos à questão da saúde mental e compartilham a ansiedade como uma característica em comum. Por isso, quando falam em empreender, não levam em conta apenas os desafios de capital ou fluxo de caixa, mas também a importância do apoio de amigos e parentes e a manutenção da saúde mental em todo o processo. 

Para embarcar nessa jornada, ter referências também se torna algo muito importante. “Eles adoram ter exemplos de pessoas que deram certo em algum ramo de atuação”, aponta Marina. Mas as grandes referências não costumam ser os empreendedores que aparecem na mídia ou inovando no Vale do Silício.

Esses jovens se inspiram em pessoas da família, do bairro ou influenciadores que vêm de um contexto de vida mais parecido com o seu. Também não se sentem atraídos pelo discurso vencedor de quem já “chegou lá”, mas sim daqueles que estão em uma jornada de crescimento e compartilham seus erros e vulnerabilidades.

A conclusão do estudo é que, enquanto o millennial associou o empreender com uma narrativa de propósito e transformação social, o Z pensa em ter uma empresa para transformar a própria vida e a da sua família.


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